UOL Notícias Internacional
 

17/08/2005

Governadores declaram estado de emergência na fronteira entre EUA e México

The New York Times
Ralph Blumenthal
Novo México
Citando uma explosão da entrada de imigrantes ilegais e da violência ao longo da fronteira, os governadores do Arizona e do Novo México declararam estado de emergência nos últimos dias, culpando autoridades
estadunidenses e mexicanas e liberando verbas federais e estaduais para fortalecer as operações da polícia local.

"Ambos os governos federais nos deixaram na mão. Para eles não parece haver qualquer sensação de urgência", criticou a governadora do Arizona, Janet Napolitano, uma democrata que tentará se reeleger no ano que vem,
em uma entrevista dada por telefone na terça-feira (16/08), um dia após ter declarado estado de emergência em quatro municípios de fronteira.
Napolitano disse que os fazendeiros estão furiosos com os imigrantes ilegais que causam danos às suas propriedades e rebanhos.

O governador Bill Richardson, do Novo México, um democrata que também tentará a reeleição e que poderá concorrer à Casa Branca em 2008, declarou estado de emergência na última sexta-feira, após visitar a
turbulenta região fronteiriça onde um chefe de polícia teria sido baleado na semana passada.

"Esse é um ato de desespero", disse Richardson em uma outra entrevista por telefone. Ele acrescentou que os problemas de fronteira foram além da imigração ilegal e dos crimes violentos. Segundo ele, a ação
proporcionará recursos "até que o Congresso e as autoridades federais lidem com o problema". "Mas esta não é uma medida de caráter político - eu jamais mencionei o governo Bush", acrescentou.

As ações dos dois Estados se seguiram a uma série de incidentes violentos, incluindo o assassinato de uma mulher do Novo México que foi baleada na cabeça por um policial mexicano nas proximidades de Ciudad Juarez, em 30 de julho, e a destruição, em março, de um veículo Hummer, que tentava fugir de agentes da Patrulha de Fronteira, em uma ação que deixou quatro imigrantes ilegais mortos. Clare May, chefe do Departamento de Polícia em Columbus, disse que em 9 de agosto duas balas passaram sobre a sua cabeça quando ela examinava veículos abandonados.

O Arizona continua sendo a porta ilegal de entrada mais movimentada da fronteira sudoeste, e todo ano vários imigrantes ilegais são encontrados mortos nos desertos do Estado devido à temperatura inclemente. Os dois governadores disseram que as suas ações disponibilizarão US$ 1,75 milhão no Novo México e US$ 1,5 milhão no Arizona para a contratação de mais xerifes e policiais, a cobertura de custos adicionais e a compra de mais equipamentos. Nenhuma aprovação federal é exigida para tais medidas.

Luis Barker, vice-chefe da Patrulha de Fronteira, entrevistado na terça-feira pelo telefone durante uma visita a El Paso, disse a respeito das ações estaduais: "Não creio que elas devam ser encaradas como críticas". Segundo ele os agentes federais estão trabalhando em conjunto com os estaduais, e o número de prisões no Arizona diminuiu, o que significa
sucessos. "Se houver coordenação, creio que isso será muito útil".

Na terça-feira, no México, o presidente Vicente Fox, visitando o Estado de Sonora, ao longo da linha divisória com o Arizona, pediu às autoridades estadunidenses que façam mais do que apenas soarem alarmes devido à criminalidade que infesta os dois lados da fronteira, e que trabalhem com as autoridades mexicanas para encontrar soluções. Ele disse que o problema da criminalidade é "uma responsabilidade conjunta de ambos os governos".

"Em vez de cada um de nós trabalhar do seu lado da fronteira, devemos trabalhar em conjunto. Essa é a única forma de vencer", afirmou Fox. "Existe crime organizado aqui e lá. Deste e daquele lado há consumo
de drogas. A única solução é trabalharmos juntos". Geronimo Gutierrez, sub-secretário do Ministério das Relações Exteriores, estava em reunião com autoridades do governo Bush em Washington e reiterou o compromisso
do México com a criação de "uma fronteira segura e próspera".

"Existe uma preocupação real nos Estados Unidos a respeito da segurança interna", disse ele. "Mas as pessoas daqui estão subestimando o que ambos os governos federais estão fazendo para combater o crime na fronteira".

Richardson afirmou que está "agindo devido à frustração", mas que a sua declaração de emergência não deve ser vista como uma crítica à Patrulha de Fronteira. "Estou criticando toda a estrutura federal no que diz respeito à imigração", afirmou. "A Patrulha de Fronteira está fazendo um bom trabalho".

Barker, da Patrulha de Fronteira, disse que a agência, que compõe o Departamento de Segurança Interna, acrescentou 305 agentes, desde outubro do ano passado, às suas 12 estações que vão de West Texas e El Paso até a fronteira com o Arizona, fazendo com que o número total de agentes chegasse a 1.226.

"É um trabalho que está em andamento", afirmou. Allan Weh, presidente do Comitê do Partido Republicano no Novo México, disse em uma entrevista por telefone na terça-feira que a organização cumprimentou Richardson "por ter tomado medidas quanto às preocupações que nos afligem há tanto tempo". Mas Weh, um coronel da reserva que serviu no Iraque e no Vietnã, disse também: "É claro que há motivos políticos por trás das ações do governador". De acordo com ele, Richardson está tentando manter a sua tradicional base democrata "e se posicionar no centro".

Já Richardson garantiu que só foi motivado por preocupações quanto à segurança pública. Ele disse que não está preocupado com a possibilidade de desagradar os hispânicos, que formam uma das suas principais bases eleitorais. "Eu tenho o Estado mais amigo dos imigrantes", garantiu, citando a sua política de concessão de carteiras de motorista independentemente do status do indivíduo junto às autoridades de
imigração.

Quanto aos boatos de que estaria de olho na Casa Branca, Richardson disse: "Estou concorrendo à reeleição a governador do Novo México. Tenho problemas suficientes".

No Arizona, os republicanos também sugerem que as motivações de Napolitano podem ser políticas. "É óbvio que a governadora sabe muito bem ler as pesquisas", disse o deputado estadual Russel Pearce, segundo o jornal "The Arizona Republic". "É um começo, mas muito mais precisa ser feito".

Em julho, Napolitano se reuniu com cerca de 100 supervisores policiais para discutir a entrada ilegal de imigrantes e a violência na fronteira. Na semana passada ela escreveu a Michael Chertoff, secretário de Segurança Interna, dizendo que "está cada vez mais desapontada com a falta de recursos" e reclamando que os seus esforços no sentido de que 12 policiais estaduais trabalhem ao lado de agentes federais de patrulha de fronteira e de imigração foram rechaçados.

Napolitano disse em uma entrevista que não está vendo melhoras na segurança da fronteira. "Farei tudo que tiver que fazer quanto a este problema para chamar a atenção de Washington", afirmou. No Texas, o governador Rick Perry, um republicano que concorre à reeleição no ano que vem, não está atualmente pensando em declarar estado de emergência,
disse o seu porta-voz, Robert Black. "O governador disse que continuará frisando que não é possível haver segurança interna sem segurança de fronteira. Ele disse ainda que o governo federal precisa assumir um
grande compromisso com a remessa de recursos e de patrulheiros para a fronteira entre o Texas e o México". Mas Black afirmou que não está descartada a adoção de nenhuma medida. Autoridades do Novo México e do Arizona reclamam de governos federais e liberam verbas para a polícia Danilo Fonseca

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