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10/08/2005

Fed eleva juros e indica mais aumentos no futuro

The New York Times
David Leonhardt e Vikas Bajaj

Em Nova York
Dizendo que a economia continua se fortalecendo, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, elevou sua taxa de juros referencial de curto prazo novamente, na tarde desta terça-feira (9/8), e deu aos investidores motivos para achar que continuará aumentando as taxas até o final do ano.

O Fed aumentou a taxa dos fundos federais para empréstimos overnight entre os bancos de 3,25% para 3,5%, o 10º aumento desde o verão passado, à medida que a economia se recupera da recessão de 2001 e sua longa ressaca.

O aumento na taxa dos fundos federais --que afeta diretamente muitos empréstimos comerciais e cartões de crédito e também visa influenciar as taxas hipotecárias-- era amplamente esperado, mas o Fed também mexeu nos termos de sua declaração que explicava a decisão, notando que o crescimento está acelerando.

"O consumo agregado, apesar dos altos preços, parece ter se fortalecido desde o final do inverno, e as condições do mercado de trabalho continuam melhorando gradualmente", disse a declaração. "O núcleo da inflação tem sido relativamente baixo nos últimos meses e as expectativas de inflação de longo prazo continuam contidas, mas as pressões sobre a inflação continuam elevadas."

O Fed agora parece estar correndo contra a força crescente da economia, com os autores de política esperando que ele não mantenha as taxas de juros baixas por tempo suficiente para provocar inflação. Muitos economistas de Wall Street estão ficando preocupados com tal perspectiva, enquanto outros --especialmente na esquerda política-- dizem que o emprego e o salário continuam fracos demais para sérios temores inflacionários.

Os investidores esperam que a taxa dos fundos federais chegue a 4,25% até o final do ano, com base no preço dos contratos futuros que seguem as ações do Fed. Isto exigiria do Fed um aumento da taxa em cada uma de suas três reuniões restantes neste ano.

O Fed reiterou na terça-feira que planeja elevar as taxas de curto prazo em um ritmo "ponderado", uma frase que a maioria acredita significar que ele promoverá aumentos de um quarto de ponto percentual.

Nesta primavera, quando o crescimento econômico parecia mais fraco do que no momento, os investidores estavam apostando que o Fed pararia em 3,75% neste ano.

"Um erro de política pode ter sido cometido", disse Laurence H. Meyer, um ex-diretor do Fed e atualmente vice-presidente da Macroeconomic Advisers, uma firma de previsão. "Ele pode ter demorado demais" em taxas de juros que eventualmente causarão um aumento da inflação, ele acrescentou.

Imediatamente após o anúncio do Fed, as ações e títulos mantiveram os ganhos que conseguiram pela manhã, após o relatório do Departamento do Trabalho que mostrou que o crescimento da produtividade desacelerou menos do que o esperado no segundo trimestre. O índice de ações Standard & Poor 500 fechou com alta de 8,25 pontos, ou 0,7%, em 1.231,38 pontos.

Enquanto o preço dos títulos subia, o rendimento do título de 10 anos do Tesouro caiu de 4,42%, na segunda-feira, para 4,38% na tarde de terça-feira, depois de aumentar de cerca de 4,2% nas duas últimas semanas. Mas em um padrão que deixou muitos analistas perplexos, as taxas de longo prazo continuaram mais baixas do que há um ano, quando o Fed começou a elevar a taxa dos fundos federais do patamar mais baixo em 46 anos, de 1%.

Em seu relatório, o Departamento do Trabalho disse que a produtividade das empresas, que mede quanto um trabalhador típico produz em uma hora, cresceu em uma taxa de 2,2%, uma queda em comparação a 3,2% no primeiro trimestre.

Quando a produtividade diminui, as empresas competem umas com as outras para contratar novos funcionários, aumentando os salários e então a inflação. Os custos trabalhistas por unidade --uma medida do pagamento por unidade produzida-- cresceram 4,3% em relação ao ano passado, o crescimento mais rápido desde 2000, disse o Departamento do Trabalho.

Mas grande parte do aumento ocorreu no final do ano passado. No segundo trimestre, os custos trabalhistas por unidade subiram a uma taxa anual de apenas 1,3%, que era consistente com outros relatórios do governo que mostravam que os salários da maioria dos trabalhadores não estavam subindo mais que a inflação.

A causa para a fraqueza dos salários continua um mistério, complicando a tarefa do Fed nos próximos meses. O aumento de novas tecnologias e o crescimento de forças de trabalho de baixa remuneração em outros países parecem estar tendo alguma influência. Mas aumentos salariais geralmente ficam atrás do crescimento do emprego, e alguns economistas dizem que o Fed deve continuar aumentando as taxas para impedir que os salários, e a inflação, saiam de controle no próximo ano.

"Politicamente, eles não vão sair dizendo: 'Nós não queremos ver o desemprego cair mais'", disse Maury N. Harris, economista-chefe para Estados Unidos do UBS, o banco de investimento, referindo-se aos diretores do Fed. "Mas eu acho que o que eles gostariam de ver é uma economia crescendo apenas rápido o bastante para manter o desemprego estável."

O presidente Bush disse na tarde de terça-feira que não está preocupado com a possibilidade de que o aumento dos juros possa desacelerar a economia. "Eu confio no julgamento do presidente Alan Greenspan", disse Bush em uma sessão de perguntas e respostas em seu rancho em Crawford, Texas. "Ele toma decisões baseadas em fatos, não baseadas em política."

Apesar de o Fed já estar aumentando suas taxa de juros referencial há mais de um ano, ela ainda excede a inflação apenas por uma pequena margem. Na linguagem do Fed, isto significa que a taxa ainda está abaixo do nível "neutro" e é uma força estimulando a economia, e não a segurando.

Greenspan se recusou a dizer publicamente qual é o nível neutro. "Nós não sabemos o que é neutralidade até chegarmos lá", disse o presidente do Fed ao Congresso, no ano passado.

Muitos previsores acreditam que ele está próximo de 4%, o motivo para o qual acharem que ele continuará elevando a taxa de juros referencial até o final do ano. Mas nos ciclos anteriores, o Fed lutou para evitar reagir em excesso e elevar, ou cortar, as taxas mais do que parecia necessário. Ele posteriormente teve que reverter o curso.

"A parte assustadora é que Greenspan e outros disseram não saber o que é neutro, mas que saberão quando virem", disse Robert J. Barbera, economista-chefe da ITG/Hoenig, uma firma de investimento. "Algo mais justo de ser dito seria provavelmente que não sabem o que é neutro, mas que saberão após o ultrapassarem."

Os economistas esperavam uma queda do crescimento da produtividade para 2% e que os custos trabalhistas por unidade fossem crescer 2,9%. Historicamente, a produtividade tende a diminuir e os salários e outros custos trabalhistas tendem a subir nos estágios finais de uma expansão econômica, porque as empresas ficam sem ineficiências para ajustar em suas operações e têm que disputar mais agressivamente pelos trabalhadores. A atual expansão está no seu quarto ano.

Mas este não tem sido o caso desta vez. As empresas têm mantido uma forte restrição aos salários, benefícios e outras compensações, disse Stephen Gallagher, economista-chefe para os Estados Unidos da Société Générale, em Nova York. As empresas de setores em dificuldades, como o setor de aviação e a indústria automobilística, têm até mesmo buscado reduções de salários e benefícios junto aos seus sindicatos.

"Se há como reduzir custos, é isto o que estão fazendo", disse Gallagher. O corte de custos tem permitido às empresas a manutenção de preços relativamente baixos, apesar dos aumentos nos custos de energia, disse ele. Para os trabalhadores, isto significa que os salários não cresceram tão rapidamente nesta expansão quanto em recuperações anteriores.

No final do ano passado e no início deste ano, os salários subiram em um ritmo mais acelerado, mas os economistas disseram que agora parece que foi um fenômeno temporário, causado por grandes bônus anuais que foram pagos com fortes lucros corporativos.

"Isto é um reflexo de que os lucros subiram enormemente no final de 2004", disse Gallagher. Nova taxa dos EUA é de 3,5%; analistas estimam que deve atingir 4% George El Khouri Andolfato

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