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29/07/2005

Governador Pataki diz que não tentará 4º mandato

The New York Times
Michael Cooper

Em Albany, Nova York
O governador George E. Pataki declarou que Nova York "é um Estado melhor do que era 10 anos atrás" enquanto anunciava aqui, na quarta-feira (27/07), que não concorreria ao quarto mandato como governador em 2006, para "seguir um novo caminho, encontrar novos desafios".

Pataki --que enfrentaria uma batalha colina acima caso decidisse tentar a reeleição, a julgar pelas pesquisas de opinião-- não disse durante o breve discurso no Capitólio se tal novo caminho incluiria uma possível disputa pela presidência em 2008.

Vários associados disseram que estão pedindo para que ele concorra à presidência, e seu anúncio foi cuidadosamente arranjado visando uma nova audiência nacional.

Um governador por três mandatos cujos 10 anos e meio no cargo o tornaram o governador que mais tempo ocupou o cargo no país, Pataki usou o discurso para se apresentar novamente.

Ele começou conjurando a imagem de seu pai, um bombeiro voluntário, combatendo chamas, e notando rapidamente que seu pai foi um agricultor, como fez em uma recente viagem a Iowa, que associados disseram ter servido como um teste para a candidatura presidencial.

Ele falou sobre redução de impostos, bem-estar social e criminalidade, e brevemente sobre "os dias sombrios de 11 de setembro". E falou sobre sua família, que estava sentada na primeira fila.

"Com orgulho de nossos feitos, entusiasmo perene pelo futuro de Nova York e gratidão sincera a sua população, eu estou anunciando que não disputarei outro mandato como seu governador", disse Pataki, lendo os comentários de um teleprompter montado diante de uma réplica de 2,46 metros do Emblema do Estado e uma fileira de bandeiras dos Estados Unidos e do Estado de Nova York.

Seu discurso foi transmitido ao vivo por algumas emissoras locais de Nova York e para duas telas gigantes em um saguão ornamentado do Capitólio, para que os funcionários públicos pudessem assistir, mas não foi transmitido ao vivo por qualquer canal nacional de notícias de cabo.

Ascensão democrata

O anúncio do governador anunciou uma nova era em Albany. Pataki inevitavelmente não terá grande poder político no próximo ano e meio, e o anúncio colocará pressão sobre o Partido Republicano para encontrar um candidato viável para o governo estadual em 2006. O procurador-geral Eliot Spitzer, o democrata que está liderando as pesquisas, é visto por muitos republicanos como difícil de ser derrotado.

Para associados próximos de Pataki, seu anúncio deu início a uma nova fase, mais intensa, de pensamento sobre a candidatura à presidência, e tudo o que isto acarreta. Muitos analistas políticos dizem que ele seria um azarão, pois o apoio de Pataki aos direitos de aborto e controle de armas dificultariam sua vitória nas primárias republicanas, cujos eleitores tendem a ser os mais conservadores do partido.

Mas o deputado Thomas M. Reynolds, um republicano do interior do Estado, próximo do governador, notou que Pataki desafiou repetidas vezes as expectativas políticas no passado e disse estar encorajando-o a explorar a candidatura. "Se George Pataki puder estar na sala de estar de cada pessoa, ele as conquistará", disse Reynolds.

E Charles A. Gargano, o presidente da Empire State Development Corp. e um associado do governador, disse que ele também espera que Pataki concorra. "Eu acho que ele certamente seria um grande presidente, mas a decisão é dele", disse Gargano. "Eu acho que ele tem um bom retrospecto para apresentar, e eu acredito em seu estilo de liderança. Ele é um homem muito inteligente e muito compassivo, e acho que é isto o que o povo dos Estados Unidos deseja."

Pataki convidou alguns de seus maiores doadores de campanha e simpatizantes para um jantar no Water Club, em Manhattan, na quarta-feira. Apesar de assessores a terem descrito como uma noite para o governador agradecê-los por sua ajuda ao longo dos anos, alguns políticos notaram que isto visava manter as linhas de comunicação abertas, caso ele comece a levantar fundos para uma campanha nacional.

Enquanto os associados do governador consideravam o futuro dele, alguns republicanos de Nova York se preocupavam com o futuro do partido. Os democratas aumentaram sua vantagem de filiação em Nova York durante o governo de Pataki e agora superam os republicanos em mais de cinco para três.

Os republicanos no Senado estadual perderam três cadeiras no outono passado, e a perda de mais cinco em 2006 lhes custaria a maioria. A senadora federal Hillary Rodham Clinton é considerada difícil de ser derrotada em sua campanha de reeleição de 2006, e o cofre de campanha de Spitzer já tinha mais de US$ 12 milhões na última contagem.

O governador buscou tranqüilizar os muitos republicanos em uma teleconferência com os republicanos do Senado estadual, que já estão preocupados com a manutenção da maioria.

Ele lhes disse que sua maior prioridade era encontrar um forte candidato republicano para a disputa do governo estadual, dizendo que entende o quão importante é para eles ter uma forte chapa em 2006. Ainda assim, alguns legisladores disseram depois que estão intranqüilos.

O crepúsculo da era Pataki teve início na noite de terça-feira, quando o governador convocou duas dúzias de seus principais simpatizantes até a mansão do governador e lhes disse que não concorreria. Um assessor do governador disse que o anúncio foi planejado por quase uma semana, mas que foi mantido em segredo entre meia dúzia de pessoas.

O assessor disse que, como muitos acreditavam, o governador estava inclinado desde o início a não concorrer, mas que manteve a mente aberta em parte porque muitos de seus amigos e simpatizantes estavam pedindo para que concorresse novamente.

Repercussões

O quanto a decisão do governador de não disputar a reeleição mudou o clima político em Albany ficou imediatamente evidente pelos elogios feitos a ele por alguns dos principais democratas do Estado.

O presidente da Assembléia, Sheldon Silver, um democrata que brigou com freqüência com Pataki no passado, emitiu uma declaração dizendo que o governador "serviu a população do Estado de Nova York com dignidade e com uma firme resolução de fazer a diferença em nossas vidas". (Silver também renovou seus pedidos para que o Estado cumpra a ordem judicial para que gaste mais nas escolas públicas da cidade de Nova York --uma questão que no passado causou divisão entre ele e Pataki.)

Spitzer elogiou o governador --não mais um rival potencial-- como "um servidor público dedicado". O auditor-geral do Estado, Alan G. Hevesi, um democrata que tem enfrentado Pataki nos últimos dias em uma série de questões, divulgou uma declaração dizendo: "Eu cooperei com o governador Pataki e discordei dele em algumas questões, mas não há dúvida de sua dedicação ao serviço público."

Sem causar surpresa, os republicanos estavam cheios de elogios. O líder da maioria no Senado, Joseph L. Bruno --que assumiu o controle do Senado com a ajuda de Pataki mas posteriormente se opôs ao governador repetidas vezes em orçamentos e outras medidas-- chamou Pataki de "um dos governadores mais ilustres na história do Estado de Nova York".

O ex-prefeito de Nova York, Rudolph W. Giuliani, que muitos também esperam que explorará uma candidatura para a indicação presidencial republicana, emitiu uma declaração chamando Pataki de "um grande parceiro e amigo, especialmente após o 11 de setembro".

O atual prefeito de Nova York, Michael R. Bloomberg, que ao longo dos anos às vezes se viu em desacordo com Pataki, disse: "Este Estado teve muito sorte em ter George Pataki".

Entre os rumores que correram quando o governador convocou seus simpatizantes a Albany, na noite de terça-feira, estava o de que renunciaria antes do fim de seu mandato.

Ele negou isto na quarta-feira, dizendo a outras autoridades em conversas privadas que espera realizar muito pelo Estado no ano e meio restante de seu mandato. Ele encerrou seu discurso dizendo: "Não vamos desperdiçar nenhum dia --vamos voltar ao trabalho". Político republicano pode disputar a presidência dos EUA em 2008 George El Khouri Andolfato

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