UOL Notícias Internacional
 

27/07/2005

Ônibus espacial Discovery retorna para o espaço

The New York Times
John Schwartz e Warren E. Leary

Em Cabo Canaveral, Flórida
Com um rugido ensurdecedor que fez o ar tremer em um raio de quilômetros a sua volta, o ônibus espacial Discovery partiu na manhã desta terça-feira (26/07). O lançamento, às 10h39 com um céu assustadoramente azul, foi marcante para a Nasa, que trabalhou dois anos e meio para encontrar e sanar os problemas que levaram à perda da nave Columbia e sua tripulação de sete astronautas, em fevereiro de 2003.

Keith Meyers/The New York Times 
O Discovery decola da base de Cabo Canaveral, em missão prevista para o dia 13 e adiada por motivos de segurança
Nos momentos que antecederam a contagem final, cada um dos grupos responsáveis pela espaçonave dentro da Nasa autorizou a partida, terminando com N. Wayne Hale, vice-gerente do programa, que disse, "estamos liberados para lançamento".

O diretor de lançamento, Michael Leinbach, então falou à tripulação:

"Boa sorte, voltem logo e divirtam-se um pouco lá em cima."

Minutos depois, o ônibus subiu ao céu matinal em uma coluna de fogo e fumaça que espantou os pássaros em torno do Refúgio Nacional de Vida Silvestre de Merritt Island e ativou os alarmes dos carros no estacionamentos do centro espacial.

Membros da Nasa disseram que especialistas estavam estudando o que pareciam ser imagens de objetos caindo durante a subida, mas que era cedo demais para conhecer a seriedade da questão.

"Os responsáveis estão estudando essas imagens quadro a quadro", disse N. Wayne Hale, vice-gerente do programa. "Vamos conhecer sem sombra de dúvida a condição do sistema de proteção térmica antes da tripulação voltar para casa", disse ele.

Um astronauta que assistiu ao lançamento, David Wolf, admitiu em entrevista ter ficado engasgado. "Não há nada igual; não há nada igual no mundo."

"Esse lançamento me tocou mais" do que os outros, "depois do acidente, com a tensão e expectativa ainda maiores", disse ele. "Esse tempo todo, usamos nossas mentes técnicas para evitar a emoção. Mas ninguém foi capaz de se segurar depois que passamos com sucesso pela seqüência de lançamento."

A missão de 13 dias será atarefada para a tripulação. Quando a nave se aproximar da Estação Espacial Internacional, será examinada de perto pela tripulação da estação do comandante russo Sergei K. Krikalev e John L. Phillips, engenheiro de vôo americano, em uma manobra nova e um pouco arriscada.

O Discovery está carregando toneladas de suprimentos que terão que ser transferidos para a estação; dois anos e meio de equipamentos quebrados e lixo serão trazidos de volta pela nave.

A cerca de 180 metros da estação, Collins vai parar o ônibus espacial e executar uma pirueta difícil, para rodar o nariz de 100 toneladas do orbitador em 360 graus. Quando a popa do orbitador estiver de frente para a estação, a equipe desta tirará fotografias. Depois da manobra, que deve demorar oito minutos, o ônibus vai se atracar à estação, no terceiro dia de missão.

A tripulação do ônibus também tomará parte de uma inspeção adicional do sistema de proteção térmica, que usa o braço robótico do ônibus. Em terra, os controladores da missão vão avaliar uma grande quantidade de dados gerados pelas câmeras de lançamento e pelas inspeções em órbita. Pretendem assim ver se o ônibus sofreu danos e se os esforços que a Nasa fez para reduzir a queda de peças durante o lançamento foram eficazes.

Os passeios no espaço começarão no quinto dia da missão. Robinson e Noguchi farão três saídas, planejadas para levar seis horas e meia, nas quais testarão novas técnicas de reparo dos painéis protetores da espaçonave.

Eles vão instalar um giroscópio de controle na estação espacial, substituindo o que quebrou em junho de 2002, e restaurar a energia de outro que não funciona desde março. Eles também instalarão um grande armário de ferramentas fora da estação.

Durante os preparativos para o lançamento, que vararam a noite, não houve sinais de problemas nos sensores que prejudicaram a última tentativa de lançamento da Nasa.

Um problema no sensor do nível de combustível levou a Nasa a cancelar sua primeira tentativa de lançamento, no dia 13 de julho. Os sensores são importantes porque impedem os principais motores da espaçonave de rodarem vazios --uma situação que poderia destruí-los, com resultados potencialmente desastrosos para a nave e tripulação. Se dois sensores indicarem que o tanque está vazio, o motor é desligado.

Somente dois dos sensores precisam estar funcionando para monitorar adequadamente os níveis de combustível, mas as regras de lançamento da Nasa requerem que todos os quatro sensores estejam em operação.

Depois de estudar o problema de função por quase duas semanas, os engenheiros da Nasa decidiram que, se o sistema de combustível parasse de novo da mesma forma, eles poderiam aprovar o lançamento com apenas três sensores. Mas eles não precisavam ter tido essa discussão, porque os quatro sensores funcionaram perfeitamente.

A primeira dama, Laura Bush, foi ao lançamento, assim como o governador Jeb Bush e sua esposa e filha, Noelle Bush. O número de autoridades foi menor do que na tentativa de 13 de julho, quando 44 membros do Congresso dirigiram-se à Flórida. Membros das famílias dos astronautas mortos nos desastres da Columbia e da Challenger também estavam presentes.

A tripulação, a comandante Eileen Collins e seus seis colegas --o piloto James Kelly, o engenheiro de vôo Robinson, Soichi Noguchi, Andrew Thomas, Wendy Lawrence e Charles Camarda-- entrou na cabine às 7h17.

Durante a tentativa de julho, muitos dos membros da tripulação pararam diante das câmeras antes de entrar na cabine e, com cartazes enviaram mensagens silenciosas para familiares e amigos; desta vez, houve menos demonstrações, apesar de Camarda, do Queens, N.Y., levantar um sinal dizendo: "Oi, Pai."

Soichi Noguchi, do Japão, acenou e mostrou uma paródia da carta "saia da prisão de graça", do jogo Banco Imobiliário; dizia: "saia da quarentena de graça". Do outro lado dizia: "Saí para o lançamento". Ele então desenrolou um cartaz da Agência Japonesa de Exploração do Aerospacial.

"Hoje, a Mãe Natureza sorriu para nós, e acho que a tripulação do Columbia também sorriu", disse William F. Readdy, um dos administradores das operações espaciais, em uma entrevista coletiva.

"Temos uma dívida de gratidão com eles e suas famílias. A família inteira da Nasa tem", disse ele. EUA lançam a 1ª missão desde o desastre com a Columbia, em 2003 Deborah Weinberg

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