UOL Notícias Internacional
 

08/07/2005

Timers detonaram bombas em Londres; policiais buscam paralelos com ataque a Madri

The New York Times
Don Van Natta Jr. em Londres e

Elaine Sciolino* em Paris
Os investigadores em busca de pistas para os ataques realizados em Londres disseram nesta quinta-feira (7/7) que as três bombas usadas no metrô parecem ter sido detonadas com timers, e não obra de homens-bomba suicidas, e que o quarto dispositivo podia ser destinado a outro alvo e não ao ônibus que destruiu.

Autoridades da polícia disseram que não receberam mensagem de nenhum grupo reivindicando a responsabilidade pelos ataques e não efetuaram prisões. Mas as autoridades traçaram imediatamente paralelos entre os atentados em Londres e os que atingiram os trens em Madri, Espanha, 16 meses atrás, que foram executados por uma célula inspirada na Al Qaeda.

Na noite de quinta-feira, a Scotland Yard tinha mais perguntas que respostas. Uma autoridade disse que nenhum dos muitos suspeitos de terrorismo vigiados atentamente na Inglaterra parece estar envolvido.

Autoridades da polícia e de inteligência reconheceram que foram pegas completamente de surpresa pelos atentados coordenados, apesar de estarem esperando um ataque terrorista há anos.

As autoridades disseram que não houve alerta e nem mesmo um indício de que um ataque era iminente entre a enxurrada de inteligência acumulada nos últimos dias pela Polícia Metropolitana e o MI5, o serviço de inteligência doméstica.

"Não havia nenhuma inteligência em nosso poder de que estes ataques ocorreriam hoje", disse Brian Paddick, vice-comissário assistente da Polícia Metropolitana. "Nós não recebemos nenhum alerta de qualquer organização de que isto iria acontecer."

Desde 11 de setembro de 2001, o comando da polícia tem alertado que um ataque terrorista de grande escala na Grã-Bretanha não era questão de se mas quando, uma previsão repetida por um importante comandante da polícia no final do mês passado.

O Centro de Análise Conjunta de Terrorismo reduziu o nível de ameaça de ataque terrorista de "intensa geral" para "substancial" no início deste mês.

Há vários níveis na escala de segurança, com intensa geral sendo o terceiro mais grave e substancial o quarto. O nível de ameaça não é divulgado publicamente, mas reflete a inteligência sobre ataques potenciais e ajuda as autoridades a tomarem decisões internas.

O nível de alerta não foi elevado para coincidir com a abertura do encontro de cúpula do Grupo dos 8 na Escócia, disseram as autoridades.

Paddick e outros comandantes da polícia negaram que a redução do alerta tenha afetado o nível de resposta de emergência aos atentados na manhã de quinta-feira. Ele também rejeitou a sugestão de que a classificação refletiu uma conclusão de que a ameaça terrorista tinha diminuído aqui.

"Nós sentimos que era apropriado, tendo em mente toda a inteligência da qual dispúnhamos", disse ele. "Nós estamos de acordo que o sistema de segurança era apropriado, apesar do encontro de cúpula do G8 que estava ocorrendo na Escócia."

Michael Mates, um alto membro do Comitê de Inteligência e Segurança do Parlamento, disse: "Certamente havia uma atenção ampliada nesta semana, apesar dos recursos provavelmente estarem um pouco mais concentrados no encontro do G8".

Após sua volta para Londres na tarde de quinta-feira, o primeiro-ministro Tony Blair prometeu que as autoridades promoverão "a mais intensa investigação policial e de segurança para levar os responsáveis à Justiça".

O ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, disse que as explosões trazem "as marcas de um ataque ligado à Al Qaeda", mas a polícia buscou não atribuir a culpa a um grupo em particular.

Um grupo auto-intitulado Organização Secreta da Al Qaeda na Europa anunciou em um site na Internet que foi o responsável pelos atentados.

O anúncio também ameaçava a Itália e a Dinamarca, que forneceram tropas para a coalizão liderada pelos Estados Unidos que está lutando no Iraque. A autenticidade da mensagem não pôde ser confirmada, e vários especialistas disseram que duvidam fortemente de sua autenticidade.

Autoridades da inteligência americana disseram que iniciaram uma análise detalhada dos dados obtidos semanas antes dos ataques de quinta-feira em Londres em busca de possíveis pistas.

Autoridades de contraterrorismo em Londres disseram que ainda estavam tentando determinar o tipo de explosivo que foi usado. Uma autoridade disse que especula-se que o ônibus cujo teto foi explodido às 9h47 da manhã, em Bloomsbury, foi demolido acidentalmente por um homem-bomba suicida.

Mas outra teoria que está ganhando força e de que a bomba explodiu prematuramente enquanto o terrorista a levava ao alvo pretendido, disseram várias autoridades de contraterrorismo britânicas e americanas.

As autoridades disseram que as três bombas no metrô parecem ter sido detonadas por timers, não celulares ou outros disparadores remotos. Acredita-se que as bombas nos trens tenham sido pacotes-bomba que teriam sido deixadas pelos terroristas, que fugiram antes de sua detonação.

As autoridades se recusaram a confirmar ou negar os relatos de que dois pacotes-bomba não detonados foram recuperados nos trens.

Um alto funcionário da inteligência americana disse que os britânicos realizaram "pelo menos uma explosão controlada" de um pacote suspeito, encontrado após os ataques, mas disse que não podia confirmar se o pacote era outra bomba.

Os atentados em Madri e Londres foram separados por 16 meses, mas os ataques contra as duas importantes capitais da Europa possuem muitas semelhanças, assim como lições graves para as autoridades de contraterrorismo.

"Madri levou o terror ao coração da Europa, mas nunca acreditamos que seríamos um caso único", disse Jorge Dezcallar, que era o chefe do serviço de inteligência estrangeira da Espanha durante os ataques em Madri, em uma entrevista por telefone. "Nós apenas tivemos a má sorte de sermos escolhidos como primeiro alvo, mas não o último. Londres, como Madri, prova como somos vulneráveis."

Como Madri, os ataques em Londres não visavam símbolos de poder como o Big Ben ou a Abadia de Westminster, mas o mundano: trabalhadores comuns a caminho do trabalho no horário do rush do dia. Em Madri, 191 pessoas foram mortas quando 10 bombas foram detonadas em quatro trens durante o horário do rush da manhã.

O efeito em ambas as cidades foi paralisar o trabalho comum na cidade. As autoridades britânicas anunciaram que cada centímetro do metrô de Londres será examinado para assegurar que nenhum outro explosivo tenha sido plantado, assim como fizeram as autoridades espanholas.

"As explosões visavam provocar pânico entre as pessoas", disse o general Hamidou Laanigri, chefe de segurança de Marrocos, em uma entrevista por telefone. Ele acrescentou: "Esta é sempre a lógica do terrorismo, obter o máximo de atenção e impacto".

Outra semelhança é que a política pode ter tido um papel no escolha do momento. Quinta-feira foi o primeiro dia do encontro de cúpula do G8, cujo anfitrião é Blair, em Gleneagles, perto de Edimburgo, Escócia.

No momento dos atentados em Madri, restavam apenas três dias para a eleição nacional da Espanha.

Tanto a Espanha quanto a Grã-Bretanha enviaram tropas para ajudar a guerra liderada pelos Estados Unidos no Iraque e o ataque militar no Afeganistão, apesar de ainda não estar claro se o apoio à política externa americana teve um papel no ataque em Londres.

Os serviços de inteligência britânico e espanhol estão operando na suposição de que uma rede ligada à Al Qaeda --ou árabes ou um dos grupos paquistaneses emergentes na Europa- foi responsável pelos ataques em Londres, disseram vários funcionários de inteligência.

"Ainda é cedo demais para dizer definitivamente quem realizou estes ataques", disse Matt Levitt, um ex-agente do FBI e atual membro e diretor de estudos de terrorismo do Instituto Washington para a Política do Oriente Próximo.

"Mas enquanto prossegue a investigação dos atentados em Londres, as autoridades não deverão ficar surpresas se as evidências revelarem um elo crítico com os ataques de Madri."

Importantes autoridades de contraterrorismo disseram que a Al Qaeda evoluiu de um grupo hierárquico, estruturado, para uma organização descentralizada que conta com grupos pequenos e independentes para realizar os ataques.

"Houve muitas tentativas" em Londres, disse Baltasar Garzon, um juiz espanhol que investiga a Al Qaeda há anos. "E neste caso, eles finalmente atingiram alguns dos alvos mais fáceis com estes trens. O único obstáculo real que enfrentam neste tipo de ação é a obtenção dos explosivos. Assim que eles o conseguem, é muito fácil atacar alvos como os trens."

Mates, do Comitê de Inteligência e Segurança, disse que era apenas questão de tempo até que um ataque coordenado atingisse Londres. Ele disse que as autoridade impediram pelo menos três ataques coordenados a Londres desde 11 de setembro.

"Nós pegamos e impedimos aqueles que estavam tentando passar e os evitamos", disse ele.

*David Johnston, David E. Sanger e Scott Shane em Washington, Stephen Grey em Londres, Tim Golden em Nova York, e Souad Mekhennet em Frankfurt, Alemanha, contribuíram com reportagem. Motivações e execução são semelhantes ao 11 de março de 2004 George El Khouri Andolfato

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