UOL Notícias Internacional
 

27/08/2005

Katrina mata 7, ganha força e ameaça a Flórida

The New York Times
Joseph B. Treaster

Em Miami
O furacão Katrina passou pelo Golfo do México na sexta-feira, aumentando sua força e ameaçando o Panhandle da Flórida e Estados vizinhos, após cortar um trecho encharcado do Sul da Flórida, deixando sete mortos.

Mas foram relatadas apenas áreas isoladas com sérios danos à propriedade.

Os ventos uivantes passaram de 160 km/h durante a tarde.

Membros do Centro Nacional de Furacões daqui disseram que o furacão poderá se intensificar ainda mais, atingindo até 240 km/h, o que o tornaria altamente destrutivo.

"Poderá ser um sistema extremamente perigoso", disse Christopher Sisko, um meteorologista do centro de furacões, onde outros especialistas em clima disseram que ela provavelmente se tornará uma tempestade mais forte, de categoria 4.

O Katrina entrou na Flórida perto de Hallandale, em Broward County, ao norte daqui, no início da noite de quinta-feira, como uma tempestade relativamente branda, molhada e de uma um tanto subestimada categoria 1. Isto significava que ela mal se qualificava ao status de furacão, com ventos de cerca de 96 km/h.

Como antecipado, o Katrina não desferiu um nocaute em Fort Lauderdale, Miami e outras cidades do Sul da Flórida. Mas muitos moradores disseram que após uma noite de vento e chuva forte, até mesmo um furacão leve pode ser assustador, provocar muita interrupção e custar surpreendentemente caro.

A cobertura da televisão a partir de helicópteros mostrou hectares e hectares de casas e empresas virtualmente intactas, assim como muitas árvores e vegetação. Mas ao sul do centro de Miami, grandes inundações foram relatadas em Key Biscayne, Cutler Ridge, Goulds e Homestead, assim como em algumas poucas outras áreas residenciais a oeste de Miami.

Cerca de 1,2 milhão de pessoas no Sul da Flórida ficaram sem energia elétrica.

A água cobria as ruas em partes de Homestead e outros lugares, envolvendo carros e invadindo casas até a altura do joelho. Mas fora isto, as casas pareciam em bom estado.

O governador Jeb Bush sobrevoou Homestead e disse posteriormente: "Não pareceu ter provocado grandes danos às propriedades além da inundação".

Por toda a região, árvores foram derrubadas aqui e acolá. Cabos de energia pendiam nas ruas. Alguns telhados perderam telhas. Uma casa flutuante afundou no cais em North Bay Village, uma cidade em um aglomerado de ilhas em Biscayne Bay, entre Miami e Miami Beach, e alguns veleiros se soltaram dos ancoradouros e foram atirados na costa da baia.

Funcionários do governo literalmente suspiravam em alívio. "Nós fomos muito, muito afortunados por termos sido tão poupados", disse George Burgess, um administrador de Miami-Dade County. "Apesar das inundações, são casos isolados e os danos são mínimos."

Todavia, a tempestade deixou Miami e outras cidades ao longo de 112 quilômetros de costa praticamente paradas durante grande parte de quinta-feira e sexta-feira.

Especialistas em seguro estimaram que o custo dos danos poderá chegar a US$ 600 milhões. Isto não inclui os milhões de dólares perdidos por hotéis, restaurantes, companhias aéreas e empresas de aluguel de carros, cujos clientes foram afugentados. Muitos outros negócios também sofreram.

Na manhã de sexta-feira, as operações foram retomadas nos aeroportos Internacional de Miami e Internacional Fort Lauderdale-Hollywood. Alguns poucos carros andaram pelas vias principais, algumas com pistas parcialmente bloqueadas por árvores caídas e alagamentos.

O centro de Miami estava praticamente deserto. No final da tarde, o imenso porto de carga e cruzeiro permanecia fechado.

Para muitas pessoas, como o prefeito Carlos Alvarez de Miami-Dade County e moradores comuns, a história do Katrina foi uma de expectativas superadas.

Após um levantamento por helicóptero, Alvarez disse que alguns setores pareciam "não ter enfrentado uma tempestade", enquanto áreas inundadas no sul e oeste "foram atingidas mais duramente do que esperávamos".

Em Fort Lauderdale, ao norte do ponto onde a tempestade entrou no continente, Amanda Sullivan, 21 anos, disse que o vento arrancou a porta da frente e que ela passou a noite do furacão pensando se sobreviveria.

"Foi como algo saído de um filme", disse Sullivan. "Havia canos de metal voando da casa, e um trailer de 6 metros passou voando por aqui. Foi terrível, definitivamente bem pior do que imaginávamos que seria."

Para Lannettee Stout, 43 anos, uma repórter de tribunal que vive em Hollywood, não distante de onde o Katrina entrou no continente, o incômodo foi o barulho inimaginado.

"Foi barulhento, extremamente barulhento", disse Stout.

Três pessoas que morreram na passagem do furacão foram esmagadas pela queda de árvores. Um homem perdeu o controle de seu carro e bateu contra uma árvore. Três outros se afogaram, incluindo dois que tentaram suportar a tempestade em uma casa flutuante.

Os meteorologistas disseram que o Katrina poderá atingir o Panhandle e os Estados vizinhos na noite de domingo ou na madrugada de segunda-feira.

No Sul da Flórida, o furacão confundiu os meteorologistas, que esperavam que ele se moveria para oeste em uma linha quase reta através do Estado, em uma velocidade lenta, de 10 km/h. Em vez disso, ele acelerou para 16 a 19 km/h e deu uma forte guinada em diagonal para o sul, atingindo o golfo pouco depois da meia-noite.

Se o Katrina, com sua chuva forte, tivesse se deslocado mais lentamente, disseram os meteorologistas, as inundações teriam sido mais severas.

À medida que a tempestade entrava no golfo, ela passou a seguir para oeste. Autoridades meteorológicas estaduais e federais disseram que esperam que uma área de baixa pressão sobre o Meio-Oeste influenciará a direção da tempestade, a desviando para o norte na direção do Panhandle e outras áreas costeiras.

O furacão Dennis, a primeira tempestade do ano na Flórida, atingiu o Panhandle e partes do Alabama e da Geórgia em julho. Aquela tempestade causou menos danos provocados por vento do que o esperado, mas causou grandes inundações.

Os meteorologistas disseram que o Katrina poderá atingir a costa norte com mais força do que o Dennis. O meteorologista do Estado, Ben Nelson, disse que o Katrina poderá lançar paredes de água de 6 metros contra as praias em ondas quase duas vezes maiores do que as do furacão Dennis.

O Panhandle foi duramente atingido no ano passado pelo furacão Ivan. Na tarde de sexta-feira, no Sul da Flórida, Bush disse estar preocupado com os efeitos psicológicos de mais outro furacão.

"Isto esgota você", disse ele. Os ventos uivantes passaram de 160 km/h durante a tarde de sexta George El Khouri Andolfato

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