UOL Notícias Internacional
 

05/08/2005

Londres tensa em meio a indícios de novo ataque

The New York Times
Donald Van Natta Jr.*

Em Londres
Exatamente quatro semanas após um grupo de terroristas ter realizado um ataque mortal contra Londres, a polícia britânica lançou nesta quinta-feira (04/08) sua maior campanha de segurança desde a Segunda Guerra Mundial, já que as autoridades de inteligência disseram ter obtido a informação de que outro grupo poderia estar planejando um ataque sincronizado em Londres ou em outra parte da Grã-Bretanha.

Jonathan Player/The New York Times 
Policiais observam a estação Earls Court do metrô londrino; mais de 6.000 oficiais patrulham os transportes da cidade
A mais recente informação veio da interceptação de uma mensagem de texto para celular e do interrogatório de um suspeito de terrorismo que está detido fora do país, disseram autoridades de inteligência e contraterrorismo baseados na Europa e Estados Unidos.

O texto da mensagem não foi divulgado. As autoridades disseram que a informação não era específica sobre o momento do ataque, ou se a equipe já está posicionada.

Uma importante autoridade policial americana disse que foi informada por seu par da Scotland Yard que a mais recente informação de inteligência era "específica o suficiente para preocupá-los de que de algo está prestes a ocorrer".

Um alto funcionário de inteligência baseado na Europa, que falou sob a condição de anonimato, disse: "Os britânicos nos disseram --eles têm certeza de que haverá uma terceira onda de ataques".

Autoridades da Scotland Yard se recusaram a comentar sobre a mais recente inteligência ou sobre a crescente especulação na imprensa britânica. No início desta semana, o "The Sunday Times" noticiou que "uma terceira célula terrorista islâmica está planejando múltiplos ataques a bomba contra trens do metrô e outros alvos 'fáceis' no centro de Londres".

Um porta-voz da Polícia Metropolitana, que falou sob a condição de anonimato, apenas disse: "Nós presumimos que há mais pessoas de mentalidade semelhante querendo atacar Londres".

Na quinta-feira, as autoridades britânicas disseram ter se surpreendido com o fato de novos detalhes sobre os explosivos usados nos dois ataques em Londres terem sido revelados em Nova York, durante um briefing dado por policiais para diretores de segurança locais. As autoridades disseram que não foram consultadas pela polícia de Nova York antes do briefing de quarta-feira.

Paul J. Browne, o porta-voz chefe do Departamento de Polícia de Nova York, disse que errou quando disse aos repórteres que autoridades do departamento liberaram o material para o briefing junto a seus pares britânicos. O erro, ele disse, resultou de um mal-entendido que teve com outra autoridade policial de Nova York.

Mas Browne disse que o departamento está à vontade com o briefing, notando que a informação fornecida aos diretores de segurança vieram de fontes abertas e que não era confidencial.

Também na quinta-feira, um videoteipe foi transmitido exibindo Ayman Al Zawahiri, o segundo em comando da Al Qaeda de Osama Bin Laden, declarando que haverá mais derramamento de sangue em Londres.

Al Zawahiri disse que quaisquer ataques terroristas adicionais serão culpa do primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair. "Blair trouxe a vocês a destruição no centro de Londres, e ele trará mais disto, queira Deus", disse Al Zawahiri na gravação, que foi transmitida pela Al Jazeera, um canal por satélite. A autenticidade da gravação não pôde ser imediatamente verificada.

Ele também ameaçou mais ataques contra os Estados Unidos a menos que retire suas tropas dos países muçulmanos. "Nossa mensagem para vocês é clara, forte e final --não haverá salvação a menos que se retirem de nossas terras, parem de roubar nosso petróleo e recursos e deixem de apoiar governantes infiéis", disse Al Zawahiri.

O presidente Bush disse que os comentários gravados em vídeo de Al Zawahiri "deixam claro que o Iraque é uma parte desta guerra contra o terror, e estamos em guerra". Bush, falando durante uma aparição conjunta em seu rancho com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, disse que Al Zawahiri e pessoas como ele "têm uma ideologia sombria, obscura, retrógrada".

"Eles são terroristas e são assassinos", disse ele. "E matarão pessoas inocentes tentando fazer com que nos retiremos do mundo para que possam impor sua visão sombria ao mundo."

Até o momento, não há elo estabelecido entre a Al Qaeda e os ataques em Londres. Duas outras autoridades americanas, com conhecimento dos mais recentes relatórios de inteligência, minimizaram a importância do texto de celular, dizendo que os investigadores britânicos estão tão preocupados com outro ataque que algumas peças de informação ganham importância adicional.

Uma importante autoridade americana de manutenção da lei disse estar ciente dos relatórios sobre a mensagem de texto para celular e de uma fonte humana confirmando a preocupação com outro ataque, mas acrescentou: "Eu acho que a proximidade dele foi abrandada".

Mas a polícia e a população já estão claramente nervosos com a probabilidade de um ataque. Alguns usuários do transporte público reconheceram na quinta-feira que mudaram seus hábitos em conseqüência.

"Eu estou com muito medo de pegar o metrô", disse Philippa Embley, uma assistente pessoal de 25 anos que viaja fora dos horários de pico de sua casa, em Surrey, para o trabalho, no norte de Londres. "Como não é a hora do rush, eu me sinto um pouco mais segura."

Outros passageiros disseram que passam a maior parte do tempo em trens e ônibus analisando outros passageiros. "Todos são suspeitos", disse Thomas Ferreira, um chef de 29 anos. "Isto não vai desaparecer nos próximos meses. Mas não dá para deixar de usar o metrô."

Na quinta-feira, um glorioso dia de verão na capital, cerca de 6 mil policiais da Polícia Metropolitana e da Polícia de Transporte Britânica patrulharam o metrô de Londres e os famosos ônibus vermelhos de dois andares da cidade, incluindo vários milhares de atiradores especialmente treinados.

A extraordinária exibição de força ocorreu exatamente quatro semanas após uma equipe de quatro terroristas ter usado bombas para matar 52 pessoas e a si mesmos em três trens do metrô e um ônibus da cidade.

Exatamente duas semanas atrás, outra equipe terrorista de quatro homens tentou repetir o ataque, mas fracassou quando suas bombas caseiras não explodiram. Eles fugiram, mas todos os quatro suspeitos, cidadãos britânicos descendentes de africanos orientais, foram capturados na semana passada em uma das maiores caçadas internacionais da Grã-Bretanha.

O movimento de passageiros no metrô de Londres caiu 15%, ou 450 mil passageiros por dia, e até 30% nos fins de semana, segundo números do governo. O número de passageiros de ônibus continua estável em cerca de 6 milhões por dia.

Autoridades de transporte de Londres disseram que a queda de passageiros está relacionada às linhas e estações fechadas devido aos ataques de 7 de julho. A cidade reabriu a linha Piccadilly na quinta-feira. Várias estações na linha Circular continuam fechadas. "Agora que a rede está praticamente de volta à ação, nós esperamos que as coisas voltarão à normalidade para esta época do ano", disse Richard Dodd, um porta-voz de transporte de Londres.

Também na quinta-feira, um tribunal britânico ordenou que a primeira pessoa indiciada pelos ataques fracassados permanecesse sob custódia. Ismael Abdurahman, 23 anos, do sudeste de Londres, apareceu na audiência de 10 minutos do tribunal de Bow Street antes de ser conduzido para a cadeia. Abdurahman é acusado de reter informação e ajudar um suspeito de terrorismo, Hussain Osman, também conhecido como Hamdi Issac, a escapar da captura nos primeiros dias após 21 de julho.

Osman fugiu para a Itália depois dos ataques de 21 de julho. Ele está detido em uma prisão de segurança máxima em Roma, aguardando extradição para a Grã-Bretanha, onde deverá enfrentar acusações de terrorismo. Funcionários da Justiça italiana disseram que a audiência de extradição está marcada para 17 de agosto, em Roma.

Também na quinta-feira, a polícia acusou duas mulheres segundo as leis antiterrorismo de não terem dado informação para a polícia após os ataques de 21 de julho, informou a agência de notícias "Reuters".

A polícia disse que as mulheres, Yeshshiembet Girma, 28 anos, e Muluemebet Girma, 21 anos, de Londres, aparecerão no tribunal de Bow Street na sexta-feira. Elas foram presas em 27 de julho em uma operação na área de Stockwell, no sul de Londres.

Os londrinos que estão evitando o metrô e os ônibus estão adotando formas alternativas de transporte. As vendas de bicicletas aumentaram acentuadamente desde os ataques de 7 de julho, e os ciclistas, antes uma visão incomum em Londres, agora podem ser vistos seguindo ao lado de táxis e ônibus durante a hora do rush.

Adam Halls, que trabalha na Dialabike, uma loja perto de Westminster e das Casas do Parlamento, disse que as vendas em sua loja aumentaram desde 7 de julho. O principal motivo, ele disse, é o medo.

*Heather Timmons e Jonathan Allen contribuíram com reportagem em Londres; Souad Mekhennet na Alemanha; William K. Raschbaum em Nova York; e David Johnston em Washington. Mensagem de celular interceptada promete nova onda de atentados George El Khouri Andolfato

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