UOL Notícias Internacional
 

23/07/2005

Polícia britânica mata suspeito de envolvimento com atentados no metrô

The New York Times
Alan Cowell*

Em Londres
Um dia após as quatro tentativas de atentado a bomba no sistema de transporte de Londres, policiais perseguiram um homem no trem do metrô nesta sexta-feira (22/07) e o mataram a tiros à queima-roupa diante dos passageiros, disseram autoridades e testemunhas.

A polícia também disse na sexta-feira que fez uma prisão relacionada aos atentados de quinta-feira, em Stockwell, ao sul de Londres, a mesma área em que o suspeito foi morto a tiros. Posteriormente, a polícia de Birmingham disse que também efetuou uma prisão segundo as leis antiterrorismo, possivelmente ligada aos ataques em Londres, em uma estação de trem.

A morte ameaçou ofuscar os esforços da polícia para rastrear quatro homens procurados pelos ataques fracassados de quinta-feira, que lembraram o ataque mais sangrento ao metrô e ônibus de Londres em 7 de julho, quando quatro homens-bomba suspeitos de serem extremistas islâmicos mataram 52 pessoas e a si mesmos.

Em um dia em que a polícia revistou pelo menos três casas à procura dos suspeitos, as autoridades também publicaram fotos dos quatro procurados. Três homens foram exibidos em estações de metrô e um no andar superior de um ônibus de dois andares. Um vestia uma jaqueta preta com o nome "New York" estampado enquanto corria pelo corredor da estação.

Foi a segunda vez que a polícia publicou imagens de acusados. Uma imagem anterior mostrou os quatro terroristas de 7 de julho entrando na estação de Luton, ao norte de Londres. As quatro imagens de sexta-feira mostravam os acusados em locais separados. A polícia pediu que qualquer um que os reconheça alerte as autoridades, mas que não os aborde.

"Este é o maior desafio operacional já enfrentado pela polícia metropolitana", disse sir Ian Blair, o comandante da polícia, em uma coletiva de imprensa onde as autoridades policiais discutiram a morte a tiros e exibiram as fotos dos suspeitos.

"Os policiais estão enfrentando ameaças previamente desconhecidas e um grande risco. Nós precisamos da compreensão de todas as comunidades e da cooperação de todas as comunidades. Nós precisamos de calma."

Uma declaração da polícia disse: "O homem baleado na estação Stockwell ainda precisará ser identificado formalmente e não se sabe se é uma das quatro pessoas que estamos buscando identificar, cujas fotos foram divulgadas hoje".

"O homem que foi baleado estava sob vigilância da polícia porque saiu de uma casa que estava sob vigilância, por estar ligada à investigação dos incidentes de ontem (quinta-feira)", disse a declaração. "Ele então foi seguido pelos oficiais de vigilância até a estação. Sua roupa e seu comportamento na estação aumentaram a suspeita."

Sir Ian disse que o tiroteio está "ligado diretamente à crescente operação antiterrorismo em andamento".

"Eu preciso deixar claro que qualquer morte é profundamente lamentável", disse Blair em uma coletiva de imprensa. "Mas segundo meu entendimento da situação, o homem foi abordado e se recusou a obedecer às instruções da polícia. Eu não posso ir mais longe a esta altura."

Uma testemunha que estava sentada no trem do metrô da Linha Norte, na estação Stockwell, disse que o homem foi perseguido por policiais à paisana que dispararam cinco tiros à queima-roupa.

"Eu estava sentado no trem", disse Mark Whitby. "Eu ouvi muito barulho, pessoas dizendo, 'Saiam, abaixem'. Eu vi um sujeito asiático. Ele entrou correndo no trem, estava sendo perseguido por três policiais à paisana, um deles empunhando uma pistola preta. Ele tropeçou ligeiramente. Eles o empurraram contra o chão e basicamente dispararam cinco tiros neles."

Enquanto o homem entrava correndo no trem, Whitby disse à BBC. "Eu olhei para o rosto dele, ele meio que olhou para a esquerda e direita, mas basicamente parecia um coelho encurralado, uma raposa encurralada."

"Ele parecia absolutamente petrificado e então meio que tropeçou, mas eles estavam bem na cola dele", disse ele. Os policiais "não estavam a mais do que meio ou um metro atrás dele a esta altura, e ele meio que tropeçou, então foi empurrado para o chão e o policial mais próximo de mim tinha uma pistola automática preta na sua mão esquerda".

"Ele a apontou para o sujeito e descarregou cinco tiros nele", disse Whitby. Alguns relatos britânicos disseram que as roupas pesadas do homem podem ter persuadido a polícia a acreditar que ele estava carregando uma bomba suicida.

Na coletiva de imprensa, sir Ian disse estar ciente de que "há rumores correndo em Londres, mas apelo para que as pessoas escutem os fatos à medida que vierem à tona".

Segundo a polícia metropolitana, fatalidades em tiroteios policiais são relativamente raras em Londres. Entre 1997 e setembro de 2004, a polícia abriu fogo em 20 ocasiões, matando 7 pessoas e ferindo 11.

A estação Stockwell fica na mesma área ao sul do Rio Thames da estação Oval, um dos alvos dos ataques de quinta-feira. Duas linhas de metrô, as linhas Victoria e Norte, tiveram sua operação suspensa após a morte do suspeito, colocando novamente o sistema de transporte de Londres em um caos que os londrinos temem que será cada vez mais freqüente. Lorde Stevens, o ex-chefe de polícia, disse na sexta-feira que poderá levar "10 ou 20 anos" para colocar um fim à ameaça terrorista.

Os ataques também alarmaram os condutores dos trens de metrô de Londres, que transportam três milhões de passageiros por dia, que agora estão pressionando pela presença de uma equipe maior nos trens do metrô. Bob Crow, um líder do sindicato dos condutores, disse que o sindicato apoiará "qualquer um dos nossos condutores que se recusar a trabalhar" durante alarmes de terror.

Apesar dos londrinos terem gradualmente se habituado à presença de policiais armados nas ruas nos últimos anos --particularmente no clima de segurança ampliada desde os ataques de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos-- a idéia de um policial armado matando um suspeito diante da população ainda é chocante. Um debate no site do jornal "The Guardian", na sexta-feira, exibiu argumentos acalorados sobre a ação policial.

"Eu só espero que tenham atirado em um terrorista de fato", escreveu um colaborador.

O impacto da morte poderá ser ainda mais incendiário se investigações subseqüentes identificarem o homem como sendo muçulmano. "Esta operação visa criminosos", disse sir Ian, aparentemente rechaçando as acusações de que os muçulmanos estão sendo visados injustamente. "Ela não é voltada contra qualquer comunidade ou qualquer seção da comunidade."

Mas Nakib Islam, 19 anos, um estudante colegial muçulmano, disse: "Eu tenho medo de uma reação mais forte" contra os muçulmanos. Ele falou após um alerta falso de bomba em uma mesquita do leste de Londres.

"Nós todos temos que usar o metrô e pessoas com a minha aparência se tornam suspeitas. Eu nem uso mais minha mochila quando tenho que pegar o metrô por causa disto", disse ele.

Inayat Bunglawala, um porta-voz do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha, disse que os muçulmanos com os quais conversou nesta manhã estavam "apreensivos e nervosos".

"Nós estamos recebendo telefonemas de muitos muçulmanos que estão preocupados com o que pode ser uma política de atirar para matar", disse ele.

Os eventos também preocuparam os londrinos, que sentem uma nova vulnerabilidade após os ataques de quinta-feira.

Apesar de não ter havido vítimas diretas nas quatro tentativas de quinta-feira --quando os detonadores aparentemente falharam em detonar os explosivos caseiros em três trens do metrô e um ônibus-- alguns londrinos perguntaram por que as autoridades fracassaram em protegê-los de um atentado idêntico apenas duas semanas após o primeiro, em 7 de julho.

"Eu me pergunto por que Londres é diferente de Nova York e Madri --por que estão continuando aqui?" disse Patricia Mitchell, 35 anos, uma telefonista de central de atendimento.

"Eu me pergunto se é um alvo mais fácil. É como se Londres tivesse muito mais pessoas e muito mais transporte público. Mas estou completamente surpresa. Eu achei que seria um ataque contra Londres e então visariam outra cidade."

Na coletiva de imprensa de sexta-feira, Andy Hayman, um alto oficial de polícia responsável por operações especiais, deu o primeiro relato detalhado dos atentados fracassados de quinta-feira enquanto divulgava imagens dos quatro suspeitos. Ele disse que um dispositivo foi deixado em uma composição do metrô na estação Oval, aparentemente por um homem que embarcou uma estação antes, em Stockwell.

Um segundo dispositivo foi deixado no fundo do andar superior do ônibus Nº 26, no leste de Londres. Uma segunda imagem mostrou um homem no andar superior "vestindo uma camiseta cinza com o que parece ser um desenho de palmeira na frente, e uma jaqueta escura com boné branco de beisebol", disse Hayman.

Na terceira tentativa de atentado, um homem de roupa escura foi mostrado deixando a estação de metrô de Warren Street, enquanto na quarta um homem de camisa e calça escura é visto correndo para deixar o trem do metrô em um trecho de superfície da linha Hammersmith and City, na estação Shepherd's Bush.

Enquanto Hayman falava, policiais armados com gás lacrimogêneo e cães invadiam uma casa no oeste de Londres, na Harrow Road, perto de Shepherd's Bush. "Há dois novos endereços sendo invadidos por oficiais da Polícia Metropolitana ligados a esta investigação", disse Hayman.

*Colaboraram Jonathan Allen, Souad Mekhennet, Karla Adam, Hélène Fouquet e Pamela Kent com reportagem. Autoridades britânicas anunciaram prisão de outro suposto terrorista George El Khouri Andolfato

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