UOL Notícias Internacional
 

23/08/2005

Israel retira os últimos colonos da Faixa de Gaza

The New York Times
Steven Erlanger

Cidade de Gazaue
Depois de 40 anos em Gaza, Israel retirou seus últimos colonos nesta segunda-feira (22/08), deixando este assentamento simbólico e religioso, cercado de palestinos, para o final. Depois de um acordo com o exército e o governo, os quase 1.000 residentes e outras 300 pessoas que vieram em seu apoio deixaram suas casas sem resistência.

George Azar/The New York Times 
Jovem agita a bandeira do Hamas na noite desta segunda, em comemoração em Gaza
Depois de um serviço religioso na sinagoga, os moradores disseram que iam para Jerusalém, orar no Muro Ocidental, e depois para dormitórios na Universidade da Judea e Samaria, em Ariel, assentamento na Cisjordânia.

Antes do início do ano escolar, mudar-se-ão novamente, em conjunto, para restabelecer Netzarim, provavelmente em Negev, disse Shlomit Ziv, 35, professora. Como todos os moradores entrevistados no lugar, Ziv, mãe de oito filhos, tem esperanças de que sua família retorne à Gaza para reconstruir Netzarim nesta terra, que considera parte do território de Israel concedido aos judeus por Deus.

"Tenho absoluta certeza de que, mesmo que não possa morar aqui, meus filhos e netos voltarão para fazer prosperar Netzarim", disse ela.

Netzarim significa brotos e progênie, e o rabino Tzion Tzion-Tawil, depois de liderar as preces dos residentes e soldados, disse: "Estamos saindo contra nossa vontade, mas não de cabeça baixa. Os brotos que estão sendo arrancados daqui serão plantados pelo país até voltarmos a Netzarim."

Este assentamento, porém, sempre foi visto pelos palestinos como "um osso na garganta", porque sempre interferiu com a movimentação palestina. Com estradas protegidas, os colonos passavam em ônibus blindados, e os soldados israelenses abruptamente fechavam as barreiras de policiamento sem avisos.

De fato, uma das razões estratégicas para construir Netzarim em 1972 foi possibilitar que Israel cortasse Gaza em três partes. O assentamento tornou-se um centro de judeus religiosos e foi romantizado pelas mentes israelenses.

O exército, porém, gastou milhões para proteger os moradores. Dezessete soldados morreram por Netzarim. Alguns comandantes militares, falando em particular, sentem em deixar o cargo e os custos de sua defesa.

O general Hagai Dotan, comandante de polícia responsável pela retirada, é um homem prático. Ele observou que o custo da defesa de Netzarim era muito alto. Quanto a sua tarefa, ele disse que na terça-feira alguns moradores voltarão para empacotar seus pertences e os soldados farão uma última busca pelo assentamento. "Amanhã será dia de limpeza, para encontrar os malucos que acreditam que o messias está chegando".

O exército israelense continua em Gaza, entretanto, controlando as fronteiras, a costa e o espaço aéreo e decidindo quem pode ir e vir. Ainda assim, militares israelenses dizem que planejam sair de suas instalações dentro de um mês e da fronteira entre Gaza e Egito até o final do outono.

Apesar de questões sérias de acesso de bens e pessoal ainda estarem em negociação, os palestinos terão consideravelmente mais liberdade de movimento dentro de Gaza.

Ao menos 5.000 soldados e policiais foram enviados na segunda-feira para a Cisjordânia, onde quatro pequenos assentamentos --dois deles vazios-- também serão oficialmente evacuados, provavelmente a partir de terça-feira.

Os outros dois assentamentos, Sanur e Homesh, devem oferecer maior resistência. Os poucos moradores receberam reforços de jovens colonos que se dizem dispostos a resistir ao exército e à polícia.

Os manifestantes se entrincheiraram nos imóveis e improvisaram armas para repelir a polícia, como em Kfar Darom, em Gaza. Pessoas de dentro disseram que têm arsenais que incluem pedras, projéteis de metal afiados, facas e granadas paralisantes.

O primeiro-ministro Ariel Sharon, de sua parte, disse aos soldados no domingo que continuará a construir dentro dos blocos de assentamentos existentes na Cisjordânia e que ligará um deles, Maale Adumim, a Jerusalém.

O governo Bush criticou essas construções, chamando-as de violação das promessas israelenses no atual plano de paz.

O líder palestino Mahmoud Abbas telefonou para Sharon na segunda-feira para dizer que esperava que a retirada dos colonos de Gaza iniciasse uma nova página em suas relações, e os dois concordaram em se encontrar em breve, segundo a agência Reuters. Saeb Erekat, principal negociador palestino, disse que Abbas reafirmou seu compromisso de procurar a paz em parceria.

Sharon deve tender para a direita antes das eleições, que poderão ser na primavera. Ele prometeu mais uma vez que não faria retiradas unilaterais da Cisjordânia. "Haverá construção nos assentamentos", disse ele, de acordo com o Jerusalem Post. "Eu vou construir."

Também na segunda-feira em Gaza, um jornalista da televisão francesa, seqüestrado à mão armada há oito dias, foi liberado e chegou andando a uma delegacia de polícia. O jornalista, Mohamed Ouathi, foi levado por três homens armados que o forçaram a entrar em um carro. Ninguém assumiu a responsabilidade pelo ato. Porém, Sharon sinalizou que não pretende desocupar a Cisjordânia Deborah Weinberg

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