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19/08/2005

Mergulhar no paraíso radical das piscinas naturais

The New York Times
Marek Fuchs

Em Nova York
Em cima de uma pedra de 3,5m, nas margens de uma piscina verde esmeralda no rio Mad em Vermont, Katherine Simao, 16, hesitou por um momento, depois pulou. Com cabelos negros voando, mergulhou espirrando água. Um segundo depois, apareceu com um grito. Seu veredicto: a água, que vem do golfo de Granville, Vermont, não estava "anestesiante". Buscando o adjetivo correto, disse que estava "surpreendente".

Suzy Allman/The New York Times 
A busca por piscinas naturais em Vermont pode exigir alguma habilidade em alpinismo

Ela estava em uma viagem com seu tio, Dave Hajdasz pelo Estado, procurando as melhores piscinas naturais, onde qualquer um com alguma orientação e coragem pode encontrar beleza transcendente e águas geladas --as melhores oportunidades de nadar ao natural que o verão pode oferecer.

Não era apenas uma viagem de prazer. Hajdasz é o correspondente regional de um site da Web chamado swimmingholes.info, um guia de piscinas naturais informais, oferecendo mapas, descrições e fotografias de 750 locais para mergulho nos EUA e Canadá.

O site da Web foi criado há 10 anos por Thomas Hillegass, 62, engenheiro aposentado do governo federal. "Alguns fazem coleção de selos, outros coleção de moedas", disse Hillegass, que mora na Alexandria, para explicar sua obsessão.

Hillegass foi criado na Filadélfia e evitava piscinas públicas por medo da pólio. "Mas havia um poço lamacento de má reputação, do qual eu gostava", disse Hillegass, acrescentando que não perdeu o fascínio. Durante anos, ele colecionou menções de piscinas naturais, freqüentemente encontradas em livros de caminhada.

Em 1995, ele inaugurou o site com descrições de apenas 35 piscinas naturais. Os dados incluíam como chegar, se os poços eram oficialmente aprovados e se ficavam próximos a pontos para acampamento.

Em 2001, Hajdasz associou-se como correspondente do site na Nova Inglaterra e, desde então, os dois acrescentaram um mapa interativo e recomendações de pontos especialmente bons para crianças e viajantes. Em julho, sempre o mês mais movimentado, o site registrou 65.000 visitantes, disse Hillegass.

Hajdasz foi infectado com a mania de nadar em piscinas naturais quando tirou férias para viajar de bicicleta em Vermont com sua mulher, Joanna deBear, em 1998. Hajdasz entrou em uma loja local para comprar um mapa da área e o vendedor, acidentalmente, deu-lhe um livro sobre piscinas naturais, de Jason Minor, chamado "Make a Splash".

"Desculpe-me, não é isso que o senhor quer", disse o homem, retirando o livro.

"Espere, é isso que eu quero", disse Hajdasz.

Exatamente o que constitui uma piscina natural é discutível. O livro de Minor, que Hajdasz considera sua bíblia sobre o assunto, explica da seguinte forma: "Se você acompanhar a água em sua descida prateada de uma montanha, você descobrirá quedas e vales que trovejam como os deuses primordiais."

Hajdasz faz menos floreios, dizendo que, para ele, uma piscina natural é uma depressão em um corpo de água natural, em geral rio ou córrego, que cubra a pessoa ao menos até o pescoço.

Em um final de semana quente e úmido, no que tem sido um verão duramente quente e úmido, Hajdasz convidou sua mulher e duas sobrinhas, Katherine e sua irmã, Jessica, universitária de 18 anos, em sua viagem anual a Vermont. Junto com seu calção de banho, levou um aparelho de GPS para assinalar a localização precisa das piscinas, uma câmera digital, uma lista de dicas dos leitores e uma cópia de "Make a Splash".

Para chegar a Warren Falls, onde sua sobrinha mergulhou, eles seguiram uma trilha pela floresta, a partir da Rota 100, a cerca de 5km ao sul de Sugarbush. Depois, subiram um barranco para chegar ao rio Mad.

Com suas várias piscinas, cachoeiras, escorregas naturais e pedregulhos em formatos curiosos, a piscina era maravilhosa. Hajdasz disse que era uma de suas favoritas, apesar de observar que uma árvore caída entupia uma saída de água.

Vermont tem mais pontos no swimmingholes.info do que qualquer outro Estado. Por causa dos verões curtos do Estado, há poucas piscinas artificiais, e os habitantes, famosos por seu amor à natureza, fazem bom uso das naturais, apesar de a água em geral estar em torno de 15 graus C até em agosto.

Ed O'Leary, diretor de operações do Departamento de Florestas Parques e Recreação de Vermont, disse que há apenas meia dúzia de piscinas naturais estaduais, mas que provavelmente há centenas e centenas no Estado, algumas conhecidas e outras obscuras. Há uma mística em Vermont sobre as piscinas naturais, mas há que tomar cuidado, disse ele. "Não dá para proteger as pessoas da Mãe Natureza", disse ele.

As piscinas naturais têm poucas regras e não têm salva-vidas. Algumas estão em propriedades privadas, outras em parques municipais ou estaduais. Em algumas, o uso de calção é obrigatório, em outras, é considerado de mau gosto.

"E tem o bom nudista e o mau nudista", disse deBear, que acabou desenvolvendo a paixão do marido pelos mergulhos aventureiros. "O bom" é discreto, diz ela. O mau? "Um sujeito que vimos recentemente estava em pé em cima da pedra com sua enorme barriga apreciando a paisagem", disse ela com arrepios.

Há problemas mais sérios que o mau nudista, até para pessoas como Hajdasz. Ele recomenda que nunca se mergulhe em uma piscina natural a não ser que se conheça exatamente sua profundidade, correntes e outras condições.

Em suas viagens anuais de exploração, ele observa itens como árvores caídas que possam atrapalhar banhistas, lixo, multidões ou novos avisos de "propriedade particular, não entre". Mesmo assim, os visitantes correm riscos. "Você pode estar nadando tranqüilamente em uma piscina e olhar para cima e ver uma criança de 20 kg em cima de uma árvore, pronta para pular em você", disse ele.

Além de visitar seus pontos favoritos, Hajdasz está sempre em busca de novidades, lugares onde a água é funda e fresca e onde talvez haja um escorrega criado por milhões de anos de água correndo. Ou onde haja um cipó bem posicionado para o visitante liberar o seu Tarzan interior. Programa reúne a aventura das trilhas e do contato com a natureza Deborah Weinberg

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