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11/08/2005

George W. Bush prega humanitarismo desumano

The New York Times
Maureen Dowd

Em Washington
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
George W. Bush não consegue se satisfazer com o Iraque. Uma mãe revoltada com a morte de um soldado está acampando diante da sua fazenda em Crawford, Texas, exigindo ver um presidente que prefere que sua simpatia seja cuidadosamente coreografada.

Uma nova pesquisa do grupo CNN-"USA Today"-Gallup mostra que a maioria dos americanos atualmente acha que a guerra foi um erro e que tornou os EUA mais vulneráveis ao terrorismo. Então, quer dizer que combatê-los lá significa que é mais provável que tenhamos que combatê-los aqui?

Donald Rumsfeld admitiu na terça-feira (9/8) que bombas sofisticadas estavam passando da fronteira do Irã para o Iraque.

E o grupo Rolling Stones fez um raro intervalo nas odes sexuais para gravar uma canção contra a guerra, chamada "Sweet Neo Con", criticando Condi Rice e Bush. "Você se diz cristão; eu o chamo de hipócrita", canta Mick Jagger.

A Liga Nacional de Futebol (NFL) anunciou na segunda-feira que está se unindo aos Stones e a ABC para promover os jogos de "Monday Night Football". Se houver pressão, a NFL ainda pode mudar de idéia, mas o ambiente parece ter mudado desde que Madonna ficou com medo de mostrar seu clipe contra a guerra, em 2003.

A Casa Branca costumava ser capaz de abafar as críticas alegando que prejudicavam as tropas. No entanto, cada vez mais pessoas estão perguntando à Casa Branca como pretende impedir que nossas tropas sejam prejudicadas.

Cindy Sheehan, californiana de 48 anos com um jeito para relações públicas, diz que vai acampar no calor poeirento perto da fazenda de Bush até poder dizer-lhe cara a cara que é preciso retirar as tropas americanas do Iraque. Seu filho, Casey, especialista do Exército de 24 anos, foi morto em uma emboscada na cidade de Sadr, no ano passado.

O presidente reuniu-se com a família de Casey dois meses depois de sua morte. Demonstrando a falta de jeito de W. em ultrapassar a linha entre seriedade e piada, e seu amor por rótulos genéricos, Sheehan disse que W. referiu-se a ela como "Mamãe" durante o encontro e que passou a sensação de que não sabia quem era seu filho.

A equipe de Bush tentou desacreditar a "Mamãe", mostrando aos repórteres um antigo artigo, em que ela parecia mais amena com W. Se seu marido fosse um agente secreto da CIA, os Bushies poderiam expô-lo. Mas mesmo que enviem um esquadrão de Mães do Swift Boat pela Verdade (grupo que fez propagandas para a campanha de Bush), haverá a oposição das Mães de Fallujah pela Verdade.

É impressionante que a Casa Branca não tenha a sagacidade elementar de fazer Bush simplesmente sair de casa e ouvir a mulher, ou convidá-la para uma xícara de chá. Mas W., que passou quase 20% do seu mandato na fazenda, está enterrado em suas férias de cinco semanas e duas horas diárias de ginástica. Ele pode estar em ótima forma, mas o Iraque certamente não.

É difícil lembrar de algum outro presidente que tenha vivido em tamanho isolamento. Seu ambiente altamente controlado não permite encontros fortuitos com qualquer um que discorde de suas opiniões. Ele nunca tem que se defender para ninguém, e isso prejudica seu entendimento. Ele é um populista que nunca encontra pessoas comuns. Bush diz que o Texas é um lugar onde pode voltar às raízes. Mas ele está se misturando com alguma pessoa além dos Vulcans, Pioneers e Rangers?

A idéia de consolo de W. foi despachar Stephen Hadley, assessor nacional de segurança, para falar com a Sra. Sheehan, assinalando o humanitarismo desumano de sua política externa. Hadley é apenas um terno, um neo-conservador linha dura amargo, que ajudou a incensar os EUA para essa guerra.

Está ficando cada vez mais difícil para o presidente esconder as conseqüências humanas de suas ações e controlar o sentimento gerado pela guerra. Fica difícil cobrir os 1.835 soldados mortos no Iraque; os mais de 13.000 feridos, muitos amputados; e o número de mortes entre civis iraquianos, de 25.000 --ou talvez o dobro, ou o triplo. Pessoas com credenciais impecáveis estão vindo a público com autoridade moral para contrabalançar e desafiar Bush.

Paul Hackett, major Marine que serviu no Iraque e criticou a forma como o presidente conduziu a guerra, perdeu por pouco na semana passada quando concorreu para o Congresso como democrata em um reduto republicano, em Cincinnati. Newt Gingrich advertiu que a disputa deveria "servir de alerta para republicanos" em relação a 2006.

Seletivamente humano, Bush justificou sua guerra no Iraque com as perdas de 11 de setembro. Quando a justificativa de armas de destruição em massa despedaçou-se, ele enfatizou a importância da humanidade dos iraquianos que desejavam a liberdade.

Mas seu humanitarismo continuará desumano enquanto ele não conseguir compreender que é absoluta a autoridade moral de pais que enterram filhos mortos no Iraque. Presidente ignora a dor dos pais que perdem seus filhos no Iraque Deborah Weinberg

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