UOL Notícias Internacional
 

06/07/2005

Americanos mantêm cineasta detido no Iraque

The New York Times
Tim Golden

Em Los Angeles
Assim como ocorre com muitos aprendizes de cineasta em Los Angeles, Cyrus Kar estava obcecado pelo seu projeto, um documentário sobre um antigo rei da Pérsia que sempre foi um defensor da tolerância e dos direitos humanos, mesmo quando ele construiu um império que se estendeu até a Ásia meridional.

The New York Times 
Cyrus Kar em foto de família feita em 2003
Mas Kar, 44, um americano naturalizado nascido no Irã, foi até onde poucos teriam ido para realizar seu sonho. Em meados de maio, ele viajou para o Iraque com um cinegrafista iraniano para filmar locais arqueológicos em volta de Babilônia.

Tudo ia bem até que o táxi no qual estavam circulando foi parado em Bagdá. Os dois homens foram então presos pelas forças de segurança iraquianas, que descobriram no veículo objetos que eles suspeitaram ser peças de uma bomba.

Cyrus Kar, o filho de um físico iraniano, chegou aos Estados Unidos com a idade de dois anos e passou sua infância e adolescência em parte nos Estados de Utah e de Washington, aonde ele chegou a integrar um time de futebol universitário.

Ele seguiu seus estudos na Califórnia, onde obteve um mestrado em gestão tecnológica pela Universidade Pepperdine, trabalhou durante anos na Silicon Valley (famoso centro de tecnologia da informática) e serviu na Marinha americana e na reserva Naval.

Os parentes de Kar e seus advogados disseram ter esbarrado em "obstáculos intransponíveis" ao tentarem descobrir o que acontecera com ele, apesar de repetidas solicitações junto ao departamento da Defesa, ao departamento de Justiça, ao departamento de Estado, às forças aliadas no Iraque e aos gabinetes de dois senadores americanos.

Um porta-voz do departamento da Defesa, o tenente-coronel John A. Skinner, declarou que ele não podia confirmar se Kar estava mesmo sob a custódia das forças americanas no Iraque, alegando uma norma do Pentágono que proíbe revelar os nomes dos detentos.

Um funcionário do departamento da Defesa que aceitou falar com a condição de ser mantido no anonimato por causa desta mesma política do Pentágono, contou que Cyrus Kar, o seu cinegrafista, Farshid Faraji e um motorista de táxi foram presos pelas forças de segurança iraquianas em Bagdá, em 17 de maio, quando os policiais que revistaram o veículo descobriram "dezenas" de cronômetros de máquinas de lavar --os quais são peças que os insurgentes iraquianos andaram utilizando para fabricar bombas caseiras.

"Certamente, havia indícios suspeitos o suficiente para justificar que as forças de segurança iraquianas detivessem esses indivíduos", comentou este funcionário do departamento da Defesa.

"Nestes casos, sempre ocorre um processo no qual é feita uma análise minuciosa desses indivíduos e uma avaliação de todos os fatos".

Skinner, o porta-voz do Pentágono, declarou que todo cidadão americano detido sob suspeita de representar uma possível ameaça para as forças aliadas deve finalmente responder perante um conselho formado por três oficiais militares americanos, os quais devem avaliar os seus casos e decidir o que fazer com eles. Ele acrescentou não saber se existe algum período de tempo específico dentro do qual este exame deveria ocorrer.

"Nós não temos absolutamente nenhuma vontade de segurar quem quer que seja por um tempo mais longo do que o necessário", disse Skinner. "Mas tampouco nós podemos correr o risco de cometer um erro. Nós estamos falando de questões que envolvem uma noção de vida ou morte. É por isso que nós temos de ser minuciosos". Durante as filmagens, ele usou um táxi onde havia material supeito Jean-Yves de Neufville

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