UOL Notícias Internacional
 

13/08/2005

EUA têm déficit comercial mensal de US$ 58,8 bi

The New York Times
Louis Uchitelle

Em Nova York
O déficit comercial do país aumentou em junho para o nível mais alto em quatro meses, empurrado pelo custo crescente do petróleo importado e a relutância dos estrangeiros em comprar mais daquilo que os Estados Unidos produzem.

O déficit de US$ 58,8 bilhões no comércio de bens e serviços foi US$ 3,4 bilhões acima do nível ligeiramente revisto de maio, informou o governo nesta sexta-feira (12/08). O óleo cru importado e os derivados de petróleo representaram cerca da metade do aumento, e com os preços do petróleo continuando a subir desde junho, a perspectiva é de déficits comerciais ainda maiores nos próximos relatórios.

"Não há muito alívio à vista", disse Nariman Behravesh, economista-chefe da Global Insight, uma firma de previsão e coleta de dados. "Eu não me surpreenderia em ver o déficit mensal ultrapassar US$ 60 bilhões no outono, e permanecer lá."

O déficit comercial recuou no final do inverno e começo da primavera, caindo para US$ 53,6 bilhões em março, e o Departamento de Comércio presumiu que o número de junho manteria tal tendência. Tal suposição foi incorporada na estimativa inicial do departamento do crescimento econômico para o segundo trimestre, que encerrou em junho.

A estimativa inicial era de um aumento de 3,4% no Produto Interno Bruto. Isto foi publicado no final de julho, antes de os números de junho do comércio estarem disponíveis. Agora o déficit de junho provavelmente eliminará entre um ou dois décimos de ponto percentual da estimativa do PIB, disseram alguns economistas.

O motivo é que o gasto adicional em importados representa dinheiro que deixou de ser gasto em bens e serviços domésticos. A produção interna é a fonte do crescimento econômico.

"Nós esperávamos uma revisão para cima na estimativa do PIB para o segundo trimestre, com base em outros dados divulgados recentemente", disse Edward McKelvey, um economista sênior da Goldman Sachs, "mas o comércio está indo na direção oposta".

Nenhum país teve papel maior do que a China no inchaço do déficit comercial em junho. As compras da China nos Estados Unidos subiram míseros US$ 96 milhões, para US$ 3,4 bilhões, mas suas exportações para este país saltaram US$ 1,9 bilhão, para um total de US$ 21 bilhões.

Têxteis, vestuário e produtos eletrônicos tiveram papéis significativos no aumento, que resultou em um déficit comercial de US$ 17,6 bilhões com a China --superando o déficit de US$ 12,8 bilhões com a Europa em junho, o segundo lugar.

O desequilíbrio com a China ganha as manchetes, ofuscando o papel das exportações americanas, que quase sempre aumentam. De fato, elas atingiram o recorde de US$ 106,8 bilhões em junho. Mas elas têm se mantido praticamente neste nível desde abril, apesar da desvalorização de 15% do dólar nos últimos três anos frente as moedas dos mais importantes parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Um dólar mais barato deveria estimular as exportações ao torná-las menos caras em moedas estrangeiras, e estimular a produção em casa ao tornar as importações mais caras.

Behravesh acredita que isto acontecerá, mas primeiro "o dólar deve cair no mínimo mais 20%, incluindo o mesmo percentual frente ao yuan chinês". O yuan teve alta de 2,1% em conseqüência do anúncio do governo chinês, em julho, de que permitirá que o yuan se valorize gradualmente.

Alguns economistas argumentam que tal fé nas taxas de câmbio é equivocada. Eles dizem que o consumo e o crescimento econômico são muito mais fortes nos Estados Unidos do que em outros países, de forma que os americanos consomem importados em um ritmo maior do que as pessoas no exterior.

"O déficit comercial responde mais ao diferencial de crescimento e consumo do que às taxas de câmbio", disse David Malpass, economista-chefe da Bear, Stearns & Co., representando esta posição.

Mas outros economistas estão preocupados com o fato de alguns produtos, antes exportados pelos Estados Unidos, agora não estarem sendo mais produzidos aqui. Eles notam que, apesar de o superávit comercial em serviços --particularmente serviços financeiros-- estar subindo, os valores envolvidos são pequenos demais para compensar o desequilíbrio crescente em bens.

Os aparelhos de televisão e videocassetes, por exemplo, não são mais fabricados nos Estados Unidos ou são produzidos em pequeno número. Mas a demanda é forte, e as importações destes itens totalizaram US$ 8,7 bilhões em junho, superando exportações de US$ 1,9 bilhão.

Os veículos têm seguido um padrão semelhante --US$ 16,4 bilhões em importações contra US$ 6,2 bilhões em exportações-- e também o maquinário, em um momento em que os investimentos das empresas estão crescendo.

"Agora as pessoas se perguntam se podemos voltar a produzir nos Estados Unidos os bens que os americanos querem", disse Catherine L. Mann, membro sênior do Instituto para Economia Internacional. "Eu não sei." Saldo negativo reduz expectativa de crescimento do PIB americano George El Khouri Andolfato

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