UOL Notícias Internacional
 

08/07/2005

EUA aumentam nível de alerta ao terrorismo depois dos atentados em Londres

The New York Times
Eric Lipton*

Em Washington
Preocupadas com um "ataque de imitação", autoridades federais aumentaram o nível de alerta para os sistemas de ônibus, trens e metrôs da nação na quinta-feira (7/7). Com a medida, haverá mais patrulhas policiais, buscas com cães farejadores e inspeções de volumes em todo o país.

Ruby Washington/The New York Times 
Policiamento é reforçado em locais visados, como a Bolsa de Valores de Nova York
O secretário de segurança interna, Michael Chertoff, admitiu que não havia evidências específicas de uma ameaça contra os EUA, mas disse que os atentados em Londres geravam a necessidade de maior segurança em casa.

"Obviamente, estamos preocupados com a possibilidade de um ataque copiado", disse Chertoff em uma conferência com a imprensa na sede do Departamento de Segurança Interna.

Chertoff, ex-juiz federal, assumiu o departamento em fevereiro prometendo evitar causar ansiedade desnecessária entre americanos. Esta foi a primeira vez que aumentou o nível de alerta da agência para a cor laranja, o segundo mais alto em uma escala de cinco pontos.

Diferentemente dos alertas de segurança mais amplos que o departamento costumava emitir, este se aplica apenas aos sistemas de transporte de massas. Mesmo assim, ao anunciar a advertência, Chertoff tentou garantir para o público que é seguro tomar um ônibus, trem ou metrô para o trabalho.

"Não estamos sugerindo que as pessoas evitem os sistemas de transporte público", disse Chertoff em sua aparição de oito minutos, na qual se limitou cuidadosamente a um texto preparado. "Estamos recomendando às pessoas que usem esses sistemas, mas com um grau maior de consciência do que ocorre em sua volta."

Em cidades como Nova York, Chicago, Miami e Los Angeles, os ataques em Londres e o alerta elevado traduziram-se imediatamente em medidas adicionais de segurança.

Tropas estaduais em Boston patrulharam linhas de ônibus e plataformas de metrô. Em Miami, policiais conduziram buscas em estações de ônibus e trens. Em Washington, um helicóptero da polícia sobrevoou a capital, e a polícia acompanhou as imagens de vídeo de câmeras montadas pela cidade.

Cartões amarelos e pretos foram distribuídos com as palavras "Viu algo? Fale!", instando os usuários do metrô de Washington a informarem qualquer atividade suspeita.

Como resultado do nível de segurança aumentado, houve um pico nas denúncias de itens suspeitos em algumas cidades. Um funcionário dos transportes de Washington informou que havia um pacote suspeito na estação do Centro Médico, ao longo da linha vermelha, na quinta-feira pela manhã, forçando a interdição dos trens de Maryland por quase uma hora.

Repetidamente, as autoridades pediram calma.

"Não estamos levantando uma bandeira vermelha e dizendo que estão vindo nos pegar. Estamos apenas sendo prudentes", disse o governador Bill Owens, do Colorado, em uma entrevista coletiva com a imprensa em Denver.

O prefeito Anthony Williams, de Washington, disse: "Vivam suas vidas, vão trabalhar, passem tempo com suas famílias, afrontem esses terroristas."

A resposta rápida na quinta-feira, mesmo sem evidências de uma ameaça aos EUA, deveu-se a uma admissão das autoridades que os sistemas de transporte estão entre os alvos mais vulneráveis.

Com dezenas de milhares de ônibus e trens levando 32 milhões de passageiros diariamente, é virtualmente impossível proteger cada parte da malha de transporte, disse William W. Millar, presidente da Associação Americana de Transporte Público.

Mesmo assim, Millar e vários membros do Congresso disseram na quinta-feira que muito pouco dinheiro havia sido dedicado a melhorar a segurança das estações de trem e metrô e deter terroristas.

Cerca de US$ 250 milhões (em torno de R$ 600 milhões) foram gastos com a segurança do transporte de massa nos últimos três anos, comparados com mais de US$ 15 bilhões (aproximadamente R$ 36 bilhões) gastos para proteger os aviões do país.

"Há várias partes de um plano de segurança para os transportes, mas não são suficientes. Isso nos deixa vulneráveis como país. Não fizemos o necessário para garantir todos nossos sistemas de trânsito", disse o deputado Bennie Thompson, democrata de Missouri, líder da minoria do Comitê de Segurança Interna da Câmara.

Outros argumentam que o foco deve ser a caça aos terroristas. "É vital que o mundo civilizado se una no esforço de caçar todos os perpetradores que ainda vivem. Eles são uma ameaça para a Europa, para os EUA e para o mundo civilizado, tanto quanto são para Londres", disse o deputado republicano da Califórnia Christopher Cox, diretor do comitê da Câmara.

Chertoff disse que estava convencido de que o sistema de trânsito da nação estava mais seguro hoje do que em setembro de 2001, e que tinha melhorado ainda mais depois dos atentados de março de 2004 em Madri.

O ataque resultou em algumas medidas de segurança adicionais, como um requerimento federal de que os sistemas de transporte conduzam buscas regulares de itens suspeitos e, em alguns casos, removam latas de lixo.

"Acho que temos um sistema muito seguro", disse Chertoff. "Mas é fato que tivemos um incidente em Londres."

Alguns políticos e críticos freqüentes do governo concordaram na quinta-feira que a resposta federal aos ataques em Londres demonstrava que o governo estava se tornando mais maduro diante de ameaças.

No primeiro mandato de Bush, as autoridades às vezes pareciam competir pelos holofotes quando elevavam os níveis de ameaça. Na quinta-feira, não houve dúvidas que Chertoff seria o principal porta-voz do governo.

Depois dos atentados de Londres, as autoridades americanas iniciaram uma série de ligações para membros dos setores de segurança pública e privada em todo o país.

As autoridades de segurança interna deram detalhes sobre os ataques e instaram os governos locais a tomarem medidas imediatas para aumentar a segurança. Chertoff também telefonou para vários membros importantes do Congresso para notificá-los que o governo pretendia aumentar o nível de alerta.

Na Casa Branca, Frances Fragos Townsend, assessor de segurança interna do presidente Bush, reuniu-se com as agências de segurança para acompanhar a resposta nacional.

A forma discreta de lidar com o incidente recebeu elogios de líderes dos dois partidos dos comitês da Câmara e do Senado que supervisionam a segurança interna, inclusive dos que no passado ridicularizaram o sistema de alerta colorido.

Chertoff, em sua conferência com a imprensa, não hesitou em dizer que não tinha nenhuma pista que indicasse os ataques de Londres e que não tinha "informações específicas plausíveis sugerindo um ataque iminente" nos EUA. Ele também se recusou a especular sobre quem poderia ser responsável pelo ataque.

"A resposta foi comedida e apropriada", disse a deputada Jane Harman, democrata da Califórnia, principal membro da minoria do Comitê de Inteligência da Câmara.

*Colaboraram James Dao, em Washington, Pam Belluck em Boston, Andy Pollack e John Broder em Los Angeles, Dean E. Murphy em San Francisco, Michael Wilson e David Bernstein em Chicago, Kirk Johnson em Denver e Terry Aguayo em Miami. Aumenta a vigilância nas maiores cidades, que temem "imitação" Deborah Weinberg

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