UOL Notícias Internacional
 

29/07/2005

Danos na Discovery parecem reduzidos, diz Nasa

The New York Times
John Schwartz, em Houston, e

Warren E. Leary, em Washington
Os astronautas da Discovery trabalharam por seu segundo dia em órbita nesta quinta-feira (28/07), executando uma cambalhota orbital elegante e atracando na Estação Espacial Internacional. Na Terra, centenas de engenheiros avaliaram fotografias impressionantemente claras das peças protetoras delicadas da nave, para avaliar se esta tinha sofrido algum tipo de dano na decolagem que tornasse insegura sua volta para casa.

Nasa/The New York Times 
Imagem da Nasa mostra nave próxima da estação espacial
Até agora, eles não viram nada que ameaçasse a volta, apesar da análise ainda não estar completa.

Novos sensores de impacto nas laterais das asas do ônibus espacial, instalados depois do desastre da Columbia, em 2003, indicaram 11 possíveis golpes nas laterais.

Mas as inspeções destas não mostraram grandes danos, nada que constituísse clara ameaça, disseram as autoridades. "Este foi um grande dia no espaço", disse N. Wayne Hale, vice-diretor do programa do ônibus espacial.

No entanto, o anúncio de quarta-feira, de que os vôos da frota seriam suspensos, causou reações. A agência só retomará os vôos depois de determinar por que um grande pedaço de espuma caiu do tanque de combustível externo da Discovery, dois minutos após o lançamento na manhã de terça-feira.

Hale disse que tinha enviado mensagem eletrônica à tripulação confessando que estava "absolutamente mortificado pelo desempenho da espuma do tanque externo e que não haveria mais vôos" até que isso fosse consertado.

Os diretores da missão disseram à noite que uma análise mostrou que o pedaço de espuma isolante pesava 400g --mais da metade do peso de 760g do detrito que causou a perda da Columbia e ao menos três vezes mais do que a Nasa esperava ver cair do tanque, depois de dois anos e meio de modificações.

A equipe da Nasa ficou abalada na quarta-feira, quando descobriu que um grande pedaço de espuma tinha caído do tanque externo, apesar de dois anos e meio de esforços para impedir exatamente isso. Assim, foram suspensos todos os vôos até a resolução do problema.

O pedaço que se destacou foi capturado em imagens detalhadas pela nova série de câmeras instalada depois do desastre da Columbia. Ele não atingiu o orbitador e não impõe ameaça à Discovery ou a sua tripulação.

Em seus primeiros comentários públicos sobre o problema, Michael D. Griffin, administrador da Nasa, resumiu o incidente em uma declaração: "As câmeras funcionaram bem. A espuma não".

Em uma coletiva à tarde, responsáveis pela missão disseram que os engenheiros tinham identificado o descolamento de três outros pedaços de espuma de uma área próxima da origem do grande pedaço; o maior dos novos pedaços tinha aproximadamente 17cm por 5cm. Eles se destacaram do tanque cerca de 20 segundos após a queda do pedaço maior, quando a nave estava mais de 60 km acima da Terra, disse Hale.

Hale mostrou uma foto combinando vários quadros de vídeo para mostrar a trajetória do pedaço maior, que se moveu para a asa e depois mudou drasticamente de direção. "Ele provavelmente atingiu uma asa", disse, mas esse impacto não foi registrado pelos sensores, e nenhum dano foi detectado em qualquer outra inspeção da asa.

Uma inspeção na quinta-feira também mostrou que um dos cobertores resistentes ao calor que cobre o topo do orbitador (em vez das telhas que cobrem a parte inferior) tinha ondulado em mais ou menos 5 cm, mas ainda estava intacto --uma situação que não causa preocupação imediata, segundo os especialistas, porque o calor no topo do orbitador durante a volta para a atmosfera é de 315 graus Celsius, comparados com os terríveis 1.200 que a parte de baixo enfrenta normalmente.

"Este é um orbitador muito limpo", disse Hale.

Ele acrescentou que a Nasa estima ter havido uma redução de 80% nos golpes de espuma por causa das modificações no tanque.

Enquanto a atenção se voltava para os problemas associados ao seu lançamento, a Discovery e sua tripulação continuavam executando uma missão quase perfeita na direção da Estação Espacial Internacional.

A nave, guiada pela coronel Eileen M. Collins, comandante da missão, atracou na estação precisamente no horário, às 8h18, no horário de Brasília, enquanto a nave passava pelo Sul do Pacífico, a oeste do Chile.

Paul Hill, diretor de vôo da missão, disse em uma conferência com a imprensa no Centro Espacial Johnson que o encontro e atracação tinham sido "perfeitos".

Menos de duas horas mais tarde, depois de verificar as vedações e pressurizar o espaço entre a nave e a estação, os sete membros da tripulação encontraram o comandante da estação espacial, Sergei K. Krikalev, da Rússia, e seu engenheiro de vôo, John L. Phillips, dos EUA, a bordo do posto de pesquisa, tirando fotografias alegres, como se fossem turistas da mesma cidade encontrando-se em uma terra distante.

Phillips pendurou um sino de navio para dar as boas vindas à primeira tripulação do ônibus em dois anos e meio, e Krikalev ofereceu pão e sal, presentes tradicionais russos aos visitantes.

A união das duas naves foi precedida por um balé orbital incomum. Collins, que se aposentou recentemente das Forças Aéreas, e o piloto James Kelly, coronel das Forças Aéreas, fizeram uma cambalhota com o ônibus para permitir que a tripulação da estação tirasse fotos detalhadas da parte inferior do orbitador, em busca de danos. Collins disse que a manobra provou-se mais fácil do que muitas simulações que tinha praticado.

A Discovery deve passar oito dias atracada à estação. Nesse tempo, os astronautas conduzirão três passeios espaciais para testar técnicas de reparo dos escudos contra o calor, substituir um grande giroscópio, instalar novos equipamentos externos e coletar alguns experimentos.

Como os ônibus espaciais não serão mais utilizados até a resolução do problema da espuma, Hale disse que o programa está procurando formas de aproveitar ao máximo este vôo. É possível que isso inclua a transferência de mais suprimentos à estação, a remoção de maior número de equipamentos e outras medidas antecipando um tempo mais longo até a próxima visita.

Na Terra, no final da coletiva da tarde, Hale foi perguntado sobre o destino do pássaro atingido pelo tanque externo da nave durante o lançamento. Ele respondeu que, por sorte, o pássaro escorregou do lado do tanque oposto à nave e não foi um risco à Discovery.

Segundo Hale, o incidente foi especialmente surpreendente porque o pessoal do programa espacial sempre presumira que o estrondo do lançamento assustaria os pássaros, mas que "este cara não deixou a área", disse ele.

Hale acrescentou que os funcionários da Nasa quiseram saber qual era a espécie do pássaro, e que ele buscou seus restos, mas não encontrou nada. Nos retratos, "podemos ver claramente ele virando pluma -não sei se jamais saberemos", disse ele, e fez uma careta. A equipe da nave é recebida pelo comandante da estação espacial Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host