UOL Notícias Internacional
 

25/08/2005

Israel reforça assentamento judeu na Cisjordânia

The New York Times
Greg Myre
Em Jerusalém
Autoridades israelenses confirmaram nesta quarta-feira (24/08) que o governo tinha emitido ordens para desapropriar terras na Cisjordânia para estender a barreira em torno do maior assentamento judeu, Maale Adumim, e ligá-lo a Jerusalém. Dirigentes palestinos disseram que os desdobramentos confirmavam seus temores de que Israel ia usar a retirada de Gaza e a boa vontade internacional assim gerada para consolidar seus grandes blocos de assentamento na Cisjordânia.

Ruth Fremson/The New York Times 
Israel não só mantém o assentamento de Maale Adumim, na Cisjordânia, como o aumenta, construindo mais casas
Israel evacuou pelo menos 9.000 colonos judeus de Gaza na segunda-feira e liberou dois assentamentos na Cisjordânia na terça.

"Queríamos que o dia após a retirada de Gaza fosse um dia de esperança e de renascimento do processo de paz. Mas este é um sinal de que Israel pretende julgar de antemão questões que devem ser negociadas", disse Saeb Erekat, principal negociador palestino.

O governo do primeiro-ministro Ariel Sharon concordou em princípio em fevereiro que Maale Adumim, que tem quase 30.000 moradores e fica cerca de 5 km a leste de Jerusalém, seria incluído na barreira de separação. Israel também planeja construir mais 3.500 casas e apartamentos no assentamento.

Na semana passada, autoridades israelenses determinaram a expropriação de parte das terras necessárias para a construção da barreira, de acordo com a Administração Civil, que supervisiona as atividades de Israel na Cisjordânia. A ordem cobre cerca de 16 km ao longo da parte sul. As autoridades israelenses confirmaram a medida depois de divulgada pela edição de quarta-feira do jornal Haaretz.

Israel diz que a barreira da Cisjordânia é necessária para impedir atentados suicidas palestinos e que o número de ataques caiu fortemente desde que começou a construí-la nas áreas mais vulneráveis, há três anos.

Os palestinos, porém, dizem que a barreira não deve ser construída dentro da Cisjordânia, em terras que deveriam constituir seu futuro Estado. A Corte Internacional de Justiça, em Haia, Holanda, em uma decisão consultiva, ficou do lado dos palestinos no ano passado.

Mesmo os EUA, mais firme aliado de Israel, ficaram preocupados com a construção da barreira dentro da Cisjordânia. O governo Bush criticou a seção da barreira em Maale Adumim em particular.

Maale Adumim é de fato um grande subúrbio judeu de Jerusalém, e a barreira nesta área é extremamente contenciosa. Cortaria fundo na Cisjordânia, deixando os palestinos de fora de Jerusalém Oriental.

"Não sabemos quanta liberdade os palestinos de Jerusalém Oriental terão para trabalhar, viajar, visitar familiares e interagir com palestinos na Cisjordânia", disse David Shearer, diretor do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, que está monitorando a questão.

As cidades de Ramallah, Jerusalém e Belém são contíguas. Os palestinos costumavam andar livremente entre elas, até que Israel respondeu ao levante, iniciado há cinco anos, com uma rede de restrições aos movimentos palestinos. As partes da barreira que já foram construídas dificultaram a passagem de uma cidade à outra.

Israel, que capturou Jerusalém Oriental na guerra árabe-israelense de 1967, quer toda Jerusalém como capital, mas sua posição não é reconhecida internacionalmente. Os palestinos planejam fazer sua capital na parte oriental da cidade.

Na Cidade Velha de Jerusalém, onde a violência é relativamente rara, um atacante palestino ainda foragido esfaqueou dois jovens judeus ultra-ortodoxos, na quarta-feira à noite, matando um e ferindo outro, disse a polícia.

Também na quarta-feira, agentes secretos israelenses mataram três palestinos no campo de refugiados de Tulkarm, de acordo com fontes de notícias israelenses. Um dos mortos, Ribhi Amara, seria um dos líderes da Jihad Islâmica, facção palestina militante.

Em Gaza, soldados israelenses trabalharam para concluir fase militar da retirada, e o ministro da Defesa disse que quase todos os soldados serão removidos até meados de setembro.

Os soldados estão derrubando mais de 1.500 casas de colonos e removendo equipamentos das bases militares. O ministro de Defesa israelense, Shaul Mofaz, disse na quarta-feira que essas operações podem terminar até meados de setembro, quando a maior parte dos soldados israelenses seria retirada de Gaza.

Depois disso, os israelenses entregariam formalmente os assentamentos aos palestinos, apesar de não ter sido estabelecida uma data.

Mofaz também anunciou um acordo em que os militares israelenses deixariam a fronteira Sul de Gaza, e o Egito reforçaria seu lado com 750 soldados, para impedir o contrabando de armas por palestinos.

"Este acordo, no fim, dará ampla responsabilidade aos egípcios de impedir o contrabando de armas", disse ele em entrevista à Rádio do Exército. O plano para a fronteira ainda precisa ser aprovado pelo gabinete de Sharon e o Knesset. Oficiais israelenses planejam remover seus últimos soldados até o final do ano. Palestinos criticam presença da maior colônia após saída de Gaza Deborah Weinberg

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