UOL Notícias Internacional
 

30/07/2005

Quatro suspeitos de ataque a Londres são presos

The New York Times
Alan Cowell*

Em Londres
As polícias de Londres e Roma prenderam nesta sexta-feira (29/07) quatro suspeitos de tentarem explodir trens de metrô e um ônibus em Londres no dia 21 de julho.

Em Londres, policiais com armaduras blindadas, alguns com máscaras de gás e máscaras de esqui e rifles automáticos, invadiram dois apartamentos no oeste de Londres e prenderam três homens.

Pouco tempo depois, o ministro do Interior italiano disse em Roma que a polícia havia prendido um somali com cidadania britânica, identificado pelos italianos como Osman Hussain.

Em declaração, o ministro Giuseppe Pisanu disse que o homem era "o quarto atacante do dia 21 de julho em Londres", sugerindo que todos os quatro suspeitos dos ataques, identificados por câmeras de circuito fechado, tinham sido presos. Mas a polícia britânica não confirmou o fato explicitamente.

Também não ficou claro se haveria mais um terrorista no dia 21, como foi sugerido por investigadores depois da descoberta de um quinto pacote abandonado de explosivos.

Peter Clarke, chefe da polícia de combate ao terrorismo de Londres, disse que um homem detido em Tavistock Crescente, no oeste de Londres, seria questionado em relação às tentativas de 21 de julho. Clarke não se referiu a ele especificamente como o quinto atacante.

Em um projeto habitacional chamado Peabody Buildings, dois homens foram detidos, disse Clarke. Um deles era Ibrahim Muktar Said, aparentemente o mesmo homem que tinha sido procurado sob o nome de Muktar Said Ibrahim pela tentativa de explodir uma bomba em um ônibus no leste de Londres.

O segundo homem preso no local foi identificado como Ramzi Mohamed, disse Clarke. Este nome ainda não tinha sido divulgado. Clarke também confirmou que a polícia italiana tinha prendido um suspeito, mas deu o nome de Hussain Osman.

Dois dias atrás, outro suspeito, Yasin Hassan Omar, foi detido em Birmingham, elevando o total de presos em conexão com os atentados fracassados a cinco.

"A investigação foi rápida, mas continuará", disse Clarke. "A atividade policial será mais visível." Ele indicou que não acreditava que as células terroristas tinham sido destruídas.

"Não devemos ser complacentes", disse ele. "A ameaça permanece e é muito real."

A declaração de Roma foi a primeira indicação de que um suspeito tinha chegado até a Itália. Após os atentados fracassados de 21 de julho, houve informações não confirmadas de que um terrorista tinha fugido para a Bélgica ou Holanda.

Outros informes revelaram que o suspeito tinha deixado a Inglaterra nos últimos dois ou três dias e tinha ido para Paris e Milão. Seu destino tinha sido identificado quando ligou para um cunhado que mora em Roma por telefone celular.

O anúncio de Roma, porém, deve gerar questionamentos sobre como um terrorista suspeito teria conseguido sair do Reino Unido sem ser detectado, particularmente após suas imagens terem sido divulgadas ao público no dia seguinte aos ataques.

A atividade policial de sexta-feira nas ruas de Kensal Green e Wesbourne Park gerou imagens que se tornaram familiares nesta cidade sob cerco desde o primeiro ataque do dia 7 de julho --ruas isoladas e moradores fugindo das casas, enquanto a polícia invade casas aparentemente comuns em zonas tranqüilas. As pessoas, expulsas de suas casas no final da manhã, saíram de pijamas, levando crianças, sapatos e roupas.

Duas mulheres não identificadas foram presas sob as leis anti-terrorismo na estação de Liverpool Street, segundo a polícia. A área em torno da estação foi isolada depois que uma delas recusou uma ordem da polícia de abrir a bolsa e tentou fugir, disseram testemunhas.

No oeste de Londres, houve explosões, possivelmente de granadas, enquanto a polícia se aproximava. Ao menos um suspeito foi levado algemado e coberto por uma túnica branca para impedir a perda de evidências forenses.

Atiradores da polícia usando rifles com miras telescópicas assumiram posições em torno dos apartamentos onde ocorreram as prisões. As ações policiais foram organizadas rapidamente, provavelmente depois de informantes responderem a apelos cada vez mais desesperados da polícia por informações que levassem aos suspeitos.

A televisão mostrou a polícia mandando um homem, que chamou apenas de Mohammed, tirar a roupa e se entregar.

"Você precisa fazer o que mandamos", gritou a polícia. Clarke disse aos repórteres que os dois homens tinham se recusado a se entregar e então "foram utilizadas táticas especiais".

Paul Carroll, 35, pintor e decorador, podia ver a frente de um dos apartamentos invadidos pela polícia. "Os policiais cobriram a porta com uma espécie de fita colante e a explodiram. Eles atiraram gás lacrimogêneo pelas janelas. Então ouvi um policial gritar 'Mohammed, saia com as mãos para cima'", disse Carroll.

"Cerca de 45 minutos depois de explodirem a porta, a polícia retirou dois homens que pareciam somalis, um com 20 e poucos anos, cabelo curto, barbeado; outro de 40 anos", disse ele, falando ao repórter pelo telefone celular enquanto os eventos aconteciam.

A televisão mostrou dois homens, aparentemente nus, em uma varanda de um apartamento, rendendo-se à polícia. Em um momento crucial da prisão, duas meninas saíram de um apartamento vizinho, curiosas com o cão da polícia, e foram afastadas por um policial armado.

O breve cerco lembrou os eventos do ano passado na Espanha, quando a polícia aproximou-se dos terroristas que haviam explodido os trens em março de 2004, matando 191 pessoas. Os suspeitos detonaram a si mesmos em um apartamento. No entanto, aparentemente não havia explosivos nos apartamentos.

Há dois dias, a polícia de Birmingham prendeu Yasin Hassan Omar, somali de 24 anos identificado em imagens de câmeras de circuito fechado na cena de um ataque fracassado na estação de Warren Street no centro de Londres.

Os ataques frustrados ocorreram apenas duas semanas após os atentados de 7 de julho, que mataram 56 pessoas, inclusive os quatro terroristas.

Ibrahim tinha sido citado antes como um dos quatro suspeitos. Cidadão naturalizado britânico nascido na Eritréia, ele é acusado de tentar explodir um ônibus da linha 26 no leste de Londres. Ibrahim, 27, chegou ao Reino Unido com sua família quando tinha apenas 11 anos e estabeleceu-se no noroeste londrino.

Omar e Ibrahim dividiam um apartamento em um projeto habitacional no norte de Londres, chamado Curtis House, que a polícia ocupou após os atentados fracassados.

Sir Ian Blair, chefe de polícia de Londres, disse que os terroristas naquele dia tinham feito um único erro que impediu seus explosivos de detonarem com os mesmos resultados dos ataques de 7 de julho.

A área em Londres onde ocorreram as prisões de hoje fica próxima a um parque onde a polícia encontrou explosivos abandonados, após os ataques de 21 de julho.

Nos últimos dias, a polícia fez uma série de incursões em várias partes de Londres, inclusive projetos habitacionais no sul da cidade, buscando familiares e colegas de um dos atacantes.

A caça, porém, também fez mais uma vítima, um eletricista brasileiro de 27 anos, Jean Charles de Menezes, morto pela polícia na sexta-feira, que disse tê-lo confundido com um homem-bomba.

Nina Wilson, funcionária de supermercado de 18 anos que mora perto do apartamento onde foram feitas as prisões, disse que um dos apartamentos invadidos pela polícia era habitado por "dois ou três homens que pareciam somalis com 30 e poucos anos".

"Toda vez que eu os via, estavam vestindo as roupas azuis de motorista de ônibus. Eram muito amigáveis", disse ela.

David Clouden, motorista de ônibus de 40 anos, também viu a polícia levando um "homem negro, um jovem somali. Reconheci-o, ele trabalha na estação de ônibus local --Westourne Park. Ele vestia um uniforme do London Transport --jaqueta azul com capa fluorescente amarela". Outras testemunhas disseram que o motorista pode ter levado a polícia ao apartamento dos suspeitos.

*Contribuíram Jonathan Allen e Souad Mekhennet, de Londres, e Elisabetta Povoledo, de Roma. Um deles foi preso em Roma, o que indica que policiamento é falho Deborah Weinberg

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