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19/08/2005

Ex-governador de Massachusetts William Weld concorrerá ao governo de Nova York

The New York Times
Patrick D. Healy

Em Nova York
William F. Weld, ex-governador republicano de Massachusetts, disse nesta quinta-feira (18/08) que pretende concorrer ao mesmo cargo, mas no Estado de Nova York, no próximo ano. Ele espera que sua plataforma de corte de impostos e liberalismo social faça dele o primeiro governador de dois Estados desde Sam Houston [que governou os Estados de Tenessee e Texas no século 19].

Chester Higgins Jr./The New York Times 
Republicanos pretendem manter o liberal Estado de NY com um candidato moderado
Weld, nova-iorquino que hoje é consultor de investimentos, disse que tinha sido incitado a concorrer, entre outros, pelo ex-prefeito Rudolph W. Giuliani, amigo de longa data. Karl Rove, assessor político da Casa Branca, que trabalhou para Weld nos anos 90, também pediu que considerasse concorrer contra Eliot Spitzer, provável candidato democrata.

Os dois concordaram que era possível derrotar Spitzer, de acordo com republicanos informados das conversas.

Weld, que é pouco conhecido em Nova York fora dos círculos políticos e da sociedade, disse que seu desejo de concorrer nascia estritamente de "motivação pessoal" e por acreditar que os nova-iorquinos hoje apreciavam os líderes republicanos moderados, redutores de impostos.

"Estou realmente animado com essa disputa e quero voltar ao serviço público", disse ele em entrevista telefônica de Kentucky, onde estava a trabalho para sua firma, a Leeds Weld & Co.

Com o governador George E. Pataki deixando o cargo no próximo ano e a indicação republicana ainda em aberto, o tipo de política de Weld pode se provar um desafio à altura de Spitzer, o escrupuloso e popular procurador-geral do Estado. Em um exemplo do jeito afável e imprevisível de Weld, certa vez ele mergulhou de roupa e tudo no rio Charles para provar que era limpo.

O candidato, porém, terá muitos desafios, dizem analistas políticos. Seu liberalismo ajudou-o em Massachusetts, um Estado muito democrata, mas pode afastar os conservadores do norte do Estado de Nova York e eleitores suburbanos, que podem ser cruciais nas disputas para o Estado de Nova York.

Na quinta-feira, de fato, ele foi atacado pelos dois lados por seu apoio ao casamento entre homossexuais, ao qual agora ele diz opor-se, a não ser em Massachusetts.

Ainda assim, a vitória de Weld quando era o azarão em 1990 e sua reeleição por ampla maioria em 1994, importam mais do que questões políticas específicas neste momento para os líderes republicanos de Nova York. Pataki conversou com Weld e planeja reunir-se com ele em breve, disse um porta-voz. O diretor do partido no Estado, Stephen J. Minarik, vai encontrar Weld na sexta-feira.

Membros do partido vêem Weld como uma mistura possível de seus maiores sucessos recentes: Pataki, Giuliani e o prefeito Michael R. Bloomberg (que, incidentalmente, foi criado em Massachusetts).

Como esses três homens, Weld defende o direito ao aborto e direitos iguais para homossexuais. Ele compartilha o fervor de Pataki pela proteção ambiental e impostos mais baixos. Ele também é ex-promotor federal e é tido pelos republicanos como forte em justiça criminal e combate ao terrorismo, duas questões que Spitzer provavelmente ressaltará no ano que vem.

Como Bloomberg, Weld não gosta de guerras ideológicas, e seu estilo amigável é enfeitado pelo senso de humor de um bon-vivant de 60 anos, que adora citar a banda Grateful Dead. Ele se deu bem com a Assembléia Legislativa controlada pelos democratas durante seu governo em Massachusetts e fez uma série de debates amplamente elogiados em 1996, durante a disputa contra o senador John Kerry, que o derrotou em uma eleição duramente disputada.

"O que torna Weld especial é essa qualidade intangível de ser capaz de se relacionar e conversar com as pessoas, qualquer pessoa, e fazê-las sorrirem e gostarem dele", disse Stuart Stevens, consultor de mídia cuja firma concordou em assessorar Weld se ele concorrer.

Stevens disse que Weld era menos conhecido em Massachusetts em 1990 do que é hoje em Nova York, onde nasceu e se criou e tem vários imóveis com sua segunda mulher, Leslie Marshall, escritora.

Muitas pessoas próximas a Weld, porém, admitem que basicamente ele é uma figura desconhecida localmente que, apesar de rico, não tem a fortuna pessoal de Bloomberg para usar em propagandas de televisão. Weld também não tem a base de apoio das etnias em Nova York.

"Será que os nova-iorquinos aceitarão um sujeito que não teve perfil público desde que chegou aqui, nenhuma questão forte para promover, e tem que levantar US$ 40 milhões (em torno de R$ 96 milhões) a partir do nada para ser competitivo?" perguntou Hank Sheinkopf, consultor político democrata que assessorou Spitzer em sua campanha de 1998 para advogado-geral, mas agora não trabalha para ele.

"Ele terá que passar metade do tempo provando que realmente é nova-iorquino, antes mesmo de poder tocar nas questões", disse Sheinkopf.

Weld, que se mudou para Nova York em 2000, disse que acreditava que seus anos em Massachusetts se traduziriam bem em seu Estado natal.

Se vencer, seguirá os passos de Houston, que foi governador do Texas e do Tennessee em meados do século 19.

Weld disse que ia procurar cortar os impostos sobre ganhos de capital e de renda em Nova York, reformar a educação pública, proteger firmemente o meio-ambiente e coibir o abuso do Medicaid. "Eliot Spitzer devia ter corrido atrás da fraude no Medicaid", disse ele quinta-feira, "Mas estava muito ocupado correndo atrás de Wall Street para criar manchetes para si mesmo."

Durante seu mandato como governador, de 1991 a 1997, ele quis eliminar a fama do Estado de "Taxachusetts" e cortou os impostos cerca de 20 vezes. Um estudo independente, no entanto, concluiu que as reduções beneficiaram predominantemente os ricos.

Weld também ajudou a cortar ao meio o desemprego do Estado, de cerca de 10%, e defendeu uma grande lei de educação que incluía novos testes estaduais para os alunos.

No entanto, sob seu mandato, com a Assembléia dominada por democratas, os gastos do governo deram um salto e a carga tributária continuou relativamente alta. Muitos democratas reclamaram que ele cumpria horário bancário e que parecia entediado com o trabalho. Weld, que manteve a firma de Rove em suas disputas para governador, disse que Rove "é um amigo, uma pessoa que me conhece bem". Ele não quis comentar sua recente conversa.

Weld renunciou ao governo de Massachusetts em 1997, quando o presidente Clinton nomeou-o embaixador no México. Sua nomeação, porém, morreu nas mãos do senador Jesse Helms, republicano da Carolina do Norte, que disse que achava que Weld era liberal demais sobre legalização das drogas e outras questões sociais como direitos dos homossexuais.

Antes da luta pela confirmação, Weld praticamente endossou o casamento gay. Mesmo fora do cargo, ele apoiou entusiasticamente a determinação da corte de Massachusetts em 2003, que permitiu esses casamentos, e leu uma homília no casamento de um amigo de faculdade gay, no ano passado.

Weld disse na quinta-feira que apoiava o casamento gay somente em Massachusetts, porque a decisão legal era uma interpretação correta da Constituição do Estado. Ele disse que apoiava uniões civis --não casamentos-- entre gays em Nova York e outros Estados.

O Partido Democrata do Estado de Nova York rapidamente atacou Weld por "virar casaca" e um grupo de direitos gays de Nova York disse que se sentia decepcionado com ele.

Michael Long, diretor do Partido Conservador do Estado, disse que Weld ainda ficava muito entusiasmado com direitos de gays para ter o endosso do seu partido.

"Weld admitiu ao telefone que ele e eu talvez tenhamos diferenças em questões sociais", disse Long. "Acho que suas opiniões sociais tornam as coisas bem difíceis para ele." Republicano liberal pode ter chance contra o democrata favorito Deborah Weinberg

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