UOL Notícias Internacional
 

09/08/2005

Promotora republicana desafia Hillary no Senado

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Nova York
Estimulada pelos líderes republicanos nova-iorquinos e alguns membros da Casa Branca, Jeanine F. Pirro, carismática promotora do condado de Westchester, anunciou nesta segunda-feira (8/8) que vai concorrer contra a senadora Hillary Rodham Clinton, no ano que vem. Imediatamente ela acusou Clinton de usar o cargo como trampolim para a presidência.

Vincent Laforet/The New York Times 
Mesmo se perder, Pirro deve se tornar uma celebridade política para os republicanos
Pirro, política moderada que defende o aborto, direitos de homossexuais e pena de morte, é considerada por muitos republicanos em Nova York e Washington como a maior esperança de vencer Clinton em 2006. Mais realisticamente, os republicanos dizem que o estilo determinado de Pirro, sua inteligência aguda e presença fotogênica vão ajudar a levantar milhões de dólares e, no mínimo, deter o avanço de Clinton em sua possível candidatura à presidência em 2008.

Em entrevista, Pirro deixou claro que ia fazer da disputa ao Senado um evento político nacional. Ela criticou rumores de ambições presidenciais de Clinton e seu desempenho no Senado nos últimos 4,5 anos.

"Hillary Clinton não está concorrendo para servir o povo de Nova York", disse Pirro. "Somos apenas um degrau em sua candidatura para a presidência". E acrescentou: "Acho que os eleitores vão escolher a única mulher que realmente quer o cargo. O meu tempo integral é muito melhor do que o tempo parcial dela."

A perspectiva de uma concorrente afiada e com forte patrocínio, como Pirro, 54, certamente vai intensificar o interesse nacional pela disputa ao Senado em Nova York. As eleições estão sendo consideradas pelos republicanos como um teste das opiniões de Clinton e de sua habilidade política, depois de sua primeira eleição ao cargo em 2000.

Membros da Casa Branca e do Comitê Republicano Nacional discutiram a disputa pelo Senado com Pirro. Ken Mehlman, diretor do comitê, congratulou-a na segunda-feira pela candidatura, segundo seus assessores. Pirro também conversou com líderes do partido e decidiu concorrer depois que deixaram claro que ajudariam na campanha para angariar US$ 30 milhões (em torno de R$ 70 milhões).

"Para os republicanos em todo o país, essa disputa de 2006 realmente será sobre a presidência, mas não acho que seja o caso para o povo de Nova York. Clinton é tão popular que Pirro não pode dizer: 'Ela não fez grande coisa por Nova York.' A única coisa que pode dizer é: 'Ela não pode continuar fazendo muito para sempre.' Citar 2008 pode ajudar a levantar fundos, mas é um argumento político bem fraco", disse Celinda Lake, analista de pesquisas de opinião para os democratas.

Tracey Schmitt, secretária de imprensa do Comitê Nacional Republicano, disse que a disputa de 2006 seria uma oportunidade importante para julgar se Clinton tinha mudado suas posições em questões centrais, já visando 2008, e que uma concorrente republicana corajosa serviria como forte cobrança.

"Ficou muito claro nos últimos meses que a senadora Clinton está mais preocupada com sua situação nacional do que com o Estado de Nova York", disse Schmitt. "É óbvio que seus esforços para se colocar como centrista resultam de suas ambições políticas e não de seus princípios."

Pirro vinha pensando em se candidatar há meses, mas uma confluência de fatores recentemente fizeram-na voltar-se para o Senado em vez de outros cargos que estava considerando.

Depois que o governador George E. Pataki anunciou, no dia 27 de julho, que não ia concorrer ao quarto mandato, vários republicanos e aliados políticos instaram a promotora a tentar sucedê-lo, de acordo com membros do partido.

Sem querer parecer teimosa, Pirro pensou e conversou com o diretor do partido no Estado, Stephen J. Minarik III, a respeito. No final da semana passada, porém, a promotora mostrou renovado interesse ao cargo que parecia ter mais chances de vencer, de promotora geral do Estado.

Entretanto, na semana passada, Pataki e outros republicanos disseram a ela que concorrer contra Clinton traria mais recompensas pessoais e profissionais, segundo membros do partido. Se Pirro vencesse, tornar-se-ia uma celebridade nacional. Mesmo derrotada, ganharia em celebridade, o que lhe daria seu próprio programa na Fox News, onde tem sido analista jurídica, ou pavimentaria seu caminho para outro cargo estadual.

"Jeanine especulou comigo na semana passada sobre uma candidatura ao governo, mas nunca anunciou isso. Eu disse a ela que achava que seria uma grande candidata estadual, especialmente para o Senado", disse Minarik.

Pirro também decidiu pelo Senado depois de concluir que os problemas legais de seu marido, Albert J. Pirro Jr., não a deteriam; ele foi condenado por fraude ao fisco em 2000 e passou 11 meses na prisão, em um caso que envolveu o reembolso de impostos assinados por Jeanine.

Democratas sugeriram que as finanças do casal poderiam ser alvos de ataques, gerando a possibilidade dos maridos das duas candidatas tornarem-se temas debatidos na guerra política. Mesmo assim, os assessores de Pirro acreditam que, em uma disputa pelo Senado, as "questões dos maridos" podem se cancelar mutuamente.

Republicanos em Washington e Nova York deixaram claro que não vêem dificuldades para levantar os US$ 30 milhões ou mais para combater Clinton; ainda há antipatia suficiente contra a ex-primeira-dama para fazer do levantamento de fundos "um passeio no parque", como disse um assessor de Pirro na segunda-feira.

Segundo membros do partido, a equipe de Pirro também apoiou sua candidatura ao Senado, pois era o que ela queria originalmente e porque traria dezenas de milhões de dólares a mais do que a promotoria geral.

Em três mandatos como promotora distrital, Pirro conquistou fama nacional por sua firme atuação contra casos de crimes sexuais e de violência doméstica e por defender esquemas na Internet para pegar suspeitos de molestar crianças. De boa aparência (já esteve na lista das mais bonitas da revista People) e bem articulada, é convidada freqüentemente como comentarista em programas de televisão.

Mesmo assim, terá alguns obstáculos políticos a enfrentar em Nova York. Em 2001, por exemplo, Pirro disse a um grupo de defesa do direito ao aborto que se opunha à proibição dos abortos tardios --uma posição que pode lhe custar o apoio crucial do Partido Conservador do Estado, disse seu presidente, Michael R. Long.

"Para nós, o aborto tardio e o casamento gay são questões definidoras", disse Long na segunda-feira. "Sem nosso apoio, não acho que ela consegue a vaga no Senado. Desde 1974, nenhum republicano venceu no Estado sem o nosso endosso."

Três republicanos mais conservadores estão pensando em desafiar Clinton, inclusive Edward F. Cox, advogado e genro do presidente Richard M. Nixon, que montou a operação política mais completa até hoje. Long disse que Cox e os outros dois são suficientemente conservadores sobre o aborto e impostos para agradar seu partido.

Pirro várias vezes se recusou na segunda-feira a explicitar suas posições sobre o aborto, direitos de homossexuais, contas privadas de previdência e pesquisa com células-tronco. Quando questionada se era uma republicana de Bush, também recusou essa descrição.

"Vou ser Jeanine Pirro --não sou uma pessoa que se possa categorizar como isso ou aquilo", disse.

Hillary lidera com folga

A candidata também não quis mostrar como reagiria se seu marido fosse atacado. No passado, ocasionalmente perdeu a cabeça defendendo-se ou ao seu marido. Bateu na mesa, gritou e usou palavrões.

O envolvimento de seu marido na candidatura não está claro: ele é um rico patrocinador republicano, mas não aparece na biografia de sua mulher nem nas mais de 100 fotografias que estão em seu novo site da Web para a campanha (www.jeaninepirro.com).

"Só vai haver o nome de uma pessoa na cédula, e será Jeanine Pirro", disse ela.

Apesar de assessores de Clinton esperarem ansiosamente para saber as intenções de Pirro, a reação oficial foi bastante silenciosa na segunda-feira. Eles disseram que Clinton continuaria a se concentrar em seu trabalho para os nova-iorquinos.

Clinton é amplamente aceita em Nova York, enquanto Pirro viu sua popularidade cair no condado de Westchester. Uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac, no dia 3 de agosto, mostrou Clinton na frente de Pirro com 63% contra 29%. No entanto, na mesma pesquisa, 60% dos eleitores disseram que Clinton deveria prometer servir seu mandato de seis anos até o fim, se reeleita.

Horas depois de Pirro anunciar sua candidatura, seus colegas republicanos do Estado deram declarações de apoio. Na segunda-feira, Pataki chamou Pirro de "candidata extraordinária" e disse aos partidários que será forte contra Clinton --pois é uma mulher católica dos subúrbios, moderada em questões sociais e que defende uma linha dura em questões de policiamento e segurança, além de ser de origem libanesa.

Uma disputa Clinton-Pirro é o que os republicanos de nova York tentaram obter durante meses. Em junho, 46 dos 62 líderes de condado assinaram uma carta para que a promotora desafiasse Clinton. Mimarik, porém, enfatizou na segunda-feira que não tinha certeza se os 46 iam endossar sua candidatura e pelo menos dois diretores republicanos disseram que estavam avaliando seriamente a proposta de Cox.

O partido espera escolher o candidato republicano até o final do ano, para evitar as batalhas da convenção e das primárias no próximo verão. Jeanine Pirro vai disputar a vaga com a ex-primeira-dama em 2006 Deborah Weinberg

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