UOL Notícias Internacional
 

25/08/2005

Retirada do Iraque fortaleceria o terror, diz Bush

The New York Times
Elisabeth Bummiller

Em Nampa, Idaho
O presidente Bush disse a milhares de membros da Guarda Nacional e às suas famílias nesta quarta-feira (23/08) que uma retirada imediata das tropas norte-americanas que ocupam o Iraque somente fortaleceria os terroristas e tornaria os Estados Unidos e seus aliados mais vulneráveis a ataques.

Paul Hosefros/The New York Times 
Bush reage à reprovação geral à guerra em comício para a Guarda Nacional em Idaho
Defendendo a postura militar do seu governo pelo terceiro dia consecutivo, ele se opôs mais uma vez, de forma implícita, aos críticos da guerra, como Cindy Sheehan, mãe de um soldado norte-americano morto no Iraque, que promoveu um protesto de um mês em frente à fazenda do presidente no Texas. "Enquanto eu for o presidente, nós permaneceremos, lutaremos e venceremos a guerra contra o terrorismo", afirmou Bush.

O presidente disse que uma retirada das tropas neste momento --conforme deseja Sheehan-- "só fortaleceria os terroristas e criaria um centro preparatório para o lançamento de mais ataques contra os Estados Unidos e as nações livres".

O discurso de Bush, feito após entrevistas a repórteres na terça-feira e uma palestra a veteranos de guerra na segunda, teve o objetivo específico de ampliar o apoio dos soldados da Guarda Nacional (que atuam na guarda em regime de meio expediente) à guerra. Esses soldados, assim como as suas famílias e patrões, têm sido altamente prejudicados pelas longas estadas no Iraque.

Os membros do contingente de reservistas e da Guarda Nacional representam 35% das tropas no Iraque, mas essa parcela deve cair para cerca de 30% no ano que vem. A Guarda Nacional de Idaho possui atualmente 1.700 membros servindo no Iraque. Bush disse que Idaho é o Estado que conta com a maior representação per capita na guerra e afirmou que esta é a maior mobilização da história da Guarda Nacional de Idaho.

O presidente, que tem sofrido crescentes pressões políticas dos democratas e de alguns republicanos devido à questão iraquiana, falou em um local que fez lembrar os grandes comícios da campanha de 2004, em um palco flanqueado por membros uniformizados da Guarda Nacional, tendo ao fundo um arranjo vermelho, branco e azul com a frase: "Honrando os Heróis dos Estados Unidos".

Marchas patrióticas animaram uma multidão que a Casa Branca estimou em 9.500 pessoas, a maioria das quais ganhou ingressos para o evento das forças armadas.

Depois, Bush se reuniu durante quase três horas com 19 famílias de todo o país que perderam parentes no Iraque e no Afeganistão. A Casa Branca divulgou poucos detalhes a respeito da reunião.

Bush se encontrou com Sheehan em uma reunião similar em junho de 2004, mas ela disse que naquela ocasião o presidente se comportou como se estivesse em uma festa, que não sabia o nome do seu filho e que a desrespeitou, chamando-a de "Mom" (termo informal para designar "mãe"), durante todo o evento.

Em um contraponto mal disfarçado a Sheehan, Bush exibiu Tammy Pruett, uma mulher de Idaho que estava na multidão, cujo marido e cinco filhos serviram ou estão servindo no Iraque.

"Existem poucas coisas na vida mais difíceis do que ver um ente querido partindo para a guerra", disse Bush. "Aqui em Idaho, uma mãe chamada Tammy Pruett, acho que ela está aqui, conhece esse sentimento multiplicado por seis".

Bush alegou que Pruett teria dito: "Sei que, se algo acontecer a um dos garotos, eles deixarão este mundo fazendo aquilo em que acreditam, aquilo que acreditam que seja o correto para o nosso país. E creio que não é possível desejar um melhor estilo de vida do que se dedicar a algo no qual se crê".

Bush afirmou que Pruett atualmente tem quatro filhos na Guarda Nacional que estão servindo no Iraque, e que no ano passado o marido e um outro filho retornaram do país muçulmano, onde ajudaram a treinar bombeiros iraquianos em Mosul.

A seguir, enquanto a multidão soltava um brado de aprovação, Bush declarou: "Os Estados Unidos vivem em liberdade devido a famílias como a de Pruett".

A multidão convidada parecia apoiar Bush enormemente, apesar das reclamações nos últimos anos por parte de alguns membros da Guarda Nacional quanto a permanências longas e inesperadas no Iraque.

"Excelente, fantástico, eu o apóio 110%", disse o tenente-coronel Mark Drapper, da Guarda Nacional Aérea de Idaho, que atuou no Iraque em 1991 e em 2003. "Se eu fosse chamado, aposto que adoraria retornar".

Bush também elogiou os iraquianos pelo progresso quanto à nova constituição, embora o seu elogio não tenha sido tão caloroso como o da terça-feira, quando enalteceu a constituição por proteger os direitos das mulheres e de outras minorias.

Alguns líderes iraquianos seculares dizem que a constituição poderia levar ao domínio do país por clérigos xiitas muçulmanos e a uma intensa restrição dos direitos das mulheres.

Apesar dos novos episódios de violência ocorridos no Iraque na quarta-feira, Bush disse: "O importante é que os iraquianos estão resolvendo essas questões por meio do debate e da discussão, e não com o cano de uma arma". Presidente defende a guerra em comício para a Guarda Nacional Danilo Fonseca

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