UOL Notícias Internacional
 

21/08/2005

Poderoso, Dodge Charger 2006 quer ser novo carro da família

The New York Times
Jerry Garrett
O Grupo Chrysler divulgou recentemente seu oitavo trimestre consecutivo de lucros operacionais, uma façanha invejável alcançada com uma estratégia que há pouco tempo parecia muito arriscada.

A Chrysler apostou que poderia fazer os compradores se apaixonarem novamente pelo tradicional carro familiar americano -- você sabe, aqueles sedãs espaçosos de 2 toneladas com tração traseira e um V-8 embaixo do capô.

Apenas alguns anos atrás, esses remanescentes da era de ouro da indústria de automóveis americana pareciam estar à beira da extinção. Exceto alguns Fords históricos, geralmente relegados às frotas de táxis e da polícia, a opção preferida das multidões para transporte familiar tinha mudado para as minivans e os utilitários esportivos. Quase exclusivamente, os grandes sedãs de tração traseira só eram vistos nos show-rooms das marcas de luxo.

O pêndulo talvez tenha começado a voltar dois anos atrás, com o lançamento do Chrysler 300 e seu homólogo "station wagon", o Dodge Magnum. Um triunvirato de quatro-portas de grande vendagem foi completado neste verão com a apresentação do Dodge Charger 2006.

Os três foram baseados na arquitetura derivada da plataforma do Mercedes-Benz E-Class; juntos, eles deram um enorme impulso nas fortunas do Grupo Chrysler, assim como de sua matriz, a DaimlerChrysler.

Projetos arriscados já salvaram a Chrysler do perigo tantas vezes -- a minivan em 1984, os sedãs voltados para táxis nos anos 90 e as poderosas picapes Dodge Ram -- que ninguém deve ter-se surpreendido quando o 300, com seu estilo ousado, deu um novo ímpeto à companhia mergulhada no vermelho. Ainda assim, o Charger é definitivamente um esforço: produzir um sedã de tração traseira como a melhor oferta de uma marca popular é no mínimo audacioso.

O novo Charger é um carro digno por direito adquirido, e na versão R/T com motor Hemi vale a pena ser considerado para famílias cujas necessidades incluem aceleração de zero a 96 km em menos de seis segundos.

O Charger goza de uma longa lista de coisas que herdou de seus parentes ricos da DaimlerChrysler, mas em certas coisas também é melhor que os veículos em que foi baseado, porque seus engenheiros tiveram o cuidado de atualizar e aperfeiçoar alguns sistemas. O resultado é um carro com maneiras na estrada que são definitivamente superiores às dos sedãs concorrentes, como o Ford Five Hundred, o Buick LaCrosse ou o Toyota Avalon. Uma semana dirigindo um Charger R/T equipado me convenceu de que a Dodge criou um vencedor.

Mas continuei lutando com minha própria definição do que um Charger deveria ser: para começar, um cupê, como o original de 1966 que ajudou a firmar a reputação do motor Hemi de 426 polegadas cúbicas. Pronto, já disse; oficialmente dei o primeiro passo no caminho da recuperação.

Embora a herança do Charger o sobrecarregue com algumas questões de identidade, eu o chamaria de bonito de um jeito musculoso. O designer chefe Jeff Gale disse que seu objetivo foi lhe dar um visual sinistro. Seu êxito ficará claro na primeira vez que um Charger chegar gritando no seu espelho retrovisor, como certamente fará a versão policial. As laterais altas, o bico comprido, porta-mala arqueado e capota cortada em estilo hot-rod acentuam sua personalidade.

Ao volante, me senti pequeno, insignificante e um pouco distante da realidade, como o Mágico de Oz tentando operar dentro desse veículo enorme que arranca fumaça dos pneus. Mesmo para um motorista de 1,80 metro, é difícil enxergar por cima do capô ou o que está ao lado e atrás do carro; os pontos cegos -- criados pelas colunas grossas e os pára-lamas traseiros voluptuosos -- são grandes o suficiente para esconder um Volkswagen.

Há outros sacrifícios ao estilo: a capota é tão baixa que o motorista muitas vezes tem de se encolher e olhar para cima para ver um farol de tráfego. Olhando para fora pelas janelas largas mas baixas, minha filha de 12 anos notou: "É como assistir um filme em formato 'wide-screen'".
Ela também sugeriu que o banco traseiro seria um duro castigo para qualquer pessoa mais alta que ela, de 1,50 metro. A linha da capota, que desce rapidamente, compromete o espaço para a cabeça, e o espaço para as pernas mais parece o de um cupê que de um sedã.

Os que se encolhiam lá atrás admitiram que o sistema de DVD opcional, por US$ 1.150, foi um fator que reduziu seu desconforto. Ele também ganhou pontos por se levantar do descanso para braço central no banco dianteiro. Nessa posição, com o painel escuro por trás, o contraste é excelente; mas as telas que descem do teto geralmente são difíceis de ver por causa da luz do dia ou, à noite, dos faróis dos carros que vêm atrás.

O design simples e escuro do interior é para mim tão minimalista que um quarto no Motel 6 parece cheio, em comparação. Uma exceção é o sistema de navegação opcional, que acrescenta camadas de complexidade desnecessárias a tarefas que deveriam ser simples, como mudar as estações de rádio.

Entre os muitos benefícios que passaram da Mercedes para o Charger está a transmissão automática de cinco marchas com função câmbio manual; o movimento da esquerda para a direita para mudar as marchas, em vez de para frente e para trás, é mais amigável com o usuário do que a maioria deles.

O Charger começa com um motor V-6 de 3.5 litros e 250 cavalos. As duas versões básicas, o SE de US$ 22.995 (incluindo a taxa de entrega de US$ 675) e o SXT de US$ 25.995, são bem servidos por esse motor. Para ter o sonoro Hemi V-8 de 340 cavalos é necessário passar para o modelo R/T, de US$ 29.995. Os descontos para funcionários não adiantam, pois não se aplicam aos modelos 2006.

O consumo de combustível sofre surpreendentemente pouco com o Hemi. O V-6 está cotado em 8 km/litro rodando na cidade e 11,4 km/l na estrada. A economia do Hemi está cotada em 7,2 e 10,6, em parte por causa do sistema de desligamento de cilindros que permite que ele funcione em quatro cilindros com cargas leves. Na condução do dia-a-dia eu geralmente marquei um pouco menos de 8,5.

O que é agradavelmente diferente nesse Charger é que ele anda, vira e pára como um sedã de luxo (obrigado mais uma vez, Mercedes), e não como todos os Chargers ancestrais.

Embora isso seja muito desempenho por menos de US$ 30.000, vale a pena gastar mais US$ 1.600 no pacote do R/T, que inclui amortecedores autonivelantes mais firmes, pneus mais largos, volante mais preciso, bancos mais confortáveis e um sistema de escapamento de fluxo livre que acrescenta 10 cavalos e alguns decibéis à performance do Hemi.

Um Daytona Charger R/T de US$ 32.495 pode vir na cor laranja Go Man, Go! ou amarelo Top Banana, e inclui decalques pretas vistosas "Daytona Hemi" e defletores pretos na frente e atrás -- perfeito para os fãs de "Dukes of Hazzard". Neste outono, um Charger SRT8 de 425 cavalos será vendido por US$ 36.000 na tabela.

Depois de seu período original como um ícone do carro machão e astro do circuito NASCAR, o nome Charger sofreu indignidades que incluíram designs de carroceria inchados e uma série de modelos de quatro cilindros embaraçosos. O modelo 2006, apesar das queixas dos puristas de que é mais um sedã que um cupê, e que não oferece câmbio manual, aproxima-se mais do espírito ideal de um Charger do que qualquer tentativa feita nas últimas três décadas. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,12
    3,283
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,05
    63.226,79
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host