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21/07/2005

Visita de Juiz empolga senadores republicanos

The New York Times
Sheryl Gay Stolberg*

Em Washington
Apresentando-se a Washington em seu primeiro dia integral como indicado para a Suprema Corte, o juiz John G. Roberts se juntou ao presidente Bush para o café da manhã na Casa Branca e posteriormente deu início ao seu delicado cortejo de senadores no Capitólio, obtendo louvores dos republicanos e uma recepção educada, apesar de cautelosa, dos democratas.

Stephen Crowley/The New York Times 
John Roberts (extrema esquerda) chega ao Capitólio com senadores republicanos
Foi um dia de apertos de mão e sessões de apresentação que se transformou no primeiro ato de um drama altamente orquestrado, que os republicanos esperam que pintará o novo indicado como uma história de sucesso americana com credenciais legais impecáveis.

O juiz fez seu debut às 7h30 da manhã, parecendo bronzeado e à vontade em um terno cinza carvão, enquanto permanecia ao lado de Bush no Jardim das Rosas da Casa Branca.

"Eu acabei de tomar uma xícara de café com o indicado e lhe disse que achei que as coisas tiveram um bom começo", disse Bush, acrescentando:

"Estou confiante de que os senadores perceberão o que percebi: nós temos sorte de ter um homem de tamanha sabedoria e força intelectual disposto a servir nosso país".

Mas a pompa foi rapidamente pontuada pela política do Capitólio, à medida que republicanos e democratas brigavam sobre quanta informação Roberts deverá fornecer durante suas audiências de confirmação.

A Casa Branca insistiu que o candidato deve poder se recusar a responder perguntas, enquanto os democratas pressionavam por acesso a memorandos legais redigidos por Roberts quando este trabalhou na procuradoria geral.

"Como o juiz Roberts escreveu relativamente poucos pareceres em sua breve passagem como juiz, suas opiniões sobre uma série de questões vitais ainda são desconhecidas", disse o senador Edward M. Kennedy, democrata de Massachusetts.

Fora do Capitólio, grupos de defesa conservadores e liberais passaram a quarta-feira se mobilizando a favor e contra a indicação. O Progresso para a América, o grupo conservador que prometeu gastar US$ 18 milhões para apoiar o indicado de Bush, postou um novo site na Internet, www.judgeroberts.com, exibindo democratas proeminentes saudando o juiz. Ele cita um advogado do ex-vice-presidente Al Gore descrevendo Roberts como "um advogado brilhante" e "um homem decente".

As organizações de mulheres, buscando destacar o papel de Roberts como advogado da Operação Resgate, um grupo de direitos antiaborto, promoveram um protesto.

Mas enquanto dezenas de mulheres marchavam, cantavam e acenavam cartazes de "Mantenham o Aborto Legal" sob o calor escaldante, Kim Gandy, a presidente da Organização Nacional das Mulheres, pareceu reconhecer que o grupo teria uma batalha colina acima.

"Obviamente, nós nos concentraremos em alguns senadores indefinidos", disse Gandy, quando lhe foi pedido que explicasse sua estratégia, "mas nós precisamos primeiro solidificar nossa base e assegurar que as pessoas que historicamente defenderam os direitos das mulheres e os direitos civis reconheçam o candidato como ele é".

Uma das maiores vantagens de Roberts é que ele é uma criatura de Washington, bem conhecido tanto por democratas quanto por republicanos na cidade. O senador John W. Warner, republicano de Virgínia, por exemplo, já trabalhou na Hogan & Hartson, a mesma firma de direito onde Roberts trabalhou antes de ser confirmado para o tribunal de apelação em 2003.

O senador saudou o juiz como um velho amigo na quarta-feira, quando o avistou no Capitólio, escoltado pelo senador Bill Frist do Tennessee, o líder da maioria.

"Eu vou fazer uma pequena declaração, colocar o que eu disse antes", Warner disse ao indicado, lembrando Roberts de que foi ele que o apresentou durante suas audiências de confirmação anteriores. Warner disse que tinha conversado com "alguns rapazes de Hogan" naquela manhã.

Roberts deixou escapar um sorriso. "Bem", ele disse, "não acredite em tudo o que eles dizem".

Foi um raro diálogo não roteirizado --Warner se recusou a deixar o corredor quando a polícia do Capitólio tentou liberá-la para a entrada do juiz-- em um dia que foi planejado cuidadosamente pela Casa Branca, ansiosa em apresentar seu candidato à nação e ao Senado segundo seus próprios termos.

O plano, supervisionado por Ed Gillespie, um ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, visa tirar pleno proveito do poder da presidência para ganhar atenção nacional, começando pelo discurso de Bush, televisionado no horário nobre na noite de terça-feira, apresentando Roberts como o primeiro indicado para a Suprema Corte em 11 anos.

As imagens resultantes --completas com os dois filhos pequenos do candidato brincando por perto enquanto o presidente falava-- ajudaram, segundo funcionários do governo, a passar uma imagem inicial de um homem de família realizado, modesto, que não poderia ser caricaturado pelos democratas como um ideólogo cuspidor de fogo.

Tal coreografia continuou quando Roberts chegou ao Capitólio por volta das 13h30, cercado por uma comitiva que incluía Fred Thompson, o ex-senador do Tennessee que foi convidado pela Casa Branca para ser o guia do indicado no Senado. Roberts deve voltar ao Capitólio na quinta-feira, para continuar seus encontros com os senadores.

Na quarta-feira, ele se encontrou privativamente com os dois líderes partidários, Frist, republicano do Tennessee, e Harry Reid, democrata de Nevada, assim como com o senador Arlen Specter, republicano da Pensilvânia, que é presidente do Comitê Judiciário, e o senador Patrick J. Leahy, o líder da bancada democrata no comitê.

"O Senado dos Estados Unidos está pronto para agir", declarou Frist. A dupla se sentou lado a lado, contra um fundo de livros legais e bandeiras americanas, flanqueado por Specter e o senador Mitch McConnell do Kentucky, o articulador republicano, que brincou com a rivalidade no basquete de Kentucky com Indiana, onde Roberts cresceu.

O próprio indicado ficou calado, exceto por três sentenças: "Eu aprecio e respeito o papel constitucional do Senado no processo de nomeação, e sou muito grato aos senadores por me acomodarem e me terem aqui hoje, no dia seguinte ao do anúncio da indicação. Eu sou muito grato por isto. Obrigado".

Reid se encontrou mais tarde com Roberts por cerca de meia hora, conversando cordialmente sobre o interesse comum deles em Lake Tahoe enquanto lhe pedia para ser franco e direto ao responder as perguntas do Comitê Judiciário, segundo assessores democratas.

"Bem-vindo ao lado democrata do Senado dos Estados Unidos", depois declarou Reid, com o indicado ao seu lado e com Thompson pairando no fundo, acrescentando que está esperando por uma conversa de "advogado para advogado".

Quão séria tal conversa será foi alvo de grande disputa entre democratas e republicanos na quarta-feira. A Casa Branca buscou cortar a mais provável linha de ataque democrata, insistindo publicamente que Roberts não deve ser obrigado a responder quaisquer perguntas sobre suas opiniões sobre temas controversos, como aborto, que provavelmente serão submetidas à corte.

"Isto significaria prejulgar casos antes de serem ouvidos", disse Scott McClellan, o porta-voz da Casa Branca. Ele disse que Bush não perguntou a Roberts suas opiniões sobre tais assuntos.

Mas os democratas contra-atacaram, cientes de que Roberts poderá mudar o equilíbrio na corte caso seja confirmado para ocupar a cadeira da ministra Sandra Day O'Connor, que está se aposentando.

"A única coisa em que estamos unidos é que o indicado tem que responder perguntas", disse o senador Charles E. Schumer, democrata de Nova York, "e nos dar fatos não apenas sobre seu currículo, mas sobre sua filosofia judicial e seus pontos de vista".

Pelo menos um poderoso republicano, Specter, deixou claro que acredita que Roberts deve falar sobre suas posições na manutenção de precedentes legais --uma linha de sabatina que poderá levar a perguntas sobre Roe contra Wade, a decisão da Suprema Corte que legaliza o aborto e os casos que se seguiram.

Specter, por exemplo, disse que considera legítimo perguntar a Roberts sobre sua linha de raciocínio em casos como Planned Parenthood contra Casey, que manteve Roe como precedente ao mesmo tempo em que refutava o argumento.

Mas quanta resposta deve ser exigida, disse o senador, "é algo que será preciso julgar no momento, à medida que prossegue. Não dá para dizer. Assim como a forma como ele lidará com ela, quanto direto ele será, quão completo".

Apesar de Specter ter se recusado a dizer se apoiará o indicado, ele disse: "Eu acho que é importante, especialmente para o presidente, manter a mente aberta". Outros republicanos rapidamente demonstraram apoio a Roberts.

Entre eles estavam John McCain, do Arizona, e Warner, ambos membros proeminentes da chamada "Gangue dos 14", o grupo bipartidário cujo compromisso evitou um confronto em maio em torno dos indicados para o Judiciário. O grupo dos sete democratas e sete republicanos planeja se reunir na manhã de quinta-feira; mas na quarta-feira, McCain e Warner encheram o indicado de elogios.

McCain disse que a indicação claramente não constitui "circunstâncias extraordinárias" --o limiar que o grupo concordou que possibilitaria uma obstrução, a tática parlamentar que os democratas usaram para bloquear algumas das indicações de Bush para tribunais de apelação. Mas sua avaliação provocou criticas de um importante democrata do grupo, o senador Ben Nelson de Nebraska.

"Todos precisam esfriar seus jatos sobre este assunto e deixar o processo transcorrer, sem prejulgar de uma forma ou de outra", disse Nelson. "Eu não sei como é possível tomar uma decisão antes de todo o processo ter se desenrolado."

*Colaborou Richard W. Stevenson, com reportagem. Democratas mantêm cautela sobre o indicado para Suprema Corte George El Khouri Andolfato

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