UOL Notícias Internacional
 

06/08/2005

Acusação amplia turbulência da DaimlerChrysler

The New York Times
Mark Landler

Em Frankfurt, Alemanha
Quando o diretor executivo da DaimlerChrysler, Jurgen E. Schrempp, anunciou na semana passada que ia deixar o cargo antes do que imaginava, seus altos executivos reagiram de forma caracteristicamente européia: tiraram férias.

Quando voltarem ao trabalho, terão que lidar com uma série de problemas, inclusive descontentamento nas chefias e investigações crescentes de corrupção na divisão da Mercedes.

O Departamento de Justiça e a Comissão de Títulos e Câmbio (SEC, a CVM, Comissão de Valores Mobiliários, americana) estão investigando alegações de que os executivos da Mercedes em vários países subornaram autoridades estrangeiras.

Um porta-voz da DaimlerChrysler, Toni Melfi, disse que a empresa estava cooperando com a investigação, iniciada pela SEC em agosto. A empresa disse na semana passada que tinha repassado aos órgãos competentes as informações obtidas por sua investigação interna sobre "pagamentos a partir de certas contas".

Melfi recusou-se a comentar um artigo do Wall Street Journal de sexta-feira (05/8) que trazia alegações de suborno envolvendo membros da Mercedes em ao menos uma dúzia de países, com a anuência dos superiores.

No processo, a DaimlerChrysler disse que tinha "identificado algumas dessas contas, transações e pagamentos relacionados a certa atividade empresarial estrangeira". A empresa disse que arcaria com as sanções civis e criminais apropriadas se fossem descobertas violações do Ato de Práticas Estrangeiras Corruptas.

A investigação foi iniciada depois de um processo judicial em setembro movido por um ex-contador da empresa, David J. Bazzetta, que disse que foi demitido ao tentar relatar os erros aos seus superiores. De acordo com a ação, Bazzetta descobriu em julho de 2001 que a DaimlerChrysler mantinha "contas bancárias secretas para subornar autoridades governamentais estrangeiras" e protestou com os executivos da empresa. Bazzetta foi demitido em retaliação, em janeiro de 2004, de acordo com o processo.

Em junho, Bazzetta e a DaimlerChrysler fecharam um acordo, mas a advogada do contador, Sue Ellen Eisenberg, não pôde comentar os termos do acordo por envolver cláusula de confidencialidade.

A Mercedes é a maior fabricante de automóveis alemã a enfrentar acusações de corrupção. A Volkswagen está sendo investigada na Alemanha por denúncias de que um antigo executivo desviou dinheiro da empresa e solicitou gratificações de fornecedores em troca de contratos na Índia.

Esses escândalos, dizem os analistas, são evidências de que está havendo uma mudança nos padrões éticos. A corrupção na indústria automobilística costumava ser comum no exterior, dada a natureza ampla dessas empresas e os contratos lucrativos envolvidos.

Até 1997, o governo alemão considerava despesas dedutíveis de imposto as propinas pagas a autoridades estrangeiras por empresas alemãs. Atualmente, a corrupção no exterior é ilegal na União Européia, assim como nos EUA.

Alguns analistas dizem que o escândalo da DaimlerChrysler vai exigir mão forte do novo diretor executivo da empresa, Dieter Zetsche, que passou os últimos cinco anos gerenciando a Chrysler nos EUA.

"Isso aumenta a probabilidade de Zetsche fazer grandes mudanças. Ele precisa romper essas redes que foram construídas nos 10 anos de Schrempp. Vai ser um processo doloroso", disse Arndt Ellinghorst, analista de automóveis da Dresdner Kleinwort Wasserstein em Frankfurt.

Ellinghorst disse que não via a investigação como uma ameaça ao desempenho da empresa. Ele melhorou a classificação das ações, passando de 'comprar' para 'manter' depois do anúncio de Schrempp.

No entanto, a DaimlerChrysler enfrenta um possível vácuo de liderança no grupo da Mercedes. Seu atual chefe, Eckhard Cordes, submeteu sua demissão ao conselho supervisor da empresa, depois de ter sido desconsiderado para o cargo mais alto. O conselho ainda não decidiu se vai aceitar sua demissão.

Os membros do conselho planejam reunir-se com Cordes para discutir seu futuro depois de suas férias em Portugal, disse um executivo com laços com o conselho. Mas nos últimos dias, Cordes vendeu 3,6 milhões de euros (cerca de R$ 10 milhões) de ações da empresa, sugerindo que sua decisão está tomada.

Analistas dizem que Zetsche vai substituir Cordes rapidamente ou administrar a Mercedes ele mesmo por um tempo. Isso não seria difícil para ele, disseram, pois já foi seu diretor de vendas e de desenvolvimento de produtos. No entanto, sua atenção seria desviada dos problemas maiores da DaimlerChrysler.

"Não acho que ele pode esperar um ano e meio para escolher um sucessor para Cordes", disse Ferdinand Dudenhoeffer, diretor do Centro de Pesquisa Automotiva em Gelsenkirchen.

Entre os principais candidatos para chefiar a Mercedes está Thomas Weber, executivo de 51 anos que agora dirige a divisão de tecnologia e pesquisa da DaimlerChrysler e de desenvolvimento da Mercedes.

O problema mais urgente de Zetsche é a unidade do minicarro Smart, que segundo os analistas perdeu 600 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,7 bilhão) no ano passado.

Zetsche pode se consolar com uma coisa: a Mercedes parece estar se recuperando, depois de um período difícil, no qual seus lucros mergulharam e problemas de qualidade mancharam sua reputação.

As vendas da Mercedes aumentaram 4,4% em julho, superando as previsões de Cordes. A empresa teve forte crescimento de encomendas da classe M, seu novo SUV. Analistas disseram que a tendência deve acelerar-se no final do ano, quando a marca apresentar vários modelos, inclusive a nova versão de seu sedã superior, classe S.

"Eles resolveram os problemas de qualidade na Mercedes", disse Dudenhoeffer. "Acho que estão no caminho certo." Investigação de suborno internacional atinge executivos do grupo Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host