UOL Notícias Internacional
 

16/08/2005

Grande aumento nos impostos das empresas deve diminuir o déficit norte-americano

The New York Times
Robert Pear

Em Washington
O Escritório do Orçamento do Congresso anunciou nesta segunda-feira (15/08) que o déficit do orçamento federal deve cair em 20% neste ano, por causa de um aumento inesperado em pagamentos de impostos de renda empresariais, mas não vê melhoras no cenário fiscal de longo prazo para a próxima década.

O escritório, uma agência orçamentária apartidária, estimou que o déficit cairá em US$ 81 bilhões (em torno de R$ 194 bilhões), para US$ 331 bilhões (aproximadamente R$ 794 bilhões), no atual ano fiscal. O ano passado registrou um déficit recorde de US$ 412 bilhões (cerca de R$ 988 bilhões).

Em março, a agência havia projetado um aumento de 14% na arrecadação de impostos de renda de pessoas jurídicas neste ano, mas revisou esse aumento para 42%, ou US$ 80 bilhões (em torno de R$ 190 bilhões), fechando em US$ 269 bilhões (R$ 645 bilhões) neste ano, de US$ 189 bilhões (cerca de R$ 453 bilhões) em 2004.

Douglas J. Holtz-Eakin, diretor do escritório, disse: "O cenário do orçamento melhorou notavelmente neste ano fiscal de 2005, mas pouco mudará na próxima década, e a economia continua em boa forma."

O deputado John M. Spratt Jr. democrata da Carolina do Sul, mais alto membro do partido no Comitê do Orçamento da Câmara, disse que a projeção para este ano "pode parecer melhor por comparação com os déficits de 2003 e 2004, que foram os piores na história". Mas, "com US$ 331 bilhões, o déficit para 2005 ainda está entre os três primeiros".

Para o senador Judd Gregg, diretor do Comitê de Orçamento do Senado, republicano de New Hampshire, o relatório confirmou que as políticas instauradas pelo Congresso e o presidente Bush estavam reduzindo o déficit, beneficiando empresas e criando empregos. Ele disse, porém, que o aumento desmedido nos programas de benefícios federais "ameaça nossa estabilidade econômica" e prometeu deter esse crescimento com a introdução de leis pelo Congresso neste outono.

O atual ano fiscal termina dentro de sete semanas. Portanto, essas mais recentes estimativas para 2005 são consideradas altamente confiáveis. O escritório de orçamento prevê que o déficit será de US$ 314 bilhões (cerca de R$ 753 bilhões) em 2006 e vai continuar acima de US$ 300 bilhões (aproximadamente R$ 720 bilhões) por ano até 2010.

Para financiar o déficit, o Tesouro pega dinheiro emprestado do público.

A dívida sustentada pela vontade pública totalizou US$ 4,6 trilhões (em torno de R$ 11 trilhões) neste ano, um aumento em relação ao ano passado, quando foi de US$ 4,3 trilhões (aproximadamente R$ 10 trilhões). As previsões do escritório são de que chegará a US$ 6,3 trilhões (em torno de R$ 15 trilhões) em 2020.

O novo relatório documenta duas tendências. Uma delas é um aumento nos gastos federais com benefícios individuais, promovido pelo envelhecimento da população. A segunda é uma expectativa de que o governo contará mais com o imposto de renda de pessoas físicas e menos com impostos de pessoas jurídicas.

Sob a lei atual, os gastos com previdência privada, Medicare e Medicaid vão dobrar na próxima década e chegarão a mais da metade de todo o gasto federal em 2015, segundo o escritório do orçamento.

O governo federal gastará 42% do orçamento nesses programas este ano, ou US$ 1,04 trilhão (aproximadamente R$ 2,4 trilhões). No entanto, em 2015, os três programas vão consumir 53% de todo o orçamento --US$ 2,08 trilhões, de US$ 3,9 trilhões (R$ 4,9 trilhões, de R$ 9,3 trilhões).

A agência disse na segunda-feira que a "economia continuará expandindo em um ritmo saudável", crescendo em 3,7% neste ano e 3,4% no próximo. Entretanto, disse que a inflação será mais alta do que esperado, em parte por causa da alta do petróleo.

Isenções fiscais

Os impostos foram uma característica central da política interna do presidente Bush. Muitos dos cortes de impostos adotados em seu governo expiram em 2011. Assumindo que essas mudanças ocorram na data prevista, o escritório de orçamento prevê que o imposto de renda de pessoa física será responsável por 53% da receita federal até 2015, sendo 42% hoje.

No entanto, a colaboração do imposto de renda de pessoa jurídica deve encolher de 13% neste ano para 8% de toda a renda federal até 2015.

O Congresso aumentou os gastos significativamente desde março, quando o escritório do orçamento fez sua última previsão oficial. A agência agora prevê déficits anuais de US$ 2,1 trilhões (cerca de R$ 5 trilhões) de 2006 a 2015.

Isso significa mais que o dobro de US$ 890 bilhões (aproximadamente R$ 2,1 trilhões) previstos em março. Além disso, o total cumulativo dos déficits federais será ainda mais alto se o Congresso tornar permanentes os atuais cortes de impostos, como propôs Bush --US$ 1,3 trilhão (cerca de R$ 3,1 trilhões) a mais na próxima década.

Bush e muitos republicanos dizem que os cortes de impostos devem ser estendidos para manter a economia forte. Mas o escritório de orçamento disse que tal extensão pode aumentar o déficit em mais de US$ 250 bilhões (cerca de R$ 753 bilhões) por ano de 2012 a 2015.

Holtz-Eakin disse que os pagamentos de impostos de renda pelas empresas estavam crescendo mais do que os lucros corporativos e que não sabia por quê. A agência entende que 75% do aumento verificado neste ano será temporário, e 25% permanente.

Em seu relatório, o escritório também estimou que:

  • A receita total deve aumentar 14% neste ano, para US$ 2,1 trilhões (aproximadamente R$ 5 trilhões), enquanto as despesas devem aumentar 8%, para quase US$ 2,5 trilhões (em torno de R$ 6 trilhões). A economia vai crescer mais lentamente do que a arrecadação. Então, pela primeira vez desde 2000, a arrecadação será uma proporção maior do PIB.

  • Subsídios federais pagos aos produtores agrícolas vão dobrar, de US$ 9 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões) em 2004 para quase US$ 18 bilhões (R$ 43 bilhões) neste ano. Os preços dos produtos agrícolas caíram significativamente neste ano, então os agricultores têm direito a maior assistência. As despesas com selos alimentares chegarão a quase US$ 33 bilhões (cerca de R$ 70 bilhões) neste ano, subindo de US$ 29 bilhões (cerca de R$ 69 bilhões).

  • Gastos com bolsas para estudantes aumentarão 75%, de US$ 8 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) no ano passado para US$ 14 bilhões (em torno de R$ 33 bilhões) neste ano. Depois, porém, ficarão em torno de US$ 8 bilhões por ano, de 2006 até 2011. Mas o saldo negativo segue alto, o 3º maior da história em 2005 Deborah Weinberg
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