UOL Notícias Internacional
 

12/07/2005

Enfraquecido, furacão Dennis causa destruição nos EUA

The New York Times
Michael Wilson,
Em Pensacola, Flórida
Após ter ganho força ao atravessar o Golfo do México e assustar mais de um milhão de moradores da região costeira, levando-os a procurar hotéis e abrigos e a se deslocar para Estados vizinhos, o furacão Dennis enfraqueceu e chegou à costa próximo a Pensacola na tarde do último domingo, perto de onde o devastador furacão Ivan atingiu o litoral no ano passado.

Erik S. Lesser/The New York Times 
Casas destruídas pelo Dennis, na praia de Navarre, na Flórida; furacão perdeu força e evitou prejuízos de milhares de dólares
Enquanto se deslocava pela Flórida, a tempestade arrancou árvores, varreu estradas e destelhou várias casas do litoral, sem, entretanto, exibir as forças destrutivas temidas pelas autoridades.

Os ventos mais intensos da tormenta chegaram a 190 km/h próximo ao olho do furacão quando este tocou a terra, fazendo com que passasse a ser uma tempestade de categoria três. No início da manhã ele tinha categoria quatro, com ventos de 230 km/h. A diferença de 40 km/h pode significar que Pensacola e as cidades vizinhas deixaram de sofrer um prejuízo de milhões de dólares. Não houver relatos de ferimentos sérios ou mortes. As autoridades atribuem isso à evacuação que teve início na quinta-feira.

"Estou feliz porque os ventos diminuíram um pouco", disse o governador Jeb Bush aos repórteres no centro de comando de emergência em Tallahassee.

"A diferença entre um furacão de categoria três e um de categoria quatro é equivalente a que existe entre ser atingido por um caminhão e por um trem", disse Bush, repetindo um comentário feito por Max Mayfield, diretor do Centro Nacional de Furacões.

Também contribuiu para a relativa ausência de destruição a velocidade da tempestade. O furacão Dennis chegou à costa com uma velocidade de 27 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões.

"Tivemos sorte com esse furacão", disse o xerife Ron McNesby, do condado de Escambia, que inclui Pensacola e suas praias.

O xerife deu início ao seu primeiro comunicado no domingo no centro de comando pedindo a Larry Smith, diácono da maior igreja batista de Pensacola que fizesse uma oração. "É um momento difícil. Esta é a única maneira que conheço de lidar com isso", disse Smith. "Deus, hoje nós remetemos a Ti os nossos pedidos. Oro pela proteção da nossa comunidade, caro Deus".

Na tarde de domingo, o presidente Bush, irmão do governador, declarou estado de desastre na Flórida, Alabama e Mississipi, fazendo com que esses Estados fossem capazes de receber imediatamente assistência federal.

Atribui-se ao furacão Dennis as mortes de pelo menos 32 pessoas no Haiti e em Cuba.

Em Pensacola, um homem cuja idade foi estimada entre 70 e 80 anos morreu em um centro cívico na manhã de domingo. As autoridades dizem acreditar que ele morreu de causas naturais, e não ficou claro se a morte seria considerada como resultado da tempestade, disse McNesby.

Em outro local da Flórida, um garoto de três anos, Christopher Miller, morreu esmagado em um acidente quando o seu pai, Gerald M. Miller, 32, o atropelou com o carro na sexta-feira, quando a família evacuava a casa em Defuniak Springs.

O furacão Dennis fez com que fossem fechados os aeroportos, as principais estradas e as pontes da região. Pensacola parecia deserta no início do domingo, e a maior parte dos carros que circulavam na região era de policiais. Os abrigos na área estavam ocupados pela metade, já que cerca de 4.700 pessoas neles ingressaram no sábado e no domingo, segundo Sonya Smith, a diretora de informação pública do condado de Escambia.

As chamadas de emergência às autoridades corresponderam a uma pequena fração das ocorridas em 16 de setembro do ano passado. "Os telefones tocara muito durante a passagem do Ivan", disse Lynda Aiken, 44, assistente de comunicações. "Havia pessoas chorando e gritando que precisavam da nossa ajuda. Hoje, pudemos assistir à tempestade na televisão. Foi possível comer normalmente".

Quando o olho do furacão chegou à costa, a maior parte das cerca de 55 chamadas ao 911 (telefone de emergência nos EUA) foram motivadas por sistemas automáticos de alarmes ativados à falta de energia elétrica.

O respeito pela tempestade pôde ser avaliado pelo número de pessoas nos abrigos em Pensacola, que antes nunca tinham dormido em uma dessas instalações.

"Esta é a primeira vez que faço isso", disse Debra Crowley-Freeman, 47, pintora que aguardava na fila do café da manhã após ter dormido a noite em um corredor do centro cívico. "Eu fugi do Ivan. Decidi não correr de novo. Não encontramos um lugar para ficar e acabamos dirigindo por aí durante dois dias".

Eugene Lavern, aposentado de 61 anos que mora em uma comunidade de trailers, disse que nunca esteve em um abrigo e reclamou do fato de ter dormido no chão de concreto. "Não vejo motivo para eles não fornecerem camas de campanha", afirmou. "Sei que o governo tem mais dinheiro do que isso."

As autoridades dizem que a resposta relativamente calma ao Dennis pode ser atribuída em parte a sua chegada durante o dia. Os moradores entrevistados após o fim da ventania na tarde de domingo disseram estar aliviados pelo fato de a tempestade ter causado menos estragos que o esperado.

"Estávamos preparados para algo muito pior que isso", disse Steve Steinhauer, 43. "Até o último minuto, quando eles disseram que os ventos seriam de 190 km/h, não sabíamos o que esperar".

Nas praias, na noite de domingo, havia vários sinais do poder da tempestade. As ruas estavam cobertas de ramos de árvores e largas camadas de areia. O vento deslocou uma máquina de vender refrigerantes de um posto de gasolina e a virou de ao contrário. Em Gulf Breeze, na seção de uma loja Circle K, tudo o que restou após a passagem do Ivan, foi totalmente destruída. Barcos ancorados foram arrastados até as bordas da baía de Escambia.

Porém, em vários casos, era difícil determinar se os danos foram causados pelo Dennis ou pelo Ivan. Os maiores estragos parecem ter ocorrido nas áreas cujos edifícios ficaram vulneráveis há dez meses.

Na Praia de Pensacola, que sofreu os maiores danos comerciais na área, os andaimes das obras de renovação de um hotel caíram e esmagaram um centro de recepção a turistas. Na mesma rua, um trailer da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências foi virado pela força dos ventos. Do outro lado do Estado, em Cabo Canaveral, a contagem regressiva para o lançamento do ônibus espacial Discovery na próxima quarta-feira teve início à precisamente 18h. Autoridades da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa) se preocuparam com a possibilidade de a força do Dennis adiar a missão do ônibus espacial, a primeira desde o acidente com a Columbia, há dois anos. Queda da velocidade dos ventos, de 230 km/h para 190 km/h, evitou prejuízos de milhões de dólares em cidade da Flórida Danilo Fonseca

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