UOL Notícias Internacional
 

20/08/2005

Bush é pior que a Barbie em sua casa de sonhos

The New York Times
Maureen Dowd

Em Nova York
NYT Image

Maureen Dowd é colunista
O presidente Richard Nixon certa vez me deu uma lição sobre política de guerra.

Howell Raines, na época chefe do escritório de The New York Times em Washington, levou alguns repórteres para conhecer Nixon, pouco antes das eleições primárias presidenciais do Estado de New Hampshire em 1992. O presidente deposto tinha pedido a Howell que trouxesse apenas repórteres jovens demais, para não terem coberto o Watergate. Então tentamos expressar um excesso de espírito juvenil.

Antes da primeira votação de 92, Nixon descreveu, Estado por Estado, como Bill Clinton, que ainda nem era o candidato do Partido Democrata, ia derrotar George Bush [o pai].

Se Bill conseguisse manter Hillary, (que tinha trabalhado no Comitê do Judiciário na Câmara que estudou o impeachment de Nixon), em segundo plano, ele ganharia, disse Nixon. "Se a mulher passar uma impressão de muita força e inteligência, o marido parece um fraco", disse ele.

Em sua opinião suspeita, o primeiro presidente Bush jogou fora seu maior trunfo na reeleição: Bush teria se beneficiado se a Guerra no Golfo ainda estivesse em curso.

"Tivemos muito sucesso com isso em 1972", disse Nixon, mostrando os dentes daquela maneira inconfortável, que parecia um sorriso.

De fato estaria admitindo tudo que os liberais paranóicos tinham falando 20 anos antes --que ele tinha prolongado a Guerra do Vietnã para ser reeleito?

Bush pai deixou alguns republicanos temendo ter deixado o Iraque cedo demais. Bush filho está fazendo alguns republicanos temerem que esteja ficando tempo demais.

"Qualquer esforço para explicar o Iraque, do tipo: 'Estamos no caminho certo e progredindo' é absurdo", disse Newt Gingrich a Adam Nagourney e David D. Kirkpatrick, para um artigo no NYT sobre os temores do Partido Republicano com a sombra do Iraque nas eleições do próximo ano.

"A esquerda martela sem parar que isso é um Vietnã, um poço sem fundo. As baixas diárias deixam a impressão de que as coisas não estão indo bem."

W. diz que não pode estabelecer um prazo para trazer as tropas de volta. No entanto, ele começou a guerra com um prazo artificial; ele declarou o final das hostilidades em um prazo artificial, com a afirmação de "Missão Cumprida"; ele foi inflexível com os prazos para o repasse da soberania no Iraque e convocação das eleições.

Mais ainda, tentou forçar os iraquianos a produzirem uma Constituição dentro do seu prazo, enquanto os políticos das facções étnicas e religiosas brigavam e não tinham nem chegado a um consenso sobre coisas como "Queremos um país?"

A esquerda não é a única a invocar o Vietnã. Você sabe que está em apuros quando recebe conselhos de Henry Kissinger sobre como sair de uma guerra.

O homem que ganhou o Prêmio Nobel da Paz por pintar uma retirada atropelada e uma derrota humilhante como atos brilhantes de diplomacia escreveu um editorial no jornal "The Washington Post" fazendo uma analogia que a Casa Branca odeia: o Iraque com o Vietnã, e com uma comparação desfavorável: "Depois do fracasso da ofensiva Tet de Hanói, a ameaça guerrilheira foi substancialmente eliminada. Saigon e outros centros urbanos eram mais seguros do que são hoje as grandes cidades do Iraque."

Ele disse que Bush tinha apenas poucas coisas a realizar: treinar um exército iraquiano incluindo todas as religiões e grupos étnicos; fazer os xiitas pararem de odiar os sunitas, e os curdos de odiar a todos; e impedir os iranianos de criar uma ditadura teocrática no Iraque. Ah, sim, e tem duas outras coisinhas: nossas tropas têm que derrotar a insurgência maligna do Iraque, e Bush precisa manter o apoio doméstico à guerra.

Há uma queda neste apoio porque o presidente continua teimosamente enterrado demais em seu mundo de fantasia --é pior do que uma Barbie em sua casa de sonhos-- para garantir aos americanos de que tem um plano de saída.

Estamos nos aproximarmos da marca de 2.000 caixões voltando para casa --que nem temos permissão de ver. Nem parece uma guerra, e sim muitos jovens sendo explodidos em migalhas por um inimigo invisível.

A mãe de um dos 16 Marines de Ohio mortos em recente explosão no oeste do Iraque falou ao presidente diante de sua casa, em Cleveland: "Nós achamos que, ou vocês travam essa guerra direito, ou saem", disse Rosemary Palmer.

O traiçoeiro Dick Nixon sugeriu que tinha um plano secreto para sair do Vietnã. O menino da bicicleta W. nem tem um plano secreto, a não ser se divertir para sempre, e nunca ter que apressar o cortejo presidencial outra vez diante desses manifestantes chatos contra a guerra. Presidente parece não perceber que a situação no Iraque só piora Deborah Weinberg

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