UOL Notícias Internacional
 

02/08/2005

Nasa planeja nova geração de veículos espaciais

The New York Times
William J. Broad

Em Nova York
Para sua próxima geração de veículos espaciais, a Nasa decidiu abandonar os princípios de projeto empregados no ônibus espacial, afirmaram funcionários da agência espacial e especialistas privados. Em vez disso, os novos veículos rearranjarão os componentes do ônibus espacial em uma família mais poderosa, mais segura, de foguetes tradicionais.

Nasa/The New York Times 
Nasa planeja alterar compartimentos da nave para deixar tripulação mais segura
O plano separará as funções de colocar pessoas e cargas em órbita e colocará a cápsula no topo dos foguetes --o mais longe possível dos riscos dos exaustores e dos destroços em queda, que foram responsáveis pelos acidentes que destruíram o ônibus espacial Challenger em 1986 e o Columbia em 2003.

O plano, cujas origens remontam dois anos e meio, está despontando no momento em que pode ajudar a desviar a atenção dos atuais problemas da frota de ônibus espaciais.

Os astronautas da Discovery realizarão um caminhada no espaço na quarta-feira (3/8) para consertar um problema potencialmente perigoso com uma manta de reforço na barriga da nave. E futuras missões foram suspensas por tempo indeterminado enquanto a Nasa tenta resolver o persistente desprendimento de espuma do tanque de combustível externo durante o lançamento.

O plano para os novos veículos será revelado formalmente neste mês. Suas linhas gerais foram extraídas de entrevistas e análises de relatos industriais, depoimentos no Congresso e declarações oficiais. Alguns detalhes foram apresentados no domingo no jornal "The Orlando Sentinel".

O Congresso teria que aprovar a iniciativa e restam muitas perguntas. John E. Pike, diretor da GlobalSecurity.org, um grupo de pesquisa privado em Washington dedicado a assuntos militares e espaciais, disse se perguntar como a Nasa se manterá dentro de seu orçamento continuando a investir bilhões de dólares nos ônibus espaciais e construindo uma nova geração de cápsulas e foguetes.

E Alex Roland, um ex-historiador da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), que atualmente ensina na Universidade Duke e é um freqüente crítico do programa espacial, disse que o plano tem "o cheiro de uma solução rápida e porca para um grande problema".

Mas defensores dizem que ele permitirá aos astronautas uma volta rápida ao ramo de exploração em vez de ficarem circundando interminavelmente seu planeta natal. Ao fazer os foguetes a partir de peças do ônibus espacial, o novo plano empregaria a atual rede de milhares de empresas e tecnologias que servem ao ônibus espacial, na esperança de acelerar sua conclusão e reduzir seu preço.

"O ônibus espacial não é um limão", disse Scott J. Horowitz, um engenheiro aeroespacial e ex-astronauta que ajudou a desenvolver o novo plano, em uma entrevista. "É simplesmente complicado demais. Eu sei pois já voei nele quatro vezes. É um feito de engenharia surpreendente. Mas há uma forma melhor."

Horowitz fez parte do pequeno grupo de astronautas, abalados pelo desastre da Columbia, que assumiu por conta própria o desenvolvimento de uma abordagem mais segura para a exploração espacial, em 2003.

O esforço deles, concebido enquanto ajudavam a procurar pelos destroços do ônibus espacial em Lufkin, Texas, se tornou parte do programa da Nasa para projetar um sucessor para a frota de ônibus espaciais.

Os três ônibus espaciais serão aposentados em 2010 segundo o plano do governo Bush para a exploração espacial, que visa levar novamente os homens para a Lua e eventualmente para Marte.

Os novos veículos abandonarão totalmente a ameaça da espuma, e seus defensores dizem que também terá outras vantagens. O maior dos veículos, para transporte de cargas pesadas mas não pessoas, teria cerca de 106 metros de altura, rivalizando com os foguetes Saturno 5 que enviaram astronautas para a Lua.

O menor, para transporte de pessoas, ainda assim seria maior do que o ônibus espacial, que tem 56 metros de altura quando ligado aos foguetes e tanque de combustível.

As espaçonaves não mais se pareceriam com aviões. Os seres humanos ou as cargas viajariam em cápsulas no topo em vez de ao lado do tanque de combustível --prática padrão antes da era dos ônibus espaciais. Em vez de planarem de volta à Terra, eles empregarão pára-quedas e pousarão em terra no Oeste dos Estados Unidos.

"A meta não é parecer bonito", disse John M. Logsdon, diretor do Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington. "É resultados. A meta é levar pessoas de volta à Lua e eventualmente para Marte. E este sistema, dadas as limitações de orçamento, é um caminho razoável."

A principal vantagem, dizem seus defensores, é que o grande foguete poderia levar cinco ou seis vezes mais carga do que o ônibus espacial (cerca de 100 toneladas contra 20 toneladas), o tornando o veículo espacial mais poderoso do mundo. Em teoria, ele seria forte o bastante para colocar em órbita espaçonaves inteiras destinadas à Lua, Marte e além.

Igualmente importante, disseram funcionários e especialistas privados, o pequeno foguete para os astronautas seria pelo menos 10 vezes mais seguro que o ônibus espacial, cujas chances de desastre são estimadas em cerca de 1 em 100.

A cápsula da tripulação no topo do foguete se encontraria em órbita com equipamento e espaçonaves levadas pelo foguete maior, ou com a Estação Espacial Internacional.

"É seguro, simples e breve", disse Horowitz, um executivo da indústria desde que deixou a corpo de astronautas em outubro. "E deve custar menos" do que os ônibus espaciais. Sua reutilização após 100 missões visava originalmente reduzir as despesas, mas os custos por vôo acabaram saindo por volta de US$ 1 bilhão.

"Nós temos que tornar isto o mais simples e financeiramente viável possível", disse Horowitz, "porque há muitas outras coisas na qual precisamos gastar dinheiro quando se trata de exploração". Foguetes podem substituir o atual modelo, que se parece com avião George El Khouri Andolfato

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