UOL Notícias Internacional
 

02/08/2005

Estudo descobre tendência ao preconceito racial

The New York Times
Benedict Carey

Em Nova York
Sejam quais forem suas atitudes em relação à raça, as pessoas percebem e reagem a diferenças raciais quase instantaneamente, muitas vezes de maneiras sutis que os psicólogos ainda não compreendem totalmente.

Em um estudo divulgado na semana passada, pesquisadores das Universidades Harvard e de Nova York descobriram em um experimento em laboratório que a visão de uma pessoa desconhecida de outra raça pode provocar uma reação mensurável no sistema nervoso, que provavelmente reflete tendências inconscientes, assim como uma cautela natural em relação a membros de grupos não familiares.

O efeito foi igualmente forte em americanos brancos e negros, e praticamente ausente nas pessoas de ambas as raças que tinham experiência de namoro inter-racial.

O estudo, que foi publicado na revista "Science", é um dos primeiros a aplicar uma medição direta de estimulação nervosa a relações entre raças, segundo especialistas.

"Este é um ótimo primeiro estudo, e levanta questões fascinantes sobre preconceito e sobre namoro, e o que é responsável pelo efeito positivo deste", disse Susan Mineka, professora de psicologia na Universidade Northwestern, que não participou da pesquisa.

No experimento, os pesquisadores fizeram 37 nova-iorquinos negros e 36 brancos olharem para uma série de fotografias de rostos negros e brancos, todos com expressões neutras. Os pesquisadores davam um choque fraco no pulso dos participantes cada vez que eles olhavam para um determinado rosto negro e para um determinado rosto branco.

Repetindo o processo diversas vezes, os psicólogos encontraram aumentos na atividade das glândulas sudoríparas dos participantes cada vez que se mostrava um dos rostos associados aos choques.

Quando os psicólogos pararam de aplicar choques, porém, descobriram uma clara diferença de adaptação: os participantes brancos do experimento quase imediatamente perdiam sua reação reflexa ao rosto branco, mas mantinham sua reação nervosa ao negro, mesmo depois de seis olhares sem choques.

Os participantes negros exibiam um padrão semelhante, mantendo uma reação nervosa ao rosto branco mas não ao negro. Os que relataram ter namorado membros da outra raça perdiam suas reações nervosas muito mais rapidamente.

A reação nervosa intensificada que se verificou no estudo provavelmente não se baseia em percepções de raça em si, que surgiram há relativamente pouco tempo na história humana, mas em uma tensão humana natural a membros de grupos não familiares, disse Mahzarin Banaji, professora de psicologia em Harvard e principal autora do estudo. Seus co-autores foram os psicólogos Jeffrey Ebert de Harvard e Andreas Olsson e Elizabeth Phelps da Universidade de Nova York.

Os preconceitos raciais, de acordo com esse modelo, refletem atitudes negativas socialmente aprendidas que envolvem e reforçam uma cautela humana natural contra outros grupos, que é formada nos genes.

"Na ciência há pessoas que explicam por que somos como somos somente por meio da história evolucionária; elas dão pouca importância à história dos indivíduos, seu ambiente, como eles agem dependendo da situação imediata", disse Banaji. "O que é animador neste experimento é que estamos vendo evidências de interação" dos dois fatores. Pessoas de uma cor teriam uma resistência natural a de outras Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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