UOL Notícias Internacional
 

27/08/2005

Relatório sobre falhas da CIA em 2001 ataca ex-diretor e compromete atual direção

The New York Times
Scott Shane e James Risen

Em Washington
Um relatório há muito esperado do inspetor-geral da CIA sobre o desempenho da agência antes dos ataques de 11 de setembro de 2001 inclui críticas detalhadas a mais de uma dúzia de antigos e atuais funcionários. A parte mais dura é voltada para George J. Tenet, ex-diretor da Agência Central de Inteligência, de acordo com um ex-funcionário informado sobre o documento e outra autoridade que viu o relatório e falou em condição de anonimato.

Tenet é censurado por não ter desenvolvido e executado um plano estratégico para combater a Al Qaeda nos anos anteriores a 2001, mesmo depois de ter escrito um memorando em 1998 a agências de inteligência dizendo que o país estava em guerra com o grupo terrorista.

O relatório foi entregue aos comitês de inteligência do Senado e da Câmara na última terça-feira (22/09) por Porter J. Goss, atual diretor da CIA. Versões anteriores do documento já haviam provocado fortes emoções na agência, que vem recebendo a maior parte da crítica do público em uma série de grandes estudos sobre a falha na inteligência.

O inspetor-geral, John L. Helgerson, pretende enviar ao Congresso materiais adicionais, inclusive uma compilação das respostas de Tenet e de cerca de duas dezenas de outros funcionários, disseram as autoridades.

O relatório descreve problemas sistêmicos da agência antes de 2001, disseram as autoridades. Há críticas a Tenet, James L. Pavitt, ex-vice-diretor de operações, e J. Cofer Black, ex-diretor do Centro de Combate ao Terrorismo da agência, mas também elogios a algumas ações específicas tomadas por eles e outras autoridades, disseram.

As revelações colocam Goss em uma posição delicada. Como membro do Comitê de Inteligência da Câmara nos anos anteriores aos ataques, ele influenciou políticas e monitorou agências de inteligência. Como líder do inquérito conjunto do Congresso sobre os ataques, ele requisitou o estudo do inspetor-geral há quase três anos, em dezembro de 2002.

Agora, como diretor da CIA, ele vai ter que decidir se tomará ações disciplinares contra os criticados, arriscando prejudicar ainda mais o ambiente da agência, que ainda é encarregada de proteger o país contra futuros ataques terroristas.

O relatório recomenda que Goss reúna "conselhos de responsabilidade" para recomendar ações contra os culpados, que são identificados por título e não por nome. As autoridades disseram que a única ação possível no caso de Tenet e de outros funcionários aposentados provavelmente seria enviar uma carta de repreensão.

Goss, em uma "mensagem à força de trabalho" enviada por e-mail depois de entregar o relatório aos comitês de inteligência da Câmara e do Senado, disse que, durante a preparação do documento, "muito foi feito na CIA e na comunidade de inteligência para melhorar e modificar a forma que trabalhamos". Ele disse que achava que "as principais mudanças na agência já estavam para trás".

"O que importa é que quero que vocês continuem a fazer o que fazem melhor --dar ao país acesso aos planos e intenções de seus inimigos e dar ao governo as informações necessárias para tomar decisões difíceis", disse Goss na mensagem. A agência recusou-se a divulgar a mensagem, mas seu texto foi divulgado por um ex-funcionário.

Paul Gimigliano, porta-voz da agência, recusou-se a comentar o relatório ou os planos de Goss. Tenet, que deixou o cargo em julho de 2004 depois de sete anos na diretoria da CIA, respondeu vigorosamente às críticas.

Além de escrever uma longa resposta, ele pediu ao ex-senador Warren B. Rudman que avaliasse o relatório. Rudman foi membro do Conselho Consultivo de Inteligência Exterior de 1997 a 2000 e co-diretor de uma grande comissão sobre o terrorismo. Nem Tenet nem Rudman quiseram tecer comentários, e nem Pavitt nem Black foram encontrados nesta quinta-feira (25).

Um ex-funcionário de inteligência que conhece a posição de Tenet chamou o relatório do inspetor-geral de mal feito. Ele disse que a equipe de Helgerson não entrevistou agentes de inteligência de fora da agência, nem os formuladores das políticas. Além disso, o ex-funcionário critica o documento por não observar que a agência estava mais focada na Al Qaeda do que qualquer outro braço do governo antes de 2001.

Ele disse que os investigadores "dedicaram anos a um projeto que tomou muito tempo da agência, que poderia ter sido destinado a impedir ataques terroristas".

Outro membro da CIA que viu o relatório disse que parecia ser "detalhado e profissional". Ele disse que as investigações do inspetor-geral em geral não têm permissão para entrevistar pessoas de fora da agência.

Eleanor Hill, que foi diretora de equipe do inquérito conjunto do Congresso sobre 11 de setembro, disse que a identificação da "responsabilidade" pelos erros que permitiram os ataques havia sido pedida ao inspetor-geral.

"As famílias das vítimas pediram várias vezes por algum tipo de responsabilização", disse Hill. O inquérito do Congresso não teve tempo de fazer o "trabalho detalhado necessário para avaliar responsabilidade individual", disse ela.

Apesar do ânimo da agência ser importante, "a qualidade de seu desempenho é ainda mais, dada a natureza das ameaças que o país enfrenta".

Uma das versões anteriores do relatório do inspetor-geral criticou o Centro de Combate ao Terrorismo, ou CTC, e a Diretoria de Operações por terem como alvo os líderes da Al Qaeda, em vez de procurarem formas de atacar a rede terrorista em outros níveis, de acordo com um ex- funcionário da agência.

O ex-funcionário disse que, ao se concentrar em perseguir Osama Bin Laden, a agência perdeu oportunidades de lenta e pacientemente recrutar agentes de baixo escalão da Al Qaeda, que eventualmente poderiam ter fornecido acesso ao funcionamento interno da organização.

"Você tem que definir o alvo e desenvolver suas fontes no nível do trabalhador", disse o funcionário. "Se você vai direto ao coração, eles vão ver você chegar. O CTC, porém, estava cheio de analistas e tinha muito poucos agentes que sabiam como administrar operações de inteligência tradicionais."

Ele disse que a versão anterior criticava altos membros da CIA por não coordenarem de forma apropriada o trabalho relacionado ao terrorismo com a Diretoria de Operações e a Diretoria de Inteligência.

Ela também continha críticas ao setor de combate ao terrorismo por ter uma estrutura de gerência fraca e responsabilizou as chefias por permitirem que milhares de páginas interceptadas em árabe ficassem sem tradução. Porter Goss, atual chefe, integrava Comitê de Inteligência na época Deborah Weinberg

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