UOL Notícias Internacional
 

23/08/2005

Bush elogia sacrifício das tropas americanas e diz que a batalha precisa continuar

The New York Times
Elisabeth Bumiller

Em Salt Lake City, Utah
Nesta segunda-feira (22/08), o presidente Bush saudou o sacrifício das tropas no Iraque e no Afeganistão e prometeu, em uma rara referência ao número de americanos mortos em cada país, que a nação deve aos mais de 2 mil americanos mortos nas duas guerras não encerrar prematuramente suas missões.

"Cada um destes homens e mulheres deixaram famílias e entes queridos em luto em casa", disse Bush aqui, na convenção nacional dos Veteranos de Guerras Estrangeiras. "Cada um destes heróis deixou um legado que permitirá que gerações de americanos desfrutem das bênçãos da liberdade."

Então ele acrescentou, em um claro sinal de que não se curvará à crescente pressão para retirar imediatamente as tropas do Iraque: "Nós devemos algo a eles. Nós terminaremos a tarefa pela qual deram suas vidas".

Bush fez seu discurso em sua primeira aparição pública em nove dias, interrompendo suas férias de um mês em seu rancho no Texas. Nas últimas semanas, aumentaram as pressões políticas em torno de sua política para o Iraque, à medida que cresce o sentimento entre democratas e alguns republicanos de que a guerra passou a lembrar a do Vietnã.

O discurso de Bush pareceu visar explorar uma pequena boa notícia, o esboço da Constituição iraquiana, apesar do documento esperado não ter se materializado na segunda-feira. Horas depois do discurso do presidente, negociadores iraquianos anunciaram que tinham apenas um esboço parcial e estavam buscando mais tempo para resolver as áreas de desentendimento. Mesmo assim, Bush saudou a Constituição como "um evento marcante".

"A produção de uma Constituição é um processo difícil que envolve debate e compromisso", disse Bush. "Nós sabemos disto por nossa própria história. Nossa Convenção Constitucional foi palco de rivalidades políticas e desacordos."

Os americanos, disse Bush, saúdam a determinação dos iraquianos "de estabelecer a fundação de uma democracia duradoura em meio às ruínas de uma ditadura brutal".

Após o discurso do presidente e após o anúncio iraquiano, a Casa Branca emitiu uma declaração elogiando o trabalho em Bagdá como "impressionante" e "outro passo adiante" no processo constitucional.

Bush não fez menção a Cindy Sheehan, a mãe de um soldado americano morto no Iraque, que tem realizado um protesto do lado de fora do rancho do presidente e inspirou vigílias antiguerra por todo o país. Mas Bush, ao citar os números específicos de americanos mortos --1.864 no Iraque e 223 no Afeganistão, segundo ele-- pareceu reconhecer aos manifestantes que entende o custo humano das batalhas.

Ainda assim, como contraponto para a exigência de Sheehan de uma retirada imediata de todas as tropas americanas do Iraque, Bush disse: "Nós honraremos o sacrifício deles permanecendo na ofensiva contra os terroristas".

Simpatizantes de Sheehan seguiram Bush até Salt Lake City, onde um grupo de centenas promoveu um protesto em Pioneer Park, não distante do Salt Palace Convention Center onde Bush estava falando.

A agência de notícias "The Associated Press" estimou a presença de 400 ou 500 pessoas, mas a principal oradora do protesto, Celeste Zappala da Filadélfia, uma co-fundadora do grupo antiguerra Gold Star Families for Peace (famílias de estrela de ouro pela paz), colocou o número em mais de 2 mil.

Em uma entrevista após o protesto, Zappala disse que discorda da visão do presidente de que a forma de honrar os americanos mortos no Iraque é prosseguir com o combate.

"Me dói ouvir que mais pessoas devem morrer porque estas pessoas morreram", disse Zappala, que estava entre os manifestantes do lado de fora do rancho. "Isto não faz sentido. Nós podemos honrá-los tendo uma política inteligente, honesta."

O filho mais velho de Zappala, o sargento Sherwood Baker da Guarda Nacional, foi morto no Iraque, em abril de 2004, enquanto protegia do Grupo de Reconhecimento do Iraque, que estava à procura das grandes armas de destruição em massa. Nenhuma foi encontrada.

O prefeito de Salt Lake City, Ross C. Anderson, um democrata, também participou do protesto. Em uma entrevista na segunda-feira na CNN, ele chamou a posição do presidente sobre o Iraque de "simplesmente um desastre" e disse que a guerra "criou mais inimigos" para os Estados Unidos. Anderson foi recebido com vaias quando falou para o grupo de veteranos poucos horas antes do presidente, na manhã de segunda-feira.

O senador Russell D. Feingold, democrata de Wisconsin, que pediu pela retirada de todas as tropas americanas do Iraque até 31 de dezembro de 2006, disse em uma declaração que o discurso do presidente visou mais criar slogans e que ele "fracassou em dar ao povo americano uma avaliação realista de onde estamos hoje".

A platéia de 15 mil veteranos no Estado altamente republicano recebeu Bush com forte aplauso e parecia apoiar seu curso de ação no Iraque. "Se precisarem de nós, apesar de nossa idade, eu irei em um instante", disse John T. Edward, um veterano do Vietnã de Reno, Nevada. Edward disse ter simpatia por Sheehan, mas que ele acha que o presidente não deve se encontrar com ela, como ela exigiu, e que é importante enfrentar os terroristas no Iraque.

"Quando parar?" disse Edward. "Eu entendo a amargura dela, mas precisamos manter nosso país em segurança."

Outros disseram que apóiam o presidente como comandante-em-chefe, mas que discordam da forma como a guerra e a ocupação foram executadas.

"Eu acho que o presidente deu ouvidos demais ao seu secretário de Defesa", disse Dennis Guthrie, de Redmond, Oregon, um membro do conselho nacional da Veteranos de Guerras Estrangeiras. "Ele devia ter escutado Colin Powell."

A esposa de Guthrie, Dianne, líder de uma divisão feminina do grupo de veteranos, fez forte objeção ao que considera ser um financiamento inadequado do governo Bush aos veteranos. "Se continuam travando uma guerra, e não colocam mais dinheiro no orçamento dos veteranos, é imoral", disse ela.

No mês passado, o Congresso destinou US$ 1,5 bilhão em fundos de emergência para cobrir o rombo no orçamento da Assuntos de Veteranos, após o governo ter reconhecido que não levou em consideração o custo adicional de cuidar dos veteranos feridos no Iraque e no Afeganistão.

Em seu discurso, Bush também elogiou a retirada israelense de Gaza e o primeiro-ministro Ariel Sharon, por seu "passo corajoso e doloroso", e depois reiterou que os Estados Unidos fornecerão US$ 50 milhões para os palestinos para novos projetos habitacionais e de desenvolvimento.

Bush encerrou seu dia no Tamarack Resort, com vista para o Lago Cascade, em Donnelly, Idaho, onde passará a terça-feira pescando e realizando andando de bicicleta antes da realização de um discurso na quarta-feira, para o pessoal da Guarda Nacional perto de Boise. Presidente faz discurso para veteranos em Utah, reduto republicano George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,79
    3,152
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    1,18
    65.148,35
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host