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20/07/2005

Sistema eleitoral superestima Estados pequenos

The New York Times
Sarah Vowell

Em Nova York
NYT Image

Sarah Vowell é colunista
Eu estive evitando o assunto. Neste verão, ainda tinha esperanças de abolir o Colégio Eleitoral. Mas tem feito tanto calor. Agora, estou querendo delegar a função. Talvez outras pessoas poderiam cuidar disso. Como os membros do Congresso ou Norman Lear.

A eleição presidencial de 2008 será, pelas minhas contas, daqui a pelo menos três anos. Mas estou preocupada com ela por ao menos três razões.

Em primeiro lugar, eu acabei de ler o ótimo suspense "Citizen Vince", a história de um rapaz no programa de proteção a testemunha, com uma subtrama que aborda a eleição presidencial de 1980. Foi quando eu percebi que, apesar de toda a lógica, eu não vejo a hora para votar de novo. "É um setimento bom", pensa o protagonista de Walter, no momento em que faz sua escolha na tenda eleitoral.

Segundo, a Associação Nacional dos Governadores, reunida em Des Moines, no Estado de Iowa, na semana passada. Tudo que eu precisei ouvir foram as palavras "governador" e "Iowa" para perceber que a campanha já havia começado e que eu deveria me acostumar com a improvável expressão "presidente Vilsack" [democrata de Iowa] ou com a expressão mais improvável ainda "presidente Pataki" [republicano de Nova York].

E, finalmente, toda a conversa fiada sobre a quantidade desproporcional de dinheiro do programa de contraterrorismo recebida pelo Estado de Wyoming lembraram-me do provável desastre causado pela indevidamente alta importância deste Estado se houver um empate no Colégio Eleitoral.

Eu preferiria não passar a próxima eleição da forma como passei a última: querendo saber o quanto deveria odiar o Estado de Ohio. Meu voto foi cancelado porque eu vivo mais no Estado de Nova York. Mas, como a cabeça crente dos cidadãos daquele Estado (um campo de batalha nas últimas eleições) não evoluiu, foram os votos deles que contaram. E eles escolheram o atual presidente dos Estados Unidos.

Ou, para ser mais precisa, no último dia 2 de novembro, eles escolheram os caras ricos, que não perdem uma festa, para serem os eleitores do Colégio Eleitoral. Em 13 de dezembro, foram esses caras que elegeram o presidente.

Mas há uma hipótese deprimente. Se nem John Kerry nem George W. Bush tivessem conseguido no Colégio Eleitoral os 270 votos necessários para vencer --o que foi uma possibilidade real-- a Câmara de Representantes teria escolhido o presidente.

O que está errado com isso? Quase nada --se todos os representantes de cada Estado pudessem votar. Mas, em uma contingência, cada Estado da União conta apenas um voto para a presidência.

Deixe-me repetir: um único voto.

Então, o meio milhão de pessoas que moram em Wyoming teriam o mesmo peso ao definir o próximo presidente que os 34 milhões de pessoas que vivem na Califórnia.

Qual é o problema social mais importante no Estado de Wyoming (onde 92% da população é branca)? Se as pessoas podem andar de snowboard no Parque Yellowstone. (Serei contra snowboard em Yellowstone --não porque sou ecologista, mas porque não sou "legal").

Sou a única nova-iorquina (ou californiana ou texana) que, quase nove meses após a eleição, ainda pode falar dos problemas de Ohio de uma forma minimamente detalhada? Que sabe que seus empregos foram para a China e que suas escolas foram pro inferno? Que Cleveland é a mais pobre grande cidade dos EUA?

Eu jamais vou esquecer o momento no último outono quando, uma hora após iniciado o terceiro debate entre os candidatos, John Kerry falou da estatística de que metade dos homens negros de Nova York estão desempregados.

Eu fiquei animada e curiosamente orgulhosa. Ei, pensei, ele nos mencionou! O candidato democrata finalmente percebeu que minha cidade também pode ser injusta com os negros. Toma essa, Cleveland!

Eu provavelmente poderei viver com o fato de que o Colégio Eleitoral não será abolido durante este ou qualquer outro verão pelo resto do século. Eu provavelmente poderei viver com campanhas cada vez mais concentradas em Estados como Iowa e New Hampshire (tornados importantes de forma irritante e arbitrária). E então Toledo, Toledo, Toledo nos próximos meses e anos [Toledo é uma das maiores cidades de Ohio].

Mas eu não posso viver com a equação de que Wyoming = California, com o regime de contingência de um-voto-por-Estado para definir o presidente na Câmara de Representantes.

Sei que esta é apenas uma regra procedimental. Não é tão dramática ou significativa quanto as confirmações da Suprema Corte. Este não é um terreno pantanoso como a guerra, que parece poder durar pelo resto de nossas vidas.

É exatamente por isso que este assunto é um problema agradável para discutir no meio de julho, anos antes da próxima eleição. É um problema superável.

Eu aposto que o senador Joe Biden sozinho poderia, entre uma viagem e outra, racunhar uma lei completa num guardanapo, que estipulasse que todos os votos da Câmara fossem contados num caso como esse. Se há empate, 500 mil pessoas podem valer mesmo que 34 milhões Alexandre Bigeli

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