UOL Notícias Internacional
 

08/07/2005

Agenda do G8 é reescrita pelo ataque a Londres

The New York Times
Richard W. Stevenson

Em Auchterarder, Escócia
Os ataques a bomba em Londres nesta quinta-feira (7/7) fizeram com que o foco cuidadosamente planejado da reunião das maiores nações industriais se desviasse do aquecimento global e da pobreza na África e se transformasse em um fórum no qual o presidente Bush e outros líderes mundiais se comprometeram a atuar unidas no combate ao terrorismo.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, o anfitrião, havia estabelecido uma agenda cujo propósito era, em parte, fazer com que o foco das atenções deixasse de ser o seu apoio à guerra no Iraque e a sua parceria com Bush nas questões de política externa.

Mas antes mesmo do início da primeira sessão de trabalho, ficou claro que o tom e a substância da reunião dos G8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo mais a Rússia) foram violentamente remodelados.

Bush ficou sabendo dos ataques por Blair, pouco mais de uma hora após as explosões, por volta do início da primeira reunião formal, disse Scott McClellan, secretário de Imprensa da Casa Branca.

O primeiro-ministro Paul Martin, do Canadá, disse aos repórteres que Blair informou cada um dos líderes individualmente sobre os atentados ao recebê-los em frente ao local da reunião, tendo, a seguir, fornecido mais detalhes a eles quando a sessão teve início.

Embora Blair tenha partido para Londres várias horas depois, Bush e os outros líderes reunidos aqui no clube de golfe em Gleneagles procuraram seguir mais ou menos a agenda prevista para a reunião, discutindo as suas diferenças quanto à maneira de reduzir a emissão dos gases que provocam o efeito estufa.

Mas Bush e a delegação dos Estados Unidos estavam nitidamente concentrados na ameaça terrorista. O presidente norte-americano deixou a reunião no meio da manhã e, sentando-se em frente a sua suíte de hotel, estabeleceu uma videoconferência por um canal seguro com a sua equipe de segurança nacional em Washington para discutir as possíveis ameaças aos Estados Unidos.

Subseqüentemente, os seus assessores participaram de videoconferências de hora em hora com autoridades em Washington. Durante o dia, Bush conversou informalmente com alguns dos líderes de outras nações, e embora os seus assessores tenham se recusado a especificar sobre o que eles conversaram, disseram que teria sido natural que o presidente tivesse abordado a questão do combate ao terrorismo.

"O contraste não poderia ser mais nítido entre as intenções e os corações daqueles de nós que nos preocupamos profundamente com a liberdade e os direitos humanos, e aqueles que matam, aqueles que possuem tanta maldade em seus corações que tiram as vidas de pessoas inocentes", disse Bush aos jornalistas. "A guerra contra o terrorismo continua".

Se, conforme disse Blair, os atentados a bomba tinham como intenção conturbar a reunião de cúpula, eles também tiveram o efeito de unir um grupo de líderes que já discordaram com relação a tudo, desde a guerra no Iraque até as relações comerciais e as taxas de câmbio.

Além dos líderes das oito grandes nações industriais - Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão, Itália, Canadá e Rússia - os dirigentes de China, Índia, México, Brasil e África do Sul também participaram da sessão de quinta-feira.

"Os líderes se oporão firmemente a este mal", disse o presidente Vicente Fox, do México, acrescentando que os ataques a bomba os estimularam a trabalhar mais arduamente no sentido de chegar a um acordo quanto a uma série de questões, incluindo o comércio e o aquecimento global. "Estamos passando das palavras à ação. É esse o espírito desta reunião", disse Fox.

Dois líderes europeus que divergiam freqüentemente de Bush e Blair quanto à guerra no Iraque prometeram solidariedade total ao Reino Unido.

O presidente Jacques Chirac, da França, que também discorda de Blair com relação a outros assuntos, disse que a sua nação está "totalmente solidária" com os britânicos. O chanceler da Alemanha, Gerhard Schröeder, declarou que a comunidade internacional "precisa fazer tudo o que estiver ao seu alcance para combaterem juntas o terrorismo com todos os meios a sua disposição".

A manifestação de unidade pode ter mascarado aquilo que com certeza será um debate no Reino Unido e em outros países: determinar se os britânicos foram atacados devido ao forte apoio de Blair à invasão do Iraque.

E houve poucas discussões aqui sobre a eficácia dos esforços internacionais de contra-terrorismo quase quatro anos após os ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova York e no Pentágono.

Com a ausência de Blair, o seu lugar na reunião foi ocupado pelo seu secretário das Relações Exteriores, Jack Straw. Os líderes presentes cancelaram as suas fotos em grupo, e alguns deles admitiram que havia uma grande dose de distração no ar.

Os manifestantes e grupos militantes, que procuravam usar a reunião como plataforma para as suas idéias sobre as questões da pobreza e do meio-ambiente lutaram para serem ouvidos, ou simplesmente desistiram.

"Uma grande sombra obscureceu a discussão", disse Martin.

Não ficou claro se a unidade quanto ao combate ao terrorismo se estenderia a outras questões em pauta. Ao final do dia, grupos ambientalistas estavam divulgando aquilo que, segundo eles, é a minuta de um comunicado sobre o aquecimento global, uma questão em relação à qual Bush discorda da maioria dos outros líderes.

Refletindo o receio de Bush de que uma resposta muito rígida ao aquecimento global possa prejudicar a economia dos Estados Unidos, a minuta não contém nenhum acordo específico ou passos concretos para reduzir, em prazo determinado, as emissões de gases causadores do efeito estufa.

Ela traz um compromisso de ação com "determinação e urgência" quanto à questão, mas também faz amplas advertências que, segundo certos grupos ambientalistas, deixaram o documento quase que sem sentido.

"Embora haja incertezas persistentes no nosso entendimento da ciência climática, sabemos o suficiente para agirmos agora e para nos inserirmos em uma rota para desacelerar e, conforme justifica a ciência, interromper e reverter o aumento dos gases causadores do efeito estufa", diz a minuta.

Informando aos repórteres como o dia se desenrolou, McClellan disse que Bush em momento algum pensou em deixar o encontro de cúpula. Após ser informado sobre as explosões em Londres no início da primeira reunião, Bush convocou o seu assessor de Segurança Nacional, Stephen J. Hadley, e lhe pediu que desse início à coordenação da resposta norte-americana, disse McClellan.

Ele disse que, simultaneamente, Andrew H. Card Jr., o chefe de gabinete da Casa Branca, soube das notícias sobre as explosões por um dos seus assessores, Joe Hagin. McClellan informou que Hadley e Card passaram a ligar para outras autoridades, incluindo o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o vice-presidente, Dick Cheney, que estava em sua casa em Jackson, Wyoming. O terrorismo substituiu o combate à pobreza na pauta do encontro Danilo Fonseca

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