UOL Notícias Internacional
 

17/08/2005

Uma das caixas-pretas do avião grego que caiu foi destruída na queda

The New York Times
Anthee Carassava
Em Atenas
Investigadores gregos que tentam esclarecer os eventos que levaram ao mais mortífero desastre de avião do país disseram na terça-feira (16/8) que uma das duas caixas-pretas recuperadas do desastre estava "eviscerada", provavelmente inutilizada pela colisão.

Ao mesmo tempo, peritos confirmaram que ao menos 24 pessoas a bordo do avião de passageiros cipriota, inclusive o co-piloto e um comissário de bordo, estavam vivos quando o Boeing 737 colidiu contra a montanha, ao norte de Atenas, no domingo.

Com o vôo em apuros, dois caças F-16 viram o co-piloto caído sobre os controles, o que gerou especulações de que ele e outros a bordo tivessem desmaiado por falta de oxigênio.

As descobertas médicas na terça-feira reforçaram a teoria de que um problema no sistema de oxigênio do avião pode ter precipitado sua queda. Uma perda repentina de pressão da cabine provavelmente teria matado todos a bordo antes do impacto, disseram os especialistas.

Com outros 96 corpos carbonizados esperando exame, os investigadores relutaram em tirar conclusões definitivas sobre as causas do acidente.

"Os resultados dessas autópsias iniciais, até agora, mostram que os passageiros morreram de ferimentos e fraturas múltiplas resultantes do acidente", disse Nikos Kalogrias, um dos sete médicos legistas conduzindo autópsias nos corpos recuperados.

Ao todo, 120 corpos, inclusive da mais jovem passageira, uma menina de 4 anos, foram recuperados dos destroços da nave cipriota, espalhados pela encosta a cerca de 25 km ao norte de Atenas.

O corpo do piloto, considerado crucial pelos investigadores, ainda não foi encontrado.

O Boeing 737 da Helios Aircraft caiu em uma área montanhosa ao norte de Atenas, no domingo, uma hora e meia após registrar problemas com seu sistema de ar-condicionado, depois perder contato com controladores de tráfego no Chipre.

Investigadores gregos disseram na terça-feira que o impacto do acidente foi tamanho que uma das caixas-pretas, críticas para a compreensão do que aconteceu antes da queda, foi danificada. Fabricada para resistir a condições severas, inclusive temperaturas de 1.000 graus C, ela estava situada na parte traseira do avião.

Mesmo assim, só o que sobrou do aparelho foi a caixa de aço. Dentro, não havia o gravador de áudio da cabine do piloto.

"Felizmente, temos a segunda caixa-preta com o gravador de dados do vôo", disse Akrivos Tsolakis, chefe do comitê de segurança de aviação grego.

Tsolakis disse que a caixa seria enviada para a França, onde especialistas decodificariam seus registros.

No início da terça-feira, especialistas americanos em aviação, do Conselho Nacional de Segurança em Transportes, inspecionaram o local do acidente, mas não quiseram tecer comentários.

Nos últimos anos, porém, o conselho expressou preocupação com a possibilidade dos pilotos não terem tempo suficiente de colocarem máscaras de oxigênio.

Os investigadores e autoridades da Força Aérea Grega disseram que uma falha no suprimento de oxigênio no avião da Helios poderia explicar porque os pilotos não seguiram os procedimentos padrão de despressurizarão, nem procuraram altitudes mais baixas, onde os níveis de oxigênio são mais altos.

Kalogrias, um dos investigadores, disse que não havia sinais de asfixia ou envenenamento nas 24 autópsias feitas no final de terça-feira.

Exames toxicológicos, porém, foram encomendados para determinar se os passageiros ou membros da tripulação tinham inalado fumaça do sistema de oxigênio defeituoso.

"Mesmo que esses traços sejam encontrados", disse o investigador em entrevista telefônica, "simplesmente explicarão porque alguns dos passageiros desmaiaram ou tiveram reações retardadas". Peritos afirmam que pelo menos 24 pessoas estavam vivas no momento da colisão contra a montanha Deborah Weinberg

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