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27/08/2005

Economia norte-americana ainda apresenta risco, afirma Alan Greenspan

The New York Times
Edmund L. Andrews

Em Jackson Hole, Wyoming
Enquanto era homenageado por promover duas décadas de prosperidade crescente, Greenspan, diretor do Federal Reserve, banco central americano, advertiu nesta sexta-feira (26/08) que as pessoas não têm sido realistas acreditando que a economia hoje é menos arriscada.

Nos primeiro de dois discursos que fará em um simpósio do Fed sobre o "legado de Greenspan", o diretor criticou implicitamente o tórrido aumento dos preços dos imóveis e a boa vontade dos investidores de pagar mais por ações e títulos com índices de retorno relativamente baixos.

As duas tendências refletem o que Greenspan chamou de disposição dos investidores de aceitar baixos "prêmios de risco, supondo complacentemente que as taxas de juros reduzidas, a inflação baixa e o forte crescimento dos últimos anos serão permanentes."

O prêmio de risco em geral é definido como a recompensa por um investimento arriscado.

"Quando há eventual aumento do cuidado por parte dos investidores, os prêmios pelos riscos aumentam e, como conseqüência, caem os valores dos bens, promovendo a liquidação da dívida que sustentava os preços mais altos", disse ele. "É por isso que a história não foi gentil com os resultados de longos períodos de baixos prêmios de risco."

Greenspan também observou que os consumidores estavam gastando mais com base em um aumento aparente de riqueza, em vez de aumentos em sua receita, quando parte da riqueza é baseada em ganhos em ações ou em imóveis que podem facilmente desaparecer.

O diretor do Fed, que deve deixar o cargo no final de janeiro, depois de 18 anos, fez suas observações diante de uma platéia de economistas e membros de bancos centrais de todo o mundo, reunidos para debater mas marcas de sua direção e o formato da transição.

Muitos membros do Fed esperam que o presidente Bush escolha um sucessor neste outono, para dar ao mercado financeiro tempo de se preparar para a mudança e para que o processo de confirmação no Senado seja concluído até a saída de Greenspan.

Por um lado, a ansiedade em torno da mudança reflete a fama quase mítica de Greenspan como o mais poderoso e eficaz diretor de banco central dos tempos modernos. Por outro, reflete os desafios que deixará ao sucessor, que são o cerne das discussões: o grande déficit de conta corrente dos EUA e o crescimento rápido da dívida externa; a possibilidade de uma forte queda do dólar; a perspectiva dos déficits de hoje incharem, na ausência de disciplina fiscal da Casa Branca ou do Congresso.

Bush não deu indicações de suas intenções. Quase todos os candidatos mais citados estavam em Jackson Hole: Martin Feldstein, da Universidade de Harvard; R. Glenn Hubbard, ex-assessor econômico de Bush; e Ben S. Bernanke, ex-diretor do Fed e do Conselho de Assessores Econômicos. Outro possível candidato, Lawrence B. Lindsey, ex-diretor do Conselho Econômico Nacional de Bush, não participou da reunião.

Em seus comentários na sexta-feira, Greenspan não mostrou interesse do Fed de estourar uma possível bolha nos preços dos imóveis ou de deter outras formas de adoção de riscos. Mas ele e um número crescente de membros do Fed parecem ter a intenção de convencer os investidores de que pode haver um nível perigoso de otimismo e complacência.

Os preços dos imóveis subiram mais do que a inflação e muito mais do que as rendas das famílias nos últimos cinco anos. Isso em parte, se deveu à política do Fed de manter as taxas de juros baixas, mas também a sinais crescentes de comportamento especulativo que lembra a histeria em torno das ações de tecnologia pouco antes do colapso da bolha do mercado, em 2000.

Greenspan, porém, também estava aludindo a um padrão muito mais amplo de comportamento econômico, uma busca maior dos investidores por grandes lucros, onde quer que estejam, pagando preços mais altos por tudo, desde bônus de nações latino-americanas até ações em fundos hedge de alto risco.

As observações de Greenspan também lembraram o que ele chamou de "enigma" --que as taxas de juros de longo prazo declinaram enquanto o banco central aumentava sistematicamente a taxa de juros para empréstimos de um dia para o outro entre os bancos (overnight).

O enigma cedeu ligeiramente. As taxas de juros de longo prazo sobre bônus do Tesouro de 10 anos aumentaram lentamente, mas ainda não estão mais altas do que eram pouco antes do Fed começar a aumentar as taxas do overnight, em junho de 2004.

Greenspan insistiu, apesar de críticas de alguns economistas, que o papel do Fed não é estourar bolhas especulativas antes do tempo, porque as bolhas são extremamente difíceis de definir e porque os instrumentos do Fed --como um forte aumento nas taxas de juros-- poderiam causar mais danos à economia do que prevenir.

Seus comentários, porém, sugeriram que o banco central quer pregar um novo evangelho de cuidado, para arrefecer o que Greenspan certa vez chamou de "exuberância irracional" dos investidores.

Como já havia feito antes, Greenspan pediu veementemente que os políticos evitassem a tentação de criar barreiras financeiras e comerciais para proteger os empregos nos EUA da competição estrangeira.

A abertura da economia americana e sua flexibilidade, disse ele, permitiram que o país agüentasse os choques dos ataques terroristas em 2001 com apenas uma leve recessão e que agüentasse o aumento recente do preço do petróleo com pouca perturbação até agora.

"Quanto mais flexível a economia, maior sua capacidade de se corrigir em resposta aos distúrbios inevitáveis e muitas vezes imprevisíveis", disse ele.

O simpósio deste final de semana, uma reunião seleta de cerca de 100 economistas e membros de bancos centrais, atraiu um grupo extraordinariamente estelar, porque será o último antes da saída de Greenspan.

Xiaochuan Zhou, presidente do Banco Popular da China, passou grande parte do dia em reuniões com autoridades americanas e européias. Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, e Mervyn A. King, do Banco da Inglaterra, também estavam presentes. Robert H. Rubin, secretário do Tesouro do governo Clinton, teceu elogios a Greenspan durante o almoço. Para o presidente do Fed, expansão do país oculta suas fragilidades Deborah Weinberg

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