UOL Notícias Internacional
 

28/07/2005

Somali é preso por ligação com ataque a Londres

The New York Times
Mark Landler* e Elaine Sciolino

Em Londres
A polícia britânica prendeu um somali nesta quarta-feira (27/07) que seria um dos terroristas por trás da segunda onda de ataques na semana passada. O desdobramento foi o maior avanço na investigação do terror que abalou a cidade.

Determinados a prender o suspeito vivo, a polícia encontrou Yasin Hassan Omar, 24, residente no Reino Unido, antes do amanhecer em uma casa de tijolos em Birmingham. Ele foi dominado com uma pistola paralisante Taser, quando resistiu à prisão.

Novas evidências também emergiram na quarta-feira sugerindo que os planos talvez envolvessem mais ataques. Um policial americano disse que as autoridades britânicas envolvidas nas investigações dos atentados de 7 de julho tinham encontrado várias bombas montadas na mala de um carro na estação de trem em Luton. O carro tinha sido usado por alguns dos terroristas na manhã dos atentados para chegar na estação de trem, a caminho de Londres.

Um alto membro de inteligência européia confirmou que várias bombas e uma variedade de componentes foram encontrados no carro. "A polícia definitivamente encontrou material muito interessante", disse ele.

A existência de outras bombas também poderia indicar que os atacantes não estavam planejando missões suicidas. Ao prenderem Omar, dezenas de policiais de combate ao terrorismo e especialistas em bombas do Exército, alguns com armaduras blindadas, ocuparam o bairro multi-étnico da segunda maior cidade da Inglaterra, evacuando cerca de 100 residências da rua arborizada em que Omar ficava.

De acordo com testemunhas, a polícia chamou "Hassan, Hassan", antes de invadir a casa.

Ao anunciar a prisão, Peter Clarke, chefe de combate ao terrorismo da Polícia Metropolitana, disse: "Isso, é claro, é um desdobramento importante na investigação". Em uma coletiva conjunta com o primeiro-ministro espanhol Jose Luis Zapatero, o primeiro-ministro Tony Blair disse: "Ficamos muito satisfeitos com as operações de hoje."

Clarke também divulgou uma nova fotografia de um dos quatro suspeitos nos ataques frustrados, em pé, em um ônibus público. Ele disse que o homem tentou detonar uma bomba em um trem perto da estação de metrô Shepherd's Bush.

Acredita-se que o suspeito, depois das tentativas de ataques, nas quais as bombas não detonaram, tirou e jogou fora uma camisa de futebol azul escura. Com uma camiseta branca sem manga, ele pulou em um ônibus e foi até o final da linha. Daí, sua pista foi perdida, disse Clarke.

Na área de Shepherd's Bush, em Londres, três residentes reconheceram o homem na foto divulgada na entrevista de Clarke na televisão. Apesar de não saberem o nome do suspeito, achavam que era do Leste da África.

"Tenho 110% de certeza que é ele", disse Jose Monterio, 32, proprietário de um café, olhando para a foto. Anna Christina Fernanez, 29, outra vizinha, disse: "Sim, é ele. Agora tem um pouco mais de barba."

Durante o dia, a televisão britânica mostrou imagens assustadoras tiradas de uma reportagem da ABC News, de bombas que a polícia aparentemente encontrou no carro descoberto na estação de Luton, cinco dias depois dos primeiros ataques. A polícia conduziu nove explosões controladas dos mecanismos deixados no carro.

Uma imagem mostrou quatro bombas, três delas brancas, circulares como um queijo Camembert. Outra era uma imagem de raio-X de um mecanismo que parecia uma garrafa de leite cheia de pregos e conectada com uma carga explosiva. Um terceiro tinha o formato de um morteiro, também cheio de pregos e envolto em plástico.

Também foram apresentadas novas imagens da devastação de duas estações de metrô. A Scotland Yard ficou tão perturbada com as imagens da ABC que enviou um apelo forte às organizações de notícias para que as suprimissem.

"Estamos pedindo, nos termos mais fortes possíveis, que as organizações da mídia NÃO publiquem essas imagens ou outras não autorizadas, porque podem prejudicar tanto a investigação em curso quanto futuras ações legais", dizia, chamando-as de "imagens não autorizadas relacionadas à investigação e às cenas dos crimes de 7 de julho, em Londres".

Apesar da prisão de Omar, Clarke revelou que a polícia ainda não conhece a identidade de dois atacantes, e apelou novamente ao povo britânico para obter ajuda.

"Preciso enfatizar que, até que sejam presos, esses homens continuam sendo uma ameaça", disse Clarke. Milhares de policiais estão participando da investigação que, segundo o departamento, é a maior da história britânica, com buscas e prisões em todo o país.

Na noite de terça-feira, dois homens foram retirados de um trem que se dirigia para a estação de King's Cross, em Londres, pela polícia em Lincolnshire. Eles foram detidos sob o Ato de Prevenção ao Terrorismo, mas liberados no dia seguinte.

Um homem foi preso no Aeroporto de Luton, na quarta-feira, antes de embarcar para Nimes, no sul da França, e depois liberado. A polícia também fez uma busca em dois lugares no norte de Londres. Nenhuma prisão foi efetuada, apenas exames forenses.

Na noite de quarta-feira, a polícia prendeu três mulheres suspeitas de abrigar criminosos em um apartamento na área de Stockwell no sul de Londres.

Depois de preso, Omar, residente legal que chegou ao Reino Unido com 11 anos, foi imediatamente levado para uma delegacia de polícia de alta segurança em Londres, para ser interrogado. Três outros homens foram detidos em uma segunda casa em Birmingham e estão em uma delegacia de polícia próxima.

Além dos dois suspeitos não identificados, a polícia está procurando Muktar Said Ibrahim, cidadão britânico nascido na Eritréia, que também seria um dos atacantes nos atentados frustrados da semana passada.

A vizinhança em Birmingham onde Omar foi preso é etnicamente diversa, de comunidades unidas, de acordo com vários residentes entrevistados. Ninguém, porém, parecia conhecer Omar, e apenas um vizinho disse tê-lo visto uma vez.

"Há dois dias, vi quatro rapazes saindo. Eles não disseram nada; estavam barbeados, pareciam somalis", disse Naseed Riasat, 20, que trabalha no conselho da cidade.

Parminder Singh, proprietário de uma banca de jornal na rua de Omar, disse: "Ele não se misturava com as pessoas daqui. Aqui a sociedade é muito misturada, culturas diferentes, religiões diferentes."

Houve grande influxo de somalis em Birmingham nos últimos anos, muitos da Dinamarca e Holanda. Líderes muçulmanos disseram que a comunidade somali é particularmente unida, com suas próprias lojas e restaurantes, e um fervor religioso que supera o de outros grupos muçulmanos.

No entanto, alguns residentes disseram que os imigrantes somalis em geral eram mais isolados do que outros grupos. "Não temos muito contato com os somalis aqui", disse Naseem Ashiq, paquistanês. "Eles têm sua própria comunidade, nós temos a nossa."

A qualquer momento

Depois de matar o brasileiro Jean Charles de Menezes, acreditando ser um homem-bomba no metrô de Londres na última sexta-feira, a polícia usou um Taser para paralisar Omar com choques elétricos.

O governo britânico autorizou o uso de pistolas Taser pela polícia em setembro de 2004. As pistolas quadradas pretas e amarelas usam ar comprimido para lançar dois dardos, que levam fios elétricos. Elas liberam uma carga de 50.000 volts por cinco segundos, o suficiente para paralisar o suspeito com um curto circuito em seu sistema nervoso, causando contrações musculares incontroláveis.

Em uma ilustração clara de que o governo britânico está tentando voltar ao normal, apesar das investigações terroristas, Blair disse aos repórteres na quarta-feira que pretende sair de férias na próxima semana, conforme programado.

"Vocês sabem que, quando eu estiver fora --coisa que vou fazer, porque quero tirar um tempo com a minha família-- posso voltar em qualquer momento, se algo acontecer", disse Blair.

Blair também defendeu a decisão de seu secretário do interior, Charles Clarke, de entrar de férias, depois de ser forçado a adiá-las por 24 horas diante das críticas de que estava abandonando o país durante um momento de crise.

O secretário de relações exteriores, Jack Straw, também deve entrar de férias nesta sexta-feira. Parlamentares britânicos partiram na última quinta-feira para seu recesso de verão, de 80 dias.

*ContribuíramKarla Adam, Jonathan Allen, Helene Fouquet e Don Van Natta, de Londres, Souad Mekhennet, de Birmingham, e William K. Rashbaum, de Nova York. Suspeito de envolvimento nos atentados do dia 21 resisitiu à prisão Deborah Weinberg

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