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30/08/2005

Hollywood tenta reagir na guerra à pirataria online

The New York Times
Timothy L. O'Brien

Em Nova York
Pouco antes do Natal, a Universal Pictures pretende lançar a nova versão de US$ 150 milhões de "King Kong", o clássico de ficção-científica de 1933 protagonizado por uma fera gigantesca com um fraco por loiras, uma ilha envolta em névoas habitada por dinossauros e um esquadrão de aeroplanos que zumbe ao redor do Empire State Building.

Ilustração de Andy Chen/The New York Times 
Em "King Kong", o estúdio Universal vai empregar tecnologia que dificulta a ação dos piratas

A nova versão, destinada aos corações, mentes e carteiras da faixa que vai da adolescência até 30 e poucos anos, a que Hollywood mais aprecia, está destinada ao sucesso. Peter Jackson, o maestro por trás da trilogia "O Senhor dos Anéis", é o diretor; Naomi Watts está no lugar de Fay Wray como a heroína ameaçada e pouco vestida; e dizem que o filme é cheio de efeitos especiais surpreendentes.

Mas até o poderoso Kong talvez não esteja a salvo das garras de uma nebulosa rede de peritos em pirataria de filmes, especializada em roubar cópias de lançamentos e distribuí-las globalmente pela Internet ou em DVDs falsificados. Hollywood combate várias formas de saque de filmes há décadas, mas desta vez parece diferente. A pirataria na era digital é mais lucrativa, sofisticada e disfarçada que nunca --e representa uma ameaça financeira muito maior.

"A pirataria tem um potencial real de fazer o cinema se tornar uma indústria não lucrativa, especialmente os grandes filmes. Se isso acontecer, eles deixarão de ser feitos", disse Jackson em um e-mail enviado da Nova Zelândia, onde está dando os toques finais em sua versão de "King Kong".

"Nenhum estúdio vai financiar um filme se chegarmos ao ponto em que sua potencial margem de lucro vá diretamente para o bolso dos criminosos."

A pirataria no cinema está ocorrendo contra um pano de fundo maior de mudanças tecnológicas e demográficas que também estão abalando Hollywood. Equipamentos sofisticados de "home theater" --como reprodutores de DVD, sistemas de som avançados e televisores de tela plana-- estão ajudando a encolher o público do cinema, enquanto cada vez mais pessoas preferem assistir aos filmes reclinados em seus sofás.

E, com o advento das conexões de alta velocidade para a Internet, capazes de baixar grandes arquivos de filmes para os computadores pessoais, o negócio do cinema está diante dos mesmos desafios espinhosos que a indústria da música enfrentou vários anos atrás, com o surgimento de programas de compartilhamento de arquivos como o Napster.

Hollywood divulgou uma receita global de US$ 84 bilhões em 2004, segundo a firma de auditoria PricewaterhouseCoopers. Com a maioria dos lançamentos no cinema representando pouco mais que uma forma cara e não lucrativa de marketing, os DVDs tornaram-se o sangue vital de Hollywood: juntamente com os vídeos, eles faturaram US$ 55,6 bilhões, ou cerca de dois terços do volume anual, com as receitas de bilheteria representando o resto.

A Associação Cinematográfica da América estima que a pirataria de DVDs privou a indústria do cinema de mais de US$ 3 bilhões em vendas no ano passado. Esse número não inclui as vendas perdidas de obras pirateadas distribuídas na Internet, para as quais o setor diz que não tem estimativas confiáveis, mas que acredita serem substanciais.

"É difícil dizer exatamente qual o volume de dinheiro envolvido, mas é enorme", disse Bob Wright, presidente e principal executivo da NBC Universal, matriz da Universal Pictures e uma divisão da General Electric. "Existe uma nuvem negra nesse jogo. Ele não está nas mãos de garotos que moram na sua rua; são grupos organizados e crime organizado."

Na rede, a pirataria basicamente não tem limites. A embalagem e a distribuição de DVDs piratas ocorre em diversos locais afastados; entre os mais quentes estão os EUA, China, Rússia, Grã-Bretanha, Indonésia, Malásia, Índia e Filipinas.

No centro dessa rede, segundo investigadores federais e analistas, estão os peritos em informática que se consideram Robin Hoods digitais, roubando dos estúdios ricos para dar de graça aos fãs de cinema. Operando juntamente com eles, estão criminosos de sangue frio e empedernidos que têm dinheiro e conexões para seqüestrar e distribuir os filmes com eficácia em poucas horas --às vezes até antes de eles estrearem nos cinemas.

Documentos de tribunais relacionados a processos recentes mostram que os falsificadores colocaram uma cópia roubada do último filme "Guerra nas Estrelas" em um site da web poucas horas depois de sua estréia, em 18 de maio. Colocaram "Batman Begins" na Internet em 15 de junho, mesmo dia de seu lançamento, e "Bewitched" estava disponível para download dois dias depois da estréia, em 24 de junho.

Desejando proteger o mais poderoso gorila do reino do cinema, a Universal está colocando marcas d'água e criptografia nas cópias de "King Kong". Também está supervisionando o acesso ao filme durante todas as fases de produção, monitorando as maquinações online que envolvem o filme e planejando vigiar de perto as projeções prévias.

Outros estúdios de Hollywood, incluindo a Warner Brothers, cujo quarto episódio da série "Harry Potter" está prevista para este outono, estão tomando medidas semelhantes para combater a pirataria. Por enquanto, porém, os contrabandistas são um alvo em movimento.

"Isso não tem a ver só com a indústria de cinema. Na indústria farmacêutica, na indústria de informática ou do entretenimento filmado, a proteção da propriedade intelectual é crucial", disse Darcy Antonellis, que ajuda a supervisionar as iniciativas antipirataria para a Warner Brothers, uma unidade da Time Warner.

"Se não pudermos construir negócios em torno de idéias e acreditar que temos direito a essas idéias, então todo o nosso setor está ameaçado."

Sentada confortavelmente na escuridão de um cinema, uma equipe de quatro "cammers" vai trabalhar. Um deles senta-se afastado do grupo e atua como vigia, enquanto outro abre uma pequena câmera de vídeo digital escondida em suas roupas e grava o filme que está sendo projetado. Os dois outros membros da equipe sentam-se na frente da pessoa que faz a gravação, tentando manter o caminho livre das silhuetas escuras que atrapalham as cenas de muitos filmes piratas.

Resumindo, é assim que os "cammers" trabalham, segundo investigadores federais. Eles podem estar no final da cadeia alimentar da pirataria, mas depois que põem suas mãos em um filme, rapidamente o passam adiante para outros na rede, correndo para ver quem consegue publicar na Internet a primeira versão "limpa" de um filme popular.

Segundo autoridades policiais e documentos da Justiça, os sites da web que oferecem filmes são operações apenas de "convite", que os contrabandistas chamam de "topsites". A maioria deles opera em zonas ocultas chamadas de "darknet" [a rede sombria].

Uma reputação a preservar

As equipes de piratas são conhecidas como grupos "warez", uma derivação da palavra "software". Todos os membros têm apelidos, ou "nics", e suas verdadeiras identidades geralmente permanecem escondidas, mesmo dos outros membros.

Investigadores e outras pessoas familiarizadas com a pirataria dizem que os aspirantes a contrabandistas conseguem entrar em um grupo de "warez" hospedando um servidor de computador onde podem armazenar ou distribuir cópias de filmes roubados.

Como qualquer pessoa que se orgulha de seu trabalho, os membros de warez gostam de "marcar" um filme roubado, acrescentando anotações aos arquivos online com os apelidos de todos os envolvidos no bando. Os grupos geralmente obscuros envolvidos em pirataria chegaram a lançar um filme "cult" --só encontrado online, é claro-- chamado "The Scene", com personagens principais chamados Teflon, Trooper e Slipknot.

"É quase como um jogo, em que várias pessoas fazem o 'rei da montanha'", disse Darrell Smith, um desenvolvedor de software do Arizona que ajudou a criar um dos primeiros programas de compartilhamento de arquivos de música, chamado Morpheus, e que conhece bem o funcionamento dos grupos warez.

"Eles têm uma estrutura muito hierárquica, e cada um tem certas reputações que gostam de preservar. É muito parecido com as gangues urbanas, sem a violência."

É desnecessário dizer que os piratas têm um público online muito entusiástico. Como os amantes da música que avançaram nas ofertas da Napster sem questionar se estavam trocando mercadoria roubada, os fãs de cinema acorrem às redes de computadores públicas "peer-to-peer" ["entre amigos"] que traficam filmes. As pessoas comuns que baixam filmes também têm uma designação no mundo da pirataria: "sanguessugas".

Segundo a BigChampagne, uma empresa de Beverly Hills, Califórnia, que rastreia o uso de mídia online e cria gráficos semanais mostrando os filmes que tiveram o maior número de downloads, existem centenas de milhares de sanguessugas.

Na semana que terminou em 9 de agosto, a BigChampagne disse que uma média de 102.895 pessoas por dia baixaram o novo "Guerra dos Mundos", usando um programa de troca de arquivos popular chamado BitTorrent. No mesmo período, "Wedding Crashers" ["Penetras Bons de Bico"] teve uma média de 100.134 downloads por dia e "A Fantástica Fábrica de Chocolate" teve 97.611.

Agente Secreto

As autoridades policiais dizem que os grupos warez se comunicam assim que os investigadores invadem um de seus sites, o que torna difícil montar batidas em grande escala. E os piratas vêem com suspeita os novos "topsites" que estão entrando na rede nos EUA, supondo que esses servidores possam fazer parte de uma operação de infiltração.

No entanto, no mês passado promotores federais e seus homólogos em outros 11 países montaram uma das maiores iniciativas internacionais contra a pirataria de filmes já feita, o resultado de uma investigação de dois anos chamada Operação Site Down.

Um indiciamento feito em julho no tribunal federal de San Jose, Califórnia, contra quatro pessoas acusadas de participar de grupos warez que foram investigados na Operação Site Down, disse que 750 filmes foram carregados em dois topsites; assim como outros servidores afiliados a eles, abrigavam filmes, jogos e software roubados num volume de 27 terabytes de dados. Isso equivale, segundo uma pessoa envolvida na investigação, ao conteúdo de várias grandes bibliotecas de universidades.

Um mandado de busca recentemente revelado pelo tribunal federal de St. Louis como parte da Operação Site Down disse que um funcionário de um cinema estava envolvido nos grupos investigados e que ele havia planejado montar uma câmera por trás de uma tela do cinema para fazer uma cópia pirata de um filme.

Os documentos do tribunal dizem que o funcionário foi rastreado porque um dos filmes que ele copiou tinha uma marca d'água que o ligava ao cinema onde trabalhava, mas também teve a capacidade de apagar as marcas d'água de outros filmes. depois ele foi preso e acusado.

Autoridades disseram que conseguiram entrar nos grupos warez da Operação Site Down somente com o uso de um agente secreto que desenvolveu relações com membros do grupo.

"O principal motivo para termos um agente secreto é que é muito difícil penetrar nesse mundo online a menos que você esteja incógnito", disse Mark L. Krotoski, um promotor-assistente dos EUA em San Jose que é um promotor sênior nessa operação. "É uma conspiração muito sofisticada, que funciona quase como uma empresa."

Autoridades policiais dizem que há dois grupos envolvidos na pirataria de filmes na Internet: um ramo sem fins lucrativos, que está nisso apenas para se divertir, e um ramo muito menor, que está na coisa pelo dinheiro. Os do primeiro grupo se contentam em aceitar downloads gratuitos de outros filmes em troca de oferecer uma cópia do filme que piratearam, dizem os investigadores.

Smith, o desenvolvedor de software, disse que uma pessoa do grupo interessado em dinheiro pode trabalhar duro uma semana e conseguir o suficiente para pagar um ano de mensalidade numa faculdade particular.

"Continuamos dedicando tantos recursos a essa forma de pirataria online porque temos evidências concretas de que os grupos warez de alto nível não apenas lançam produtos que são distribuídos gratuitamente na Internet, mas também os fornecem para o lucrativo mercado de infração de direitos autorais", disse Michael M. DuBose, vice-diretor da unidade de crimes de informática e propriedade intelectual do Departamento de Justiça dos EUA.

Quadrilhas internacionais

A maior parte do dinheiro grande no jogo da pirataria, segundo analistas, passa pelas mãos de contrabandistas envolvidos no mundo real, e não na rede. "Por enquanto, não se pode dizer que os filmes distribuídos na Internet representem uma grande queda nas bilheterias", disse Joe Fleischer, co-fundador da BigChampagne. "Mas a pirataria de produtos físicos é um verdadeiro problema."

Embora os investigadores digam que os traficantes de produtos --os mais conhecidos estão baseados na China e na Rússia-- muitas vezes conseguem seus produtos roubados de grupos warez, também são adeptos de fazer cópias de novos DVDs assim que são lançados pelos estúdios de Hollywood.

Para isso, contam com especialistas em tecnologia conhecidos como "rippers" ou "crackers", que decifram os códigos de segurança colocados pelos estúdios nos DVDs para impedir cópias.

"As partes do mundo onde ocorrem mais cópias são onde estão as operações em grande escala, às vezes controladas por grupos do crime organizado capazes de gastar mais de US$ 1 milhão em uma máquina de cópia", disse John G. Malcolm, que supervisiona as iniciativas antipirataria para a Associação Cinematográfica da América. "A Ásia é a central da pirataria, onde se copia a maioria dos discos do mundo."

Os bandos asiáticos também têm fortes raízes nos EUA, dizem oficiais da Justiça. No último outono, promotores federais de Nova York indiciaram 51 pessoas ligadas às duas maiores famílias chinesas do crime organizado na cidade. As acusações variavam de tráfico humano e extorsão até lavagem de dinheiro e assassinato. A polícia disse que os acusados também estavam muito envolvidos em pirataria cinematográfica.

Os DVDs falsificados são facilmente distribuídos pelos piratas em seu próprio território. Por exemplo, num fim de semana no Gorbushka, um extenso bazar em Moscou que é a maior exposição ao ar livre de produtos contrabandeados, geralmente se vêem inúmeras bancas de DVDs pirateados.

Os investigadores dizem que quando piratas estrangeiros querem enviar DVDs falsificados para mercados em outros países, simplesmente os escondem em barris sem identificação ou os enrolam em tapetes.

Enquanto os valores da pirataria só podem ser estimados, alguns processos bem-sucedidos revelam as grandes somas envolvidas. Em abril, dois americanos que trabalham na China, Randolph H. Guthrie III e Abram C. Thrush, foram condenados à prisão em Xangai por venderem ilegalmente 840 mil DVDs piratas e por armazenar mais de 210 mil deles em três armazéns.

Autoridades policiais americanas e chinesas disseram que a dupla vendia os DVDs no site de leilões eBay e através de um site russo para compradores em quase 20 países, incluindo os EUA.

Também em abril, uma batida conjunta de autoridades americanas e filipinas em Manila resultou na prisão de cerca de 550 pessoas acusadas de envolvimento em bandos piratas e a apreensão de mais de um milhão de discos em branco, no valor de quase US$ 2 milhões.

Reação da indústria

Apesar dos recentes ataques à pirataria e dos esforços que os estúdios fazem para impedir o roubo de cópias antecipadas oferecidas a mídia, muita gente em Hollywood e no setor de tecnologia acredita que a indústria de cinema está numa batalha difícil.

"Não acredito que a pirataria possa ser derrotada facilmente; lançar filmes em DVD ao mesmo tempo que no cinema é provavelmente para onde a indústria irá nos próximos anos", disse o diretor Jackson. "A entrega eletrônica tanto nos cinemas como na casa das pessoas não vai necessariamente derrotar os piratas, mas pelo menos os estúdios estarão jogando em nível semelhante."

A Suprema Corte dos EUA confirmou recentemente as proteções jurídicas para conteúdo criativo distribuído online quando derrubou uma decisão de um tribunal inferior de arquivar um caso de infração de direito autoral que os estúdios Metro-Goldwyn-Mayer e outras companhias de entretenimento moveram contra a Grokster e outra empresa que faz software de troca de arquivos.

A decisão vai facilitar para Hollywood mover processos mais agressivos, se desejar. Os estúdios dizem que essas proteções são válidas porque hoje custa cerca de US$ 98 milhões em média produzir e comercializar um filme no mercado interno, enquanto seis em cada dez filmes novos dão prejuízo.

Mas as inovações tecnológicas, como sempre, continuarão se movendo conforme sua lógica interna. E alguns críticos da reação de Hollywood à pirataria digital dizem que a indústria de cinema não está enfrentando o desafio maior: uma rápida mudança na maneira como o público assiste aos filmes.

"A Internet foi criada para facilitar a transferência de arquivos. Por isso, seja um e-mail, uma mensagem instantânea, músicas ou filmes, tudo vai aumentar com tanta certeza quanto o sol nascer amanhã", disse Fleischer, da BigChampagne. "Acho que o setor de cinema está no mesmo lugar em que o de música esteve em 2001 e 2002. Eles estão apenas esperando, sem fazer muito para oferecer filmes legítimos na rede."

Os veteranos de Hollywood dizem que estão conscientes das mudanças. "Estamos nos esforçando para garantir que o que aconteceu com a indústria de música não aconteça com a nossa", disse Barry M. Meyer, presidente da Warner Brothers, que foi um dos primeiros estúdios a montar uma campanha antipirataria séria. "Não queremos que esse se torne um comportamento dominante."

Cinema independente

Outros que assistem à luta entre e Hollywood e o os piratas de cinema de dizem que o mundo da Internet oferece um sistema de distribuição alternativa --livre dos limites e controles dos estúdios e das redes de televisão-- que permitirá que cineastas independentes atinjam um público mais amplo. Sua preocupação é que as iniciativas antipirataria inibam a inovação.

"O que mais me preocupa é ver em shopping centers de alto padrão quiosques advertindo as pessoas sobre a privacidade de maneira paranóica", disse Smith, cujo software Morpheus esteve em discussão no caso Grokster.

"A parte física da Internet poderia ser sufocada por causa dessas coisas que estão sendo demonizadas. É isso que me preocupa quando as pessoas começam a falar sobre a 'darknet' e a necessidade de proteger o conteúdo."

Mas é seguro supor que os produtores de filmes independentes que querem ganhar a vida com seu trabalho também tenham interesse em garantir que a integridade de seus filmes --e os direitos autorais associados a eles-- sejam protegidos na rede. Com essa finalidade, Hollywood acha que chegou a hora de conter a pirataria de filmes.

"Eu sempre achei que pirataria tinha uma conotação glamourosa", disse Meyer. "Mas vamos chamá-la pelo nome certo: roubo. Acho que é a mesma coisa que furtar em lojas." "King Kong" será o próximo filme a enfrentar os piratas do multiplex Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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