UOL Notícias Internacional
 

24/08/2005

EUA pretendem aumentar controle nas fronteiras

The New York Times
Eric Lipton

Em Washington
Reconhecendo a frustração pública com os imigrantes ilegais, Michael Chertoff, o secretário de Segurança Interna, disse nesta terça-feira (23/08) que os esforços de controle de fronteiras do governo federal devem ser fortalecidos.

"Nós decidimos dar um passo para trás e olhar como trataremos o problema, para resolvê-lo de uma vez por todas", disse Chertoff em um café da manhã com os repórteres. "O público americano está corretamente preocupado com uma situação na qual sentem que não temos o controle apropriado sobre nossas fronteiras."

A avaliação incomumente franca da maior autoridade de imigração do país ocorre após as declarações de emergência ligadas à fronteira pelos governadores do Novo México e do Arizona, que citaram um aumento do contrabando e da violência associados ao fluxo constante de imigrantes ilegais.

A estratégia que Chertoff disse que seu departamento está preparando vai além da contratação de mais agentes de Patrulha de Fronteira e da instalação de mais câmeras de vigilância, detectores de movimento e infravermelho e cercas, iniciativas que já estão planejadas ou em execução.

Além dos esforços de apreensão, o secretário pretende acelerar o processo de deportação para que o sistema de detenção sobrecarregado não faça com que os imigrantes ilegais sejam liberados em vez de enviados para casa. Ele planeja aumentar o número de leitos para detidos, acelerar a deportação disponibilizando mais juízes e advogados, e tentar rastrear mais imigrantes ilegais que não aparecem nas audiências de deportação.

Ao longo da última década, o número de agentes da Patrulha de Fronteira aumentou de 4 mil para cerca de 11 mil. Enquanto isso, o número de prisões de imigrantes ilegais ao longo das fronteiras --um número que caiu após os ataques de 11 de setembro-- aumentou nos últimos dois anos e novamente ultrapassa mais de um milhão por ano.

Tantos imigrantes ilegais de países além do México estão sendo pegos --142.500 até o momento neste ano fiscal, em comparação a 39.555 durante todo o ano 2000-- que milhares são liberados dentro dos Estados Unidos antes dos procedimentos de deportação, por não haver espaço suficiente nos centros de detenção.

"Se você não arrumar leitos, você não tem como detê-los; é preciso liberá-los", disse Chertoff. "Este é um desperdício total de tempo."

Funcionários do Departamento de Segurança Interna não forneceram estimativas de quanto custarão as novas iniciativas do secretário. O governo já gasta US$ 7,3 bilhões por ano em despesas ligadas ao controle de fronteira, segundo eles, um aumento de 58% desde os ataques de 11 de setembro.

Chertoff, um ex-promotor federal e juiz que assumiu o Departamento de Segurança Interna em fevereiro, está longe de ser a primeira autoridade em Washington a prometer uma solução para o problema de controle de fronteiras.

Mas em seus comentários no café da manhã de terça-feira, patrocinado pelo jornal "The Christian Science Monitor", ele disse que seu pessoal está mapeando cada quilômetro da fronteira com o México e preparando estimativas de quantos imigrantes ilegais usam cada um dos vários corredores de entrada, para que possa decidir como melhor dispor os cerca de 1.000 novos agentes de Patrulha de Fronteira que o Congresso parece disposto a fornecer no próximo ano.

O departamento também identificará onde colocará até 2.250 novos leitos de detenção que serão financiados pelo orçamento do próximo ano, um aumento de 10%.

Ele também planeja colocar juízes de imigração mais próximos dos centros de detenção e alocar mais dinheiro para os advogados que defenderão os casos de deportação em nome do governo, aumentando a capacidade em parte ao simplesmente deportar os imigrantes ilegais mais rapidamente, disse um funcionário de Segurança Interna após a entrevista de Chertoff.

A nova campanha também prevê uma eventual duplicação do número de equipes de busca de fugitivos para rastrear aqueles que não comparecem às audiências de deportação, disseram os funcionários.

Além disso, o Departamento de Segurança Interna está trabalhando com o Departamento de Estado para acelerar o trabalho nos pedidos de visto de estudantes, trabalhadores e turistas, em um esforço para reduzir o incentivo a entrar ilegalmente no país.

Chertoff disse que se solidariza com os governadores do Novo México e do Arizona, que declararam estado de emergência nos últimos 11 dias e enviaram equipes de policiais estaduais e locais para as áreas de fronteira.

"Nós estamos avançando rapidamente e agressivamente na elaboração de um plano abrangente com soluções reais", ele escreveu em uma carta enviada para a governadora do Arizona, Janet Napolitano, na segunda-feira.

O governador do Novo México, Bill Richardson, disse em uma entrevista por telefone, na terça-feira, que conversou com Chertoff pela manhã e ficou animado com o que ouviu.

"Eu estou um pouco mais otimista", disse Richardson. "É a primeira vez que recebo atenção aos meus apelos."

Chertoff disse que é contra a criação de milícias de cidadãos como a que patrulhou a fronteira do Arizona neste ano.

"A fronteira é um local muito perigoso", disse ele. "Não é um lugar para pessoas amadoras."

Ele também pediu novamente ao Congresso para que aprove a proposta do presidente Bush que cria um novo programa de trabalhador temporário, que legalizaria a entrada de alguns trabalhadores migrantes que no momento cruzam a fronteira ilegalmente.

A aprovação quase certamente reduziria o fluxo de imigrantes ilegais, ele disse, permitindo que a Patrulha de Fronteira e as autoridades de imigração se concentrem nos infratores mais sérios, ou talvez até mesmo terroristas, que tentam entrar no país.

Na terça-feira, alguns especialistas em imigração questionaram se este mais recente esforço para estabilizar a fronteira resultará em muita mudança. Por exemplo, disseram estes especialistas, o governo Bush ainda não indicou nenhuma disposição em reprimir os empregadores que contratam imigrantes ilegais.

"Se você tem um barco cheio de buracos, o barco vai afundar a menos que você tampe todos os buracos de forma eficaz", disse Michael W. Cutler, um ex-agente especial de imigração que atualmente é membro do Centro para Estudos de Imigração, um grupo de pesquisa em Washington.

"Ele está apenas tratando de alguns poucos buracos, o que significa que pode reduzir o alagamento, mas não resolverá o problema a longo prazo." O número de imigrantes ilegais mais que triplicou entre 2000 e 2005 George El Khouri Andolfato

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