UOL Notícias Internacional
 

25/08/2005

Bush veta a verdade sobre a discriminação racial

The New York Times
Bob Herbert

Em Nova York
NYT Image

Bob Herbert é colunista
O governo Bush puniu um membro do Departamento de Justiça que ousou dizer até mesmo uma verdade branda sobre discriminação racial por parte das autoridades de manutenção da lei deste país.

Em 2001, o presidente Bush escolheu Lawrence Greenfeld para chefiar o Birô de Estatísticas da Justiça, que monitora os padrões de crimes e táticas da polícia, entre outras coisas.

Mas como noticiou Eric Lichtblau do NYT, em um artigo de primeira página na quarta-feira, Greenfeld está sendo afastado porque se queixou de que importantes autoridades políticas estavam buscando atenuar dados recém compilados sobre o tratamento agressivo dado a motoristas negros e latinos pela polícia.

Meu primeiro pensamento, quando li a reportagem, foi que enterrar o mensageiro que conta verdades desconfortáveis sempre foi uma das táticas favoritas deste governo, que parece existir em grande parte em um mundo de fantasia. (Adultos não se saem bem no ambiente de recreio de Bush. Lembra do general Eric Shinseki? E do ex-secretário do Tesouro, Paul O'Neill?)

Meu segundo pensamento foi a lembrança de duas histórias de vários anos atrás, que ilustram dramaticamente as diferenças como motoristas brancos e negros podem ser tratados.

Rachel Ellen Ondersma, de 17 anos, era uma aluna do terceiro colegial quando foi parada pela polícia em Grand Rapids, Michigan, em 14 de novembro de 1998. Ela estava dirigindo de forma errática, disse a polícia, e quando não passou pelo teste do bafômetro, ela foi presa.

Um policial algemou as mãos de Ondersma nas costas e a deixou sozinha no banco traseiro da viatura policial. O que aconteceu em seguida foi registrado por uma câmera de vídeo montada dentro do veículo. E apesar de eventualmente poder ser exibido no programa de TV da Fox "World's Wackiest Police Videos" (os vídeos policiais mais malucos do mundo), ele não foi engraçado.

A câmera apresentou uma visão clara pelo pára-brisa da viatura. O microfone captou o som de Ondersma soluçando, então o tilintar da algema enquanto ela começava a se soltar. Ela aparentemente conseguiu passar os braços pelas pernas de forma que suas mãos, ainda algemadas, ficaram à frente dela. Então ela passou para o banco da frente, deu partida e foi embora. Com o carro acelerando, pneus cantando, Ondersma pôde ser ouvida dizendo, "O que estou fazendo?" e "Eles vão me matar".

Ela pegou uma via expressa, onde foi perseguida por outras viaturas em velocidades acima de 120 km/h. Ela bateu em uma barreira de concreto, e os policiais, achando que a tinham encurralado, saltaram de seus veículos. Mas Ondersma deu ré, acelerou e bateu em um dos carros da polícia.

Disparos podiam ser ouvidos enquanto a polícia atirava contra os pneus dela. A adolescente novamente acelerou e bateu novamente na viatura da polícia. Um policial teve que saltar fora do caminho para não ser atropelado.

Ondersma tentou acelerar novamente, mas àquela altura dois de seus pneus já estavam furados e ela não podia controlar o veículo. Ela bateu em outra divisória de concreto e foi finalmente cercada.

Enquanto eu assistia ao vídeo, eu fiquei surpreso com a forma como ela foi tratada quando foi retirada da viatura. A polícia não parecia particularmente irritada. Eles não foram duros com ela, e ninguém foi ouvido xingando. Um policial disse: "Calma, está bem? Eu acho que você já causou problemas suficientes por um dia".

Ondersma é branca.

Enquanto eu assistia ao vídeo, eu ficava lembrando de um incidente em Nova Jersey, em abril de 1998, no qual quatro jovens em uma van foram encostados por policiais estaduais. Três dos homens eram negros e um era latino. Eles não estavam bêbados e nem foram ofensivos. Mas a van andou lentamente para trás, acidentalmente batendo na perna de um dos policiais e batendo no veículo da polícia.

Os policiais sacaram suas armas e abriram fogo. Quando os disparos pararam, três dos quatro jovens tinham sido baleados e estavam gravemente feridos.

O começo do fim da passagem de Lawrence Greenfeld como diretor do Birô de Estatísticas da Justiça ocorreu poucos meses atrás, quando sua agência estava concluindo um grande estudo mostrando que motoristas negros e hispânicos eram tratados mais agressivamente do que os brancos quando parados pela polícia.

Greenfeld foi indeferido quando tentou incluir referências a estas estatísticas em um comunicado de imprensa anunciando os resultados do estudo. O estudo foi então enterrado nas entranhas da burocracia de Bush.

Greenfeld obviamente não compreendeu que os métodos preferidos para lidar com fatos desconfortáveis na terra da fantasia do governo Bush é ignorá-los ou simplesmente desejar que desapareçam. No mundo da fantasia do presidente, quem vê a realidade é punido George El Khouri Andolfato

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