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27/07/2005

Como ocorreu na OEA, banco resiste a candidato a presidente apoiado pelos EUA

The New York Times
LARRY ROHTER

No Rio de Janeiro
Primeiro a Organização dos Estados Americanos, agora o Banco Interamericano de Desenvolvimento? Pela segunda vez em três meses, o governo Bush está enfrentando forte resistência na América Latina ao candidato que os Estados Unidos apóiam para chefe da organização regional.

Nesta quarta-feira (27/07), os governantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento, ou BID, se reunirão em Washington para eleger um presidente para suceder Enrique V. Iglesias, que está deixando o cargo após 17 anos.

Os Estados Unidos preferem Luis Alberto Moreno, o embaixador da Colômbia em Washington. Como Moreno é visto na América do Sul como um sendo demais do agrado dos americanos, o Brasil e seus vizinhos têm tentado mobilizar apoio a João Sayad, um economista e banqueiro brasileiro.

"No caso da OEA, o apoio americano revelou não ser de ajuda", disse Nancy Birdsall, diretora do Centro para o Desenvolvimento Global, em Washington, e ex-vice-presidente do BID. "O que torna esta votação particularmente interessante para os Estados Unidos e para a região é se a situação do BID será semelhante à da OEA."

Criado em 1959, o BID tem 47 membros e é uma das principais fontes de financiamento para infra-estrutura e projetos de desenvolvimento econômico e social na região. A cada ano, ele desembolsa mais de US$ 5 bilhões em empréstimos por toda a América Latina e Caribe com juros mais favoráveis do que os dos bancos comerciais, com o Brasil no topo da lista de empréstimos contraídos.

Para ser eleito presidente do banco, o candidato deve primeiro contar com o apoio da maioria dos 28 Estados membros do banco que fazem parte do continente americano. A maioria dos acionistas do banco também deve aprovar a escolha, portanto dando aos Estados Unidos, que são detentores de 30% do capital acionário do banco, poder virtual de veto.

Em uma rejeição aos Estados Unidos, a Organização dos Estados Americanos, pela primeira vez em sua história, escolheu um secretário-geral em maio que não foi apoiado inicialmente pelos americanos.

O governo Bush apoiou primeiro um candidato salvadorenho e depois um mexicano, antes de aceitar relutantemente Jose Miguel Insulza, um chileno apoiado pela mesma coalizão de centro-esquerda que está apoiando Sayad.

Os Estados Unidos parecem ter aprendido com a experiência e em vez de fazerem campanha pública por Moreno, ou mesmo apoiá-lo abertamente, estão trabalhando discretamente em prol dele. "O que você ouve é que os Estados Unidos não têm um candidato, mas Bush tem", disse Peter Hakim, presidente da Diálogo Interamericano, um importante instituto de análise política em Washington.

Moreno provou ser um agente político consumado em Washington, com um acesso ao Congresso e à Casa Branca que seria útil para qualquer presidente do BID.

Mas seu conhecimento de economia é limitado e ele também é um dos principais arquitetos dos US$ 4 bilhões em ajuda financeira e militar americana para a Colômbia, o que é visto com suspeita em algumas partes da América do Sul como sendo uma plataforma para futura intervenção americana.

Sayad, atualmente um vice-presidente do BID, é um ex-ministro do Planejamento, um presidente de banco e um professor de economia com doutorado em Yale. Mas ele não é muito conhecido fora do Brasil, e os esforços do governo brasileiro em prol dele não têm sido, segundo diplomatas e especialistas em desenvolvimento, tão vigorosos ou eficazes quanto a campanha de Moreno.

A situação se complicou ainda mais na semana passada, quando na última hora a Venezuela indicou Jose Antonio Rojas, que foi o ministro das finanças do presidente Hugo Chávez de 1999 a 2001.

Tendo tal associação na bagagem, Rojas não teria nenhuma chance de vencer, mas poderia roubar de Moreno os votos de alguns países caribenhos que se beneficiaram das dádivas de petróleo de Chávez. Brasileiro João Sayad concorre com indicado de Bush, Luiz Moreno George El Khouri Andolfato

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