UOL Notícias Internacional
 

15/07/2005

Nasa ainda tenta resolver problema com sensor do ônibus espacial

The New York Times
Warren E. Leary e John Schwartz

em Cabo Canaveral (Flórida)
A Nasa ainda está tentando resolver um desconcertante problema com um sensor de combustível a bordo do ônibus espacial Discovery, anunciaram na quinta-feira (14/07) técnicos norte-americanos. Mas na próxima semana poderá novamente ser possível tentar colocar em órbita um ônibus espacial pela primeira vez desde o acidente com o Columbia.

A agência espacial reuniu 12 equipes de engenheiros de todo o país para
analisar o problema, que surgiu na quarta-feira, algumas horas antes do
lançamento. Os gerentes da missão deverão se reunir no final da sexta-feira para decidir se tentam fazer um conserto na plataforma de lançamento ou se levam o ônibus espacial de volta ao hangar para que seja realizado um trabalho mais minucioso.

A Nasa ainda deixou em aberto uma pequena possibilidade de lançamento no
domingo, às 14h14 (horário da costa leste dos EUA). Mas N. Wayne Hale, o
vice-gerente do programa do ônibus espacial, disse que as circunstâncias que permitiriam tal lançamento antecipado são tão improváveis a ponto de "não serem críveis".

"O único tipo de conserto que nos permitiria realizar o lançamento no
domingo ocorreria se, ao averiguarmos alguns fios, localizássemos uma
ligação desconectada", disse Hale em uma entrevista coletiva à imprensa no Centro Espacial Kennedy.

O problema é que um dos quatro sensores que detecta o nível de hidrogênio líquido no tanque externo do ônibus espacial estava fornecendo intermitentemente leituras corretas e falsas. Uma leitura incorreta poderia fazer com que o motor se desligasse. "Falhas transitórias intermitentes - esses são os piores tipos de defeitos para se localizar", afirmou Hale. Problemas similares surgiram anteriormente em outro tanque de combustível, mas os engenheiros acreditaram tê-los resolvido quando trocaram os tanques.

Michael Wetmore, que está gerenciando as medidas para o lançamento do ônibus espacial, disse que uma decisão quanto à data de lançamento se fará necessária em breve, já que as equipes que preparam a espaçonave não podem ser mantidas em tal estado elevado de alerta indefinidamente. Os técnicos disseram que por ora os sete astronautas do Discovery permanecerão no Centro Espacial Kennedy ao invés de retornarem para suas casas em Houston.

Hale disse que tais anomalias inexplicáveis e intermitentes são incomuns. Esta de agora é a primeira na tão adiada missão do Discovery. Mas quando ocorrem, deixam a todos perplexos, porque, ao contrário de um defeito visível, elas dificilmente podem ser consertadas rapidamente.

A Nasa tem até o final do mês para lançar o Discovery na sua missão de 12 dias e meio, antes que o lançamento tenha que ser transferido para setembro, o próximo período no qual as condições serão ideais. O Discovery estava a duas horas e meia do lançamento, na quarta-feira, quando surgiu o problema com o sensor.

Hale disse que o vôo provavelmente seria adiado de qualquer maneira devido ao tempo. Embora o céu estivesse claro acima do local de lançamento no horário previsto, ele disse que havia tempestades em uma área próxima, considerada de risco pelos coordenadores da missão.

John Logsdon, diretor do Instituto de Política Espacial da Universidade
George Washington, disse que o problema é que para nem todos os imprevistos de engenharia existe uma solução clara. "Há muitas áreas nas quais são feitas boas avaliações por parte dos engenheiros, que torcem para estarem certos. Neste caso, eles acharam que o problema tinha sido resolvido. Não creio que possamos culpá-los por essas avaliações. Mas o fato é que erraram", afirmou.

Os ônibus espaciais estão parados em terra desde que o Columbia foi
destruído em um acidente durante a reentrada na atmosfera, em 1º de
fevereiro de 2003, que resultou na morte dos seus sete tripulantes. Os
investigadores disseram que o desastre foi provocado por uma avaria causada por um pedaço de espuma de isolamento térmico que se desprendeu do tanque externo durante o lançamento, abrindo um buraco na asa do ônibus espacial. Eles afirmaram que a atitude relaxada de gerentes da Nasa quanto à segurança possibilitou que o problema deixasse de ser identificado. Danilo Fonseca

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