UOL Notícias Internacional
 

14/08/2005

Mitsubishi Eclipse 2006: flash de cor na escuridão

The New York Times
Dan Carney

Em Nova York
Um eclipse ocorre quando um corpo celestial encobre a visão de outro, assim como o redesenhado Mitsubishi Eclipse 2006 começou a encobrir o carro da geração anterior, um cupê que alguns entusiastas de carros esportivos nunca abraçaram plenamente. A Mitsubishi espera que o novo Eclipse também encubra a reputação problemática da empresa, devido a resultados financeiros desoladores, escândalos corporativos no Japão e nos EUA e um êxodo de altos executivos.

The New York Times Image 
Modelo de entrada do cupê tem motor 2.4 que gera 163 cavalos; preço inicial é US$ 20 mil

Em um verão em que notícias ruins para a indústria automobilística têm sido tão espessas quanto iogurte fresco, a Mitsubishi finalmente tem um modelo novo em seus showrooms. Ela também encontrou um exemplo positivo que espera reproduzir enquanto prepara uma recuperação: a virada notável da Nissan, há pouco mais de dois anos, da quase insolvência.

A Nissan conseguiu sua recuperação graças a um utilitário esporte básico mas estiloso, o Xterra, que se tornou um sucesso entre os compradores jovens e sustentou a empresa até que outros novos produtos fossem desenvolvidos. A Mitsubishi vê a chegada do Eclipse como um ponto de virada semelhante.

"Eu aponto para a Nissan como um exemplo de uma situação quase semelhante à nossa", disse Dave Schembri, vice-presidente executivo da Mitsubishi Motors North America, em uma recente entrevista. "Nós estamos agora naquele ponto com nosso novo Eclipse."

A empresa precisa deste carro redesenhado para continuar atraindo os clientes para os showrooms enquanto prepara o restante de seu desfile de novos modelos. "Nós teremos seis novos produtos em 26 meses", disse Schembri.

De fato, a empresa está preparando quatro novos modelos, juntamente com duas variações deles, incluindo uma versão conversível do Eclipse que deverá ser lançada, inexplicavelmente, em janeiro. Há dois novos utilitários esportivos e um sedã econômico Lancer redesenhado. A próxima variação de ultra-alta performance do Lancer, o Evolution X, sairá em 2007.

Nos Estados Unidos, a Mitsubishi pagou caro por ter aumentado suas vendas com financiamento sem juros e planos de pagamento alongados, freqüentemente concedidos também para clientes com crédito abaixo do normal. Quando os pagamentos finalmente venciam, muitos compradores simplesmente abandonavam seus carros.

Além disso, no momento de maior dificuldade, a empresa desovou quase metade de sua produção em frotas de carros de aluguel. Quando estes veículos de valor reduzido eventualmente chegaram ao mercado de carros usados, os valores de revenda despencaram.

Agora, disse Schembri, a empresa está vendendo apenas 15% de sua produção para operadores de frotas, e grande parte disto é estrategicamente planejado: a meta é expor clientes potenciais aos carros da Mitsubishi os oferecendo para aluguel. Como resultado, os preços de leilão no atacado subiram, disse Schembri.

Apesar de o novo Eclipse poder dar à Mitsubishi uma base para recuperação, deve ser notado que este cupê de quarta geração, como aquele que veio antes dele, não é um foguete de bolso que visa o público fanático, como era o caso das primeiras duas gerações. Em vez disso, ele é um cupê esporte bem equipado, estiloso, suave e luxuoso que terá apelo junto a fashionistas jovens que ainda gravitam para carros de duas portas.

O corpo hatchback curvilíneo e mais ousado e deve envelhecer melhor do que o carro de terceira geração com lateral chanfrada. De fato, o design é uma reprodução bem fiel do esperto estudo de design Conceito-E revelado na feira do automóvel de Detroit de 2004, com algumas poucas concessões para produção e praticidade.

Pára-lamas foram desenhados sobre as rodas de 17 polegadas (rodas de 18 polegadas são opcionais), enfatizando o design musculoso. Dentro, as opções de cor incluem um aventuroso laranja que acentua o painel de instrumentos de aparência moderna. Os compradores não terão que se preocupar com a possibilidade de seus amigos odiarem a cor chamativa do interior, já que o assento traseiro é praticamente inútil para transporte de passageiros.

O público alvo deverá ficar satisfeito com o sistema de som opcional Rockford Fosgate de 650 watts. Mas jovens audiófilos não gostarão disto: a seção central curvada do painel não aceitará facilmente acessórios e atualizações para aparelhos de som, um elemento significativo na cultura jovem moderna.

O Eclipse GS básico vem com um motor de 2.4 litros e quatro cilindros com 162 cavalos. Equipado com uma transmissão manual padrão de cinco velocidades, o GS é bem rápido e tem o benefício adicional de ser menos caro e mais econômico do que o V-6 disponível. Os jovens motoristas também descobrirão que o preço do seguro é mais baixo para carros de quatro cilindros.

Uma transmissão automática de quatro velocidades está disponível para o motor de quatro cilindros, com ligeira perda em quilometragem e performance.

O Eclipse GS deve competir fortemente em comparações com cupês econômicos voltados para os jovens como Scion tC e Saturn Ion. Se a aparência contar --e entre a base visada de clientes isto certamente conta-- o Eclipse deve facilmente encobrir as alternativas de aparência mais comum.

O Eclipse GT tem um V-6 de 3.8 litros de alta resposta. Com 263 cavalos, o GT acelera rapidamente --a revista "Car and Driver" registrou 0 a 100 km/h em 6,1 segundos. Para quem gosta, a transmissão manual de seis marchas muda facilmente; com o V-6, a transmissão automática tem cinco marchas.

Os entusiastas há muito reclamavam que o último Eclipse tinha derrubado a tocha de performance passada a ele pelas duas primeiras gerações. Mas a empresa nota que apesar daqueles modelos turbo anteriores, com tração nas quatro rodas, terem seus fãs, os garotos corredores que mais gostavam deles não são do tipo que compram muitos carros novos.

Daí a mudança na terceira geração para motor V-6 e tração dianteira, uma combinação mais atraente para jovens adultos com emprego e prestações de casa. Apesar do forte e novo V-6 do Eclipse parecer superá-los no papel, concorrentes ágeis como o Acura RSX e o Mini Cooper continuarão sendo a opção dos verdadeiros entusiastas.

O Eclipse já esteve sujeito a dois recalls, ambos relacionados aos seus freios. O primeiro envolveu um problema com na mangueira de vácuo do servo freio, que podia provocar sua falha. No mês passado, o carro sofreu novo recall para conserto de selos do cilindro do freio instalados de forma inadequada e que podiam fazer os freios parecerem esponjosos.

O Eclipse GT é fabricado em Illinois e compartilha sua arquitetura com dois veículos que podem parecer companheiros improváveis, o utilitário Endeavor e o sedã médio Galant.

Como conseqüência, o Eclipse GT pesa gordos 1.604 quilos com transmissão automática, com 63% do peso nas rodas dianteiras. Este peso na frente e o ajuste da suspensão para viagem confortável penaliza um pouco a direção, que pode ficar estranha quando o carro é bastante exigido.

O efeito mais desconcertante ocorre em desníveis e elevações, ou mesmo quando se muda de pista em uma via lotada --uma que é mais elevada no centro. Quando você acelera para passar, os pneus da frente do carro se esforçam para manter aderência, para que possam transferir a potência substancial do carro ao pavimento. De repente, o trajeto se torna tão imprevisível quanto o rastro de um furacão, com o carro guinando na direção oposta do pneu com mais tração.

A empresa está considerando a adição de uma versão Ralliart do Eclipse, mas alguém poderia esperar que um carro destes teria uma suspensão mais bem desenvolvida.

Enquanto isso, os entusiastas que anseiam pelo turbo e pela tração nas quatro rodas precisam apenas voltar sua atenção para o temível Lancer Evolution IX, uma fera de quatro portas baseado nos carros de competição de rally da Mitsubishi. Ao eliminar tais equipamentos exóticos do Eclipse, a Mitsubishi manteve a atenção em um custo acessível, um aspecto essencial para cupês voltados para o público jovem.

Os preços começam abaixo de US$ 20 mil para o GS. Acrescente a pintura laranja ("pôr-do-sol perolado") e um pacote Sol e Som (um teto solar e som Rockford Fosgate), e o preço de lista atinge razoáveis US$ 21.029. O GT, com seu suave V-6, começa a US$ 24.294.

Um Eclipse mais quente, leve e enérgico seria legal, mas a Mitsubishi tem mais chance de emplacar um sucesso muito necessário de vendas produzindo um carro que parece veloz ao mesmo tempo que o mantém ao alcance de seus clientes pretendidos. O carro continua veloz e fica mais acessível em sua quarta geração George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host