UOL Notícias Internacional
 

06/07/2005

Hillary rouba a cena ao fazer campanha por NY

The New York Times
Jim Rutenberg e Lynn Zinser

Em Cingapura
Enquanto Nova York luta nesta quarta-feira (6/7) para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2012, suas principais autoridades tentavam desesperadamente se encontrar com todos os poderosos delegados do Comitê Olímpico Internacional que estão decidindo o destino da candidatura.

Mas apesar de muitos dos delegados estarem se esquivando de alguns dos astros que buscavam persuadi-los, pelo menos um destes conseguiu virar a mesa.

A senadora Hillary Rodham Clinton, democrata de Nova York, foi recebida como uma estrela do rock enquanto circulava por esta ilha asiática na terça-feira, promovendo Nova York para os Jogos Olímpicos de 2012.

Os delegados buscavam tirar fotos ao lado dela, ou pelo menos conseguir um autógrafo. Apesar de muitos terem comparecido tarde para seus encontros com outros representantes das cinco cidades candidatas, eles compareceram cedo para Hillary, às vezes até esperando na fila.

A presença de Hillary foi recebida como uma espécie de presença tardia por alguns membros da equipe NYC-2012. Mas a recepção que ele obteve aqui foi um lembrete de que Hillary, como seu marido, ainda tem um status de celebridade em grande parte do mundo, conseguindo obter o tipo de atenção que as autoridades de Nova York estavam buscando enquanto tentavam criar a aparência de impulso nas horas finais antes da votação do comitê olímpico.

Ninguém sabe qual será o resultado da votação de quarta-feira, mas a percepção aqui foi de que a presença de Hillary, a ex-primeira dama e senadora por Nova York, melhorou as chances da cidade contra suas quatro rivais --Paris, Londres, Madri e Moscou.

Mesmo o prefeito Michael R. Bloomberg parecia surpreso com o grau de atenção recebida pela visita de Hillary na coletiva de imprensa da manhã de terça-feira, no Singapore Recreation Center, que contava com cerca de 50 operadores de câmeras de televisão e fotógrafos.

"Eu não sei se fico contente ou decepcionado, senadora", disse Bloomberg para Hillary enquanto estavam no palco com o nadador australiano Ian Thorpe, a patinadora ucraniana Oksana Baiul e a ginasta romena Nadia Comaneci, todos defensores da candidatura NYC-2012. "Você chamou mais atenção do que nós todos juntos."

Em termos de estrelato, Hillary enfrentava concorrência pesada. A candidatura de Londres estava sendo promovida pelo astro de futebol David Beckham e pelo primeiro-ministro Tony Blair. Paris estava sendo defendida pelo presidente francês Jacques Chirac. O presidente da Rússia, Vladimir V. Putin, discursaria para o público em inglês por vídeo para promover Moscou. E Nova York já tinha Muhammad Ali e Henry A. Kissinger entre seus defensores.

Mas foi Hillary que roubou a cena, até mesmo engolindo Bloomberg, o principal líder de torcida da candidatura da cidade. O prefeito disse que teve uma idéia do que o esperava na reunião do café da manhã, na qual esperava discutir a estratégia com Hillary, que, por sua vez, queria comer.

"Após um longo vôo ela se sentou esperando tomar o café da manhã", disse o prefeito, "e antes da primeira garfada ela foi arrastada para se encontrar com os delegados do COI".

Para onde quer que Hillary fosse, ela era procurada por pessoas querendo autógrafos, câmeras de televisão, fotógrafos e pessoas querendo cumprimentá-la, que sempre restringiam seus movimentos enquanto ela tentava chegar aos encontros com os delegados do comitê olímpico.

Nos últimos dias, os membros do comitê olímpico evitaram se encontrar com emissários das cidades candidatas. Mas na terça-feira no restaurante Szechuan Court, no complexo do Raffles City Convention Center --onde ocorre grande parte das manobras e decisões políticas-- os delegados que tinham encontros marcados apareceram prontamente e alguns até fizeram fila para falar com ela.

Quando Hillary tentou se mover para outras áreas do complexo, os organizadores tiveram que abandonar os planos de conduzi-la aos saguões adjuntos do Raffles Hotel e Swissotel para conversar com os delegados.

Os organizadores aprenderam do modo difícil quando a conduziram a uma escada rolante para se encontrar com um delegado coreano no saguão do Swissotel --apenas para vê-la encurralada nos últimos degraus por uma barreira de câmeras, repórteres e buscadores de autógrafo.

"Meu primeiro pensamento foi: 'Uh-oh, já vi este filme antes e ele termina com uma pilha de pessoas sobre nós'", disse Philippe Reines, o secretário de imprensa de Hillary.

As autoridades da NYC-2012 ficaram felizes com a recepção que ela teve, e alguns disseram acreditar que ela teve sucesso em mudar alguns poucos votos a favor de Nova York.

Mas a visita não foi bem recebida por todos, especialmente por aqueles que não querem Nova York, que está longe de ser considerada favorita a ser a sede dos Jogos de 2012.

"Em minha humilde opinião, eu realmente não sei por que ela está aqui", disse Miguel Sagarra, um conselheiro da candidatura de Madri, enquanto se encontrava com outros no lounge do Swissotel por volta da meia-noite. "Nova York, segundo os rumores, não tem chance."

Perto dali, Erskine McCullough, um repórter da agência de notícias "France-Presse", cuja sede fica em Paris, disse que a visita de Hillary Clinton "foi um circo. O trânsito parou".

Ele acrescentou: "Ela não mudará nenhum voto". Todos os olhos na senadora Clinton na visita olímpica a Cingapura George El Khouri Andolfato

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