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22/07/2005

Escassez de recrutas deve fazer EUA elevarem limite de idade nas forças armadas

The New York Times
Damien Cave

Em Nova York
O Exército dos Estados Unidos disse a John Conroy em 8 de julho que não o queria, apesar de seu mestrado em administração e estado atlético de maratonista. Faltando pouco para ele completar 41 anos, ele é velho demais. Mas no próximo ano, Conroy poderá estar em um uniforme.

Stephanie S. Cordle/The New York Times 
John Conroy (dir.) tentou alistar-se, mas, por ter 40 anos, foi rejeitado apesar da forma
Com o Exército, a Reserva do Exército e a Guarda Nacional caminhando para não atingir as metas de recrutamento do ano, as forças armadas estão reconsiderando seus limites de idade para novos recrutas.

Permitir soldados mais velhos poderia ser oneroso em termos de benefícios, e há a questão espinhosa sobre se homens e mulheres mais velhos podem acompanhar o ritmo dos mais jovens. Mas muitos nas forças armadas argumentam que pessoas na faixa dos 40 anos estão em boa forma física e apontam que milhares de soldados de meia-idade já estão servindo no Iraque.

Na segunda-feira, o Pentágono apresentou documentos pedindo ao Congresso para que aumente a idade máxima para recrutas militares para 42 anos em todos os serviços armados. Atualmente o limite é 40 para pessoas sem serviço militar prévio que querem se alistar nas reservas e na Guarda Nacional, e 35 para aqueles que buscam serviço ativo.

Em uma audiência de um subcomitê da Câmara na terça-feira, David S.C. Chu, subsecretário de Defesa para pessoal e prontidão, disse que o aumento do limite de idade é uma das várias medidas necessárias para manter o recrutamento.

"Há um segmento da população que é mais velho mas que gostaria de servir", disse Chu na audiência, "e nós gostaríamos de fornecer tal abertura nos departamentos militares para usá-los como considerarem adequado".

Quando perguntado como o limite de 42 foi escolhido, a tenente coronel Ellen Krenke, uma porta-voz do Pentágono, disse na quarta-feira que isto colocaria a política de acordo com o recente medida que permite às forças armadas colocar em serviço ativo oficiais até esta idade.

Mesmo se o limite de idade for aumentado, ela disse que os marines e a Força Aérea planejam aceitar novos recrutas com idade até 35 anos.

A proposta, prevista para o orçamento da Defesa de 2006 que está pendente no Congresso, poderá aliviar ainda mais a dependência histórica das forças armadas de jovens recrutas. Em março, o Pentágono modificou sua política dos anos 60 que limitava novos recrutas a pessoas com menos de 35 anos, elevando o limite de idade para a Reserva do Exército e para recrutas da Guarda Nacional em cinco anos, para qualquer um com menos de 40 anos.

Outro aumento da idade, como outras idéias que estão sendo discutidas no momento --como o pedido da Guarda Nacional de expandir o número de imigrantes legais autorizados a se alistarem- adicionariam milhões de pessoas ao universo de candidatos potenciais das forças armadas.

Em um briefing do Pentágono na quarta-feira, o secretário de Defesa, Donald H. Rumsfeld, disse que as forças armadas estavam estudando quantas pessoas com 40 anos ou mais poderiam se alistar.

"Não é a única resposta", disse o tenente coronel Mike Jones, o vice-chefe da divisão de recrutamento e retenção da Guarda Nacional do Exército. "Mas nós tendemos a não atingir nossos números por pouco, em 10 ou 11%." Se pessoas mais velhas preencherem metade disto, ele disse, "talvez será bom para a América".

Conroy, um pai casado de dois filhos pequenos, disse que deseja assumir um novo desafio e retribuir ao país que o ajudou a ser bem-sucedido. Ele disse que ganha um salário de seis dígitos, tem casa própria, carros e não tem dívidas, de forma que é o momento perfeito para ele iniciar uma nova aventura significativa.

"Eu estou apenas interessado em servir meu país", disse Conroy em uma entrevista em Saint Louis, onde ele trabalha em informática. "Eu não tenho dívidas. Eu fiz tudo o que queria fazer."

No mínimo, elevar o limite de idade para 42 anos --uma escolha que alguns recrutas consideram tão arbitrária quanto 40-- abrirá as portas para pares.

Os números do Pentágono de 2004 mostram que cerca de 25% das 343 mil pessoas que servem na Guarda Nacional têm 40 anos ou mais. Entre os 25 mil membros da Guarda Nacional do Exército atualmente mobilizados, a maioria no Iraque, 3.952 têm mais de 50 anos.

"As pessoas vivem mais tempo atualmente, e as coisas mudaram desde o Vietnã", disse o general de brigada David Grange, ex-comandante da 1ª Divisão de Infantaria do Exército, que se aposentou em 2000. "A idade não deveria ser motivo para discriminação."

A primeira preocupação é a forma física. Vários candidatos interessados consideram o limite de idade desnecessário, dado que os testes já ministrados avaliam a capacidade física.

Mas alguns comandantes questionam se os soldados mais velhos conseguirão acompanhar o ritmo dos soldados mais jovens, particularmente à medida que envelhecerem ou quando forem enviados para o calor do deserto do Iraque ou para as altitudes elevadas do Afeganistão.

"É o fator de resistência, sua energia muscular", disse a tenente coronel Leah Sundquist, 42 anos, a comandante de recrutamento e retenção da Guarda Nacional de Oregon, que trabalhou como oficial de mobilização até dezembro. "É difícil, à medida que você envelhece, manter a resistência de um jovem em termos de calor, movimento rigoroso e equipamento que carrega."

Os custos potenciais também poderiam atrapalhar o plano. Daniel Goure, o ex-funcionário do Departamento de Defesa que atualmente é membro do Instituto Lexington, um grupo de pesquisa de política na Virgínia, disse que as forças armadas economizariam dinheiro ao não ter que pagar pelo ensino superior dos recrutas mais velhos e gastariam mais em visitas mais freqüentes ao médico. "Nós ainda não sabemos bem qual seria o impacto geral", disse ele.

Todavia, oficiais do Exército estão ansiosos em incluir pessoas como Conroy. Os homens da Guarda Nacional são soldados em meio expediente, como eles apontam, já acostumados a ter um executivo de 50 anos na mesma fileira que um soldado de 24 anos que acabou de deixar o serviço ativo.

Um oficial da Guarda que trabalhou em questões de recrutamento na Califórnia e que insistiu no anonimato porque não é autorizado a falar aos repórteres, disse que ficou incomodado ao ter que dispensar um caminhoneiro de 41 anos com diploma superior, que queria ceder sua experiência às forças armadas, e um advogado de 42 anos que queria ser um oficial de infantaria. Ambos os candidatos passaram no exame físico.

O general-de-divisão Gus Hargett Jr., comandante da Guarda Nacional do Tennessee, disse que recebeu cartas no ano passado de pelo menos dois homens que tinham cerca de 45 anos e tinham desejo de se alistar.

"Um dos homens corria maratonas", disse Hargett. "Nós temos que permitir que uma pessoa assim possa servir. Eu não sou a favor de redução dos padrões, mas nós devemos oferecer uma oportunidade de serviço a todos os americanos qualificados."

Recrutas mais velhos, alguns sugerem, poderiam ser adequados para policiar locais como Bagdá e Cabul. Rowe Stayton, 54 anos, um ex-piloto de caça F-15 que se alistou novamente em 2002 na Guarda Nacional do Exército, com crédito de mais de uma década de serviço anterior, disse que adicionar soldados com mais de 40 anos "acrescentaria maturidade e bom senso".

Uma noite em Bagdá, durante seu ano de serviço no Iraque, ele disse que um jovem soldado gritou contra um caminhão de iraquianos para pará-lo, liberando a trava de segurança de sua arma sem saber se o veículo representava uma ameaça.

"Eu lhe disse, não se preocupe, eles vão parar assim que nos virem", disse Stayton, que deixou a Guarda Nacional Aérea em 1987 como major. "Eram três iraquianos trabalhando para uma empreiteira americana, que estavam indo para casa após saírem do trabalho às 11."

Além de maturidade, disse Stayton, idade e escolaridade atraem respeito dos iraquianos. Atualmente em casa, em Denver, tentando reiniciar a prática de Direito, ele disse que mal pode esperar para ver mais soldados com cabelos grisalhos nas fileiras.

"Eu posso ver um batalhão de soldados mais velhos sendo formado no Iraque e operando em terra por um ano", disse ele. "Eu garanto que seria a unidade de combate mais eficaz lá. Eles conquistariam mais corações e mentes do que qualquer outra unidade lá." Americanos na casa dos 40 anos querem, mas não podem se alistar George El Khouri Andolfato

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