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02/08/2005

Bush dribla Senado e nomeia Bolton para a ONU

The New York Times
Elisabeth Bumiller e Sheryl Gay Stolberg

Em Washington
O presidente Bush contornou o Senado nesta segunda-feira (1/8) e nomeou John R. Bolton embaixador dos EUA junto à Organização das Nações Unidas. Fazendo fortes objeções, os democratas disseram que o presidente estava abusando do poder e minando a credibilidade americana.

Doug Mills/The New York Times 
Para oposição, o estilo agressivo de Bolton desqualifica-o para o posto de embaixador
Em breve anúncio na Sala Roosevelt da Casa Branca, Bush disse que foi forçado a agir dessa forma, porque os EUA tinham passado seis meses sem um embaixador na ONU, cuja Assembléia Geral reunir-se-á no próximo mês. Pela primeira vez desde 1948, o embaixador dos EUA na ONU foi nomeado por um procedimento citado na Constituição como nomeação de recesso.

"Esse cargo é importante demais para deixar vago por mais tempo, especialmente durante uma guerra e um debate vital sobre a reforma da ONU", disse Bush, com Bolton a sua direita e a secretária de Estado Condoleezza Rice a sua esquerda.

"Por causa da estratégia partidária de adiamento de meia dúzia de senadores, John não teve a votação que merecia", disse o presidente.

Bolton, protegido do vice-presidente Dick Cheney, é combativo e extrovertido. O presidente disse que o enviava para Nova York com "total confiança" e que é um homem que "acredita apaixonadamente nos objetivos da Carta das Nações Unidas, de avançar a paz, a liberdade e os direitos humanos". Bolton permanecerá no cargo até a próxima mudança no Congresso, no final de 2006.

A nomeação pôs fim a um impasse de cinco meses entre a Casa Branca e os senadores democratas que adiaram a confirmação de Bolton no cargo depois que o antigo sub-secretário de Estado para controle de armas foi acusado de manipular dados de inteligência para que se adequassem a sua doutrina e de intimidar seus subordinados.

Os democratas também ficaram irritados com a recusa da Casa Branca de entregar documentos relacionados à atuação de Bolton no Departamento de Estado e com seus comentários cáusticos sobre a ONU nos últimos anos. Em certa altura, Bolton disse que vários andares da sede poderiam ser eliminados sem que ninguém percebesse.

Em suas observações, Bush culpou as "táticas de adiamento partidárias de meia dúzia de senadores" pelo impasse. Os democratas, porém, retrucaram que a meia dúzia era de ao menos 43, inclusive dois republicanos. "E estava crescendo. Poderíamos ter tido mais pessoas, se tivéssemos votado", disse o senador Christopher J. Dodd, democrata de Connecticut, que liderou a oposição do Senado a Bolton.

O senador Harry Reid, líder democrata de Nevada, caracterizou a medida de Bush como "o mais recente abuso de poder da Casa Branca de Bush". O senador Frank Lautenberg, democrata de Nova Jersey, disse em uma declaração que "enquanto o presidente prega a democracia pelo mundo, ele deturpa as regras e dá uma volta na vontade do Congresso", em casa.

Mas o líder da maioria no Senado, Bill Frist, republicano do Tennessee, aplaudiu a nomeação. "O presidente fez a coisa certa, enviando Bolton à ONU", disse em declaração. "Ele é um candidato inteligente, de princípios e direto, que representará bem o presidente e os EUA no palco mundial".

O senador George V. Voinovich, republicano de Ohio cuja oposição a Bolton catalisou a recusa do Senado em confirmá-lo, disse em declaração que pretende enviar a Bolton uma cópia do livro "The Heart and Soul of Effective Management" (O Coração e a Alma da Administração Eficaz), de James F. Hind, que usou em sua carreira política. "Espero que Bolton leia o livro e o coloque em prática", disse Voinovich na declaração.

Por semanas, o governo deu sinais de que Bush ia usar a nomeação de recesso para levar Bolton à ONU. A medida permite que o presidente preencha cargos vagos quando o Senado está em recesso, como acontece no mês de agosto. Bolton é de longe a mais alta autoridade que Bush nomeou dessa forma. Antes dele, Bush tinha nomeado 105 outros servidores, muitos deles juizes.

Altos membros do governo disseram sobre a nomeação de Bolton por essa via tinha gerado questionamentos internos, pois o candidato sairia enfraquecido com as críticas do Congresso e ainda permaneceria menos de um ano no cargo.

Outros, porém, disseram que Bush estava determinado a enfrentar o Congresso e fazer uma demonstração de força e que seu comentário de que o estava enviando para Nova York com "total confiança" era um sinal de que contava com o apoio integral da Casa Branca.

Ao lado de Bush, Bolton disse que os EUA querem que a ONU seja "uma organização mais forte, mais eficaz, verdadeira aos ideais de seus fundadores e ágil o suficiente para operar no século 21". Agressividade do protegido do vice-presidente Cheney é criticada Deborah Weinberg

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