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06/08/2005

Fortes números de emprego de julho confirmam crescimento econômico americano

The New York Times
Eduardo Porter

Em Nova York
Os empregadores americanos adicionaram mais de 200 mil vagas de trabalho em julho, informou o governo nesta sexta-feira (5/8), fornecendo nova evidência de que os trabalhadores estão começando a se beneficiar de uma economia que tem crescido de forma constante e robusta.

Com exceção do setor manufatureiro, o mercado de trabalho esteve forte em todos os setores, oferecendo uma maior confirmação da vigorosa expansão econômica evidente nos dados recentes de gastos do consumidor, produção industrial e venda de casas.

O desemprego, que é medido por uma pesquisa separada, permaneceu estável em relativamente baixos 5%, refletindo o número crescente de pessoas atraídas de volta ao mercado de trabalho pela maior atividade de contratação.

"Há um grau de consistência animador", disse Brian Fabbri, economista chefe da BNP Paribas. "O número de novos empregos é consistente com o restante dos dados econômicos, que mostram que a economia está progredindo com força."

Tanto os gastos crescentes do consumidor quanto o maior investimento das empresas parecem estar alimentando uma expansão vigorosa apesar da elevação das taxas de juros e o aumento no preço do petróleo, que elevou o preço médio da gasolina para quase US$ 2,40 o galão neste verão.

De fato, as estatísticas mais recentes apontam para uma economia em aceleração após uma modesta queda no crescimento da produção, para 3,4%, no segundo trimestre, em comparação a 3,8% nos primeiros três meses do ano.

Os produtos nas prateleiras e o número de carros nos pátios das concessionárias, juntamente com outros estoques, caíram acentuadamente no segundo trimestre, sugerindo que as encomendas aumentarão nos meses seguintes à medida que as empresas refaçam seus estoques. As encomendas nas fábricas e a produção industrial apresentaram ganhos substanciais em maio e junho. A renda pessoal e o crescimento dos gastos do consumidor aumentaram em junho, após caírem em maio.

"Há uma grande variedade de barômetros econômicos que nos dizem que passamos um obstáculo", disse Robert Barbera, economista chefe da ITG-Hoenig.

O quadro econômico vigoroso torna virtualmente certo que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, aumentará as taxas de juros de curto prazo em um quarto de ponto percentual na próxima semana, o ritmo que tem mantido em cada reunião de política monetária desde junho do ano passado.

Os sinais de ganhos robustos no emprego provocaram queda nas ações e um aumento nas taxas de juros de longo prazo, já que muitos investidores consideram que a balança econômica tende a se inclinar do baixo crescimento para uma maior inflação, aumentando a probabilidade do Fed continuar aumentando as taxas de juros de curto prazo até o final do ano e talvez além.

As 207 mil vagas de trabalho acrescentadas em julho representaram o ritmo mais rápido de contratação desde abril. Ocorrendo após revisões de estimativas anteriores de ganhos no emprego em maio e junho, que acrescentaram outras 42 mil vagas de trabalho, o crescimento médio do emprego neste ano saltou para 191 mil vagas por mês, o suficiente para compensar a expansão da força de trabalho e reduzir a inatividade no mercado de trabalho.

O crescimento do emprego variou muito em julho. O setor de varejo adicionou 50 mil vagas de trabalho em julho. Os hotéis e restaurantes adicionaram 30 mil vagas. O emprego no setor de saúde cresceu em 29 mil vagas. E em um sinal inesperado de maior estabilidade no mercado de trabalho, a contratação em agências de serviço temporário caiu, indicando que os empregadores podem estar contando menos com funcionários temporários e contratando mais trabalhadores em tempo integral.

O setor de manufatura foi a única exceção --perdendo 4 mil vagas de trabalho. Mas David Huether, economista-chefe da Associação Nacional dos Manufatureiros, notou que, excetuando-se o setor automotivo, que tem se concentrado em se livrar do excesso de estoque estacionado nos pátios das concessionárias, o emprego nas fábricas aumentou em cerca de 7 mil vagas no mês passado.

A média salarial para funcionários de produção e não administrativos cresceu quase 0,4%, o maior índice desde julho do ano passado. E o índice de quantidade agregada de horas trabalhadas na economia aumentou em cerca de 2%.

Em um sinal particularmente encorajador, o percentual da população total que está trabalhando inchou para 62,8%, o maior percentual desde outubro de 2002. Os ganhos foram repassados para grupos que tiveram mais dificuldade no mercado de trabalho nos últimos anos. O desemprego entre os negros caiu 0,8%, para 9,5%, e o índice de desemprego entre os latinos caiu de 5,8%, em junho, para 5,5%.

Os ganhos no emprego são importantes para a manutenção do crescimento econômico, fornecendo renda salarial para alimentar o consumo. "As rendas pessoais precisam exibir fortes ganhos", disse Stuart Hoffman, economista chefe da PNC Financial, em Pittsburgh. "Mais pessoas estão trabalhando, elas estão ganhando mais em média e estão trabalhando mais horas."

Mas o atual crescimento do emprego é particularmente significativo porque mostra que o emprego está começando a acompanhar a melhoria da situação macroeconômica, após três anos no qual manteve um tom um tanto discordante.

A economia acrescentou 2,2 milhões de vagas de trabalho no ano passado, e mais 1,3 milhão neste ano até o momento. Mas nos últimos quatro anos, desde que a economia saiu da recessão, o crescimento do emprego se manteve aquém --abaixo daquele de recuperações anteriores.

Além disso, o crescimento do emprego tem sido instável, ocorrendo altos e baixos mês a mês. O crescimento salarial dos trabalhadores comuns também mal conseguiu acompanhar o ritmo da inflação.

O relatório de emprego de julho não sinaliza que as contratações acelerarão acentuadamente daqui em diante. Mas indica que o mercado de trabalho finalmente atingiu um padrão de crescimento estável, acrescentando entre 175 mil e 200 mil novas vagas de trabalho a cada mês, o que é suficiente para sustentar um crescimento econômico substancial.

O mercado de trabalho entrou em um nova fase consistente com uma expansão estável madura", disse Robert V. DiClemente, economista para os Estados Unidos do Citibank.

Ao sair da recessão em 2002, e ao longo de 2003, as empresas se recusaram a gastar dinheiro em novos trabalhadores. Endividadas, com investimentos excessivos e incertas quanto a sustentabilidade da demanda, elas responderam ao crescimento das vendas extraindo mais de sua força de trabalho existente. A produtividade cresceu.

Mas isto parece ter mudado. Apesar de muitos economistas duvidarem que o mercado de trabalho atingirá novamente os picos do final dos anos 90, quando os empregadores aumentaram agressivamente seu quadro de pessoal, reduzindo o desemprego para menos de 4%, os empregadores estão contratando novamente de forma consistente.

Jeffrey A. Joerres, executivo-chefe da firma de recrutamento Manpower, disse que o aumento da concorrência global e a diminuição do poder dos preços estão impondo uma nova disciplina aos empregadores, que apenas contratam quando devem. Joerres chamou isto de contratação cirúrgica.

Isto poderá dificultar ainda mais para os trabalhadores conseguirem maiores ganhos de renda. Mas, disse Joerres, isto também ajudará as empresas a evitarem excessos.

"Nós saímos nos arrastando, gritando e esperneando, do fundo", disse ele. "Agora nós estamos em um bom passo. Nós não comemos demais." Expansão deverá provocar elevação dos juros e queda das ações George El Khouri Andolfato

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