UOL Notícias Internacional
 

17/08/2005

Comunistas norte-coreanos visitam pela primeira vez Parlamento em Seul

The New York Times
James Brooke
Em Seul, Coréia do Sul
Os líderes do Partido Comunista da Coréia do Norte, exibindo seus buttons de lealdade a Kim Jong Il, fizeram uma visita na terça-feira à Assembléia Nacional, um Parlamento conhecido pelos debates ásperos que às vezes terminam em trocas de socos.

A visita, a primeira de norte-coreanos à Assembléia Nacional, foi a etapa mais recente de uma viagem de quatro dias em comemoração ao 60º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial e da independência da Coréia do governo colonial japonês.

A viagem culminou na quarta-feira com um encontro com o presidente Roh Moo-hyun e um banquete na sede da presidência, a Casa Azul. Kim Ki Nam, secretário do Comitê Central do Partido Comunista, é um confidente do líder da Coréia do Norte, Kim Jong Il.

No domingo, o primeiro dia da visita, Kim Ki Nam liderou a delegação de 30 norte-coreanos até o Cemitério Nacional da Coréia do Sul. O cemitério contém os restos mortais dos sul-coreanos mortos na Guerra da Coréia, juntamente com outros veteranos. Fazendo uma pausa diante da torre memorial de 30 metros onde os nomes de 104 mil sul-coreanos mortos na guerra estão gravados, os norte-coreanos curvaram suas cabeças em silêncio por 10 segundos.

"Foi uma decisão difícil, e era um obstáculo que eventualmente teríamos que superar", disse Lim Tong Ok, o autor sênior de política do partido para Coréia do Sul, aos repórteres após a visita.

Hong Yun-sik, uma autoridade sul-coreana que organizou a visita, disse: "Era muito importante que as autoridades norte-coreanas prestassem homenagem no cemitério de guerra, muito importante para as relações intercoreanas.

Mais tarde no domingo, em um jogo de futebol entre as Coréias do Norte e do Sul, os torcedores foram encorajados a acenar a "bandeira da unificação" -uma bandeira branca com toda a Península Coreana em azul.

A agenda prosseguiu em uma ex-prisão japonesa na segunda-feira, a data do aniversário. Os dois lados encontraram um ponto em comum entre as paredes de cimento cinza onde ativistas coreanos pela independência foram torturados durante o governo colonial japonês.

Uma declaração conjunta dos organizadores norte e sul-coreanos do evento condenou o "embelezamento" por parte do Japão de sua história da Segunda Guerra Mundial.

Se referindo ao trabalho do Japão com os Estados Unidos para a construção de um escudo de defesa antimísseis, a declaração exigiu que o Japão "se retire do sistema de defesa antimísseis".

Em uma entrevista para jornalistas sul-coreanos, os delegados norte-coreanos alternaram repetidamente seus alertas hostis contra o Japão e os Estados Unidos.

Jang Geum Sook, um organizador civil norte-coreano do evento do 60º aniversário, alertou em uma entrevista: "Nós ainda vemos as sombras escuras da influência estrangeira na Península Coreana. Ainda hoje, há treinamentos militares conjuntos na Coréia do Sul".

Durante os eventos, a polícia isolou pequenos grupos de manifestantes sul-coreanos que exigiam reformas democráticas e proteções dos direitos humanos na Coréia do Norte. Enquanto as forças antinorte-coreanas pareciam desmoralizadas com a visita, cerca de 12 mil estudantes universitários e sindicalistas realizaram um comício na segunda-feira, acenando as "bandeiras da unificação" e cantando: "Vamos promover a reunificação independente. Expulsem as tropas americanas".

Em uma pesquisa Gallup/Chosun Ilbo divulgada na segunda-feira, dois terços dos sul-coreanos em idade militar, de ambos os sexos, disseram que ficariam do lado da Coréia do Norte em caso de uma guerra entre esta e os Estados Unidos.

A comemoração ocorreu duas semanas antes da reunião de negociação para o desarmamento nuclear da Coréia do Norte, envolvendo seis países, que será realizada em Pequim. A Coréia do Sul, que participa das negociações, tem ajudado a Coréia do Norte, primeiro ao conseguir a retomada das negociações estagnadas, depois ao romper com os Estados Unidos para dizer que a Coréia do Norte deve ter o direito de ter reatores nucleares para energia. Excursão faz parte das comemorações dos 60 anos da rendição japonesa na 2ª Guerra Mundial George El Khouri Andolfato

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