UOL Notícias Internacional
 

19/08/2005

Brasil busca reduzir mais o custo droga anti-Aids

The New York Times
Paulo Prada

Em Brasília
Após um impasse no mês passado, o Ministério da Saúde do Brasil anunciou nesta quinta-feira (18/08) que está pressionando o laboratório Abbott para reduzir o preço do Kaletra, um importante medicamento para Aids, sob risco de fabricantes brasileiros quebrarem a patente do medicamento e produzi-lo a um custo menor.

Um porta-voz do Ministério, Estênio Brasileino, disse na quinta-feira que o governo enviou uma carta ao Abbott na semana passada, depois de vários laboratórios brasileiros terem notificado o ministério de que podiam fabricar e vender uma versão genérica da droga, atualmente comprada do Abbott por US$ 1,17 a pílula, por 41 centavos a pílula.

Após as negociações com o Abbott em julho, o ministro da Saúde do Brasil, Humberto Costa, que estava de saída, afirmou que o governo chegou a um acordo com o laboratório no qual este reduziria o preço do Kaletra em um valor não revelado. Sem discutir os termos, o governo declarou que a redução do preço economizaria US$ 259 milhões em seis anos.

O Kaletra, um anti-retroviral amplamente usado, é um dos vários medicamentos que fazem parte do chamado coquetel utilizado para tratar pacientes com HIV.

Mas, menos de uma semana depois, José Saraiva Felipe, o sucessor de Costa, descartou o acordo e disse que o Brasil pressionará por uma maior redução.

O Abbott, que tem sede em Abbott Park, Illinois, anunciou que se reuniu com o governo brasileiro há cerca de uma semana e continua negociando uma possível mudando de preço.

"Nós tínhamos o que considerávamos um acordo muito bom", disse Brian Kyhos, um porta-voz da sede da Abbott. Diante das novas exigências, ele acrescentou, "nós continuaremos buscando um preço com o qual o Brasil possa concordar e honrar".

As exigências brasileiras refletem os esforços do governo para reduzir os custos crescentes do ambicioso programa para Aids do país, que fornece medicamento e tratamento gratuitos para os infectados. O custo do Kaletra corresponde a quase um terço dos mais de US$ 300 milhões que o país gasta por ano em medicamentos para o programa.

Acredita-se que, no momento, cerca de 170 mil pessoas no Brasil, o país mais populoso da América Latina, estejam infectadas com o HIV, segundo números do governo.

Os números crescentes, argumenta o governo, lhe permitiriam declarar um estado de emergência nacional de saúde --uma medida que, segundo as regras da Organização Mundial do Comércio, permitiria ao Brasil quebrar as patentes dos medicamentos e pagar 3% de royalties para os fabricantes pelos direitos de produção das cópias.

O impasse com o Abbott é a mais recente de várias batalhas travadas pelo governo brasileiro para reduzir o custo dos medicamentos nos países em desenvolvimento. Novo ministro da Saúde quer obter desconto maior pelo Kaletra George El Khouri Andolfato

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