UOL Notícias Internacional
 

31/08/2005

Bloomberg lidera pesquisa para prefeitura de NY

The New York Times
Jim Rutenberg e Marjorie Connelly

Em Nova York
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    Os democratas estão pouco impressionados com seus candidatos à prefeitura de Nova York nas próximas eleições primárias. Quase a metade deles acredita que o prefeito republicano, o empresário Michael R. Bloomberg, merece ser reeleito, de acordo com as mais recentes pesquisas de opinião de The New York Times.

    Duas semanas antes das primárias de 13 de setembro, mais de um quarto dos eleitores democratas disseram que continuavam indecisos. Metade dos democratas disse que votaria em Bloomberg, se participasse das primárias democratas. Nessa disputa hipotética, o prefeito teria mais do que o dobro de votos do segundo colocado, Fernando Ferrer.

    A pesquisa mostrou que Bloomberg vai para as eleições gerais em novembro com uma posição invejável. Isso significa uma mudança impressionante para um prefeito que, dois anos atrás, tinha o menor índice de aprovação da história das pesquisas do NYT: 24%. Hoje, 59% dos nova-iorquinos aprovam seu desempenho, nove pontos percentuais acima de seu recorde anterior, de 50%, em junho.

    No entanto, quando se pediu aos eleitores que escolhessem entre apenas quatro candidatos democratas, Fernando Ferrer apresentou vantagem confortável sobre seus três principais competidores, Gifford Miller, C. Virginia Fields e Anthony D. Weiner, todos estatisticamente empatados no segundo lugar, com 10%, 12% e 13%, respectivamente. Entretanto, apenas 29% dos democratas registrados disseram que votariam em Ferrer, e ele precisa de 40% para evitar um segundo turno.

    A pesquisa foi conduzida por telefone com 931 adultos, entre os dias 22 e 28 de agosto, e tem margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais. Do total, 718 disseram que eram eleitores registrados e 448 disseram que eram democratas registrados. Os resultados desses subgrupos têm margem de erro de mais ou menos quatro e cinco pontos percentuais respectivamente.

    A pesquisa é um retrato vívido da força de Bloomberg. Depois de inundar a televisão por meses com mais de US$ 20 milhões (em torno de R$ 48 milhões) em anúncios de suas realizações, Bloomberg está com altíssimos índices de popularidade e aprovação, sugere a pesquisa.

    Depois de várias gafes, enganos e desavenças, os democratas não parecem estar conseguindo entusiasmar os eleitores, nem ganhar força em nenhuma questão particular, apesar de já terem começado suas campanhas de propaganda. Até agora, eles gastaram cerca de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 12 milhões) com a campanha.

    Bloomberg está ganhando pontos pela forma como lidou com a ameaça de terrorismo e com a economia da cidade, assim como sua administração geral. A maioria dos entrevistados disse que o prefeito está mais bem preparado para gerenciar essas questões que seus opositores democratas.

    Os democratas, porém, têm linhas de ataque em áreas em que o prefeito pode ser vulnerável.

    Quase 75% dos entrevistados disseram que um democrata se sairia melhor com o problema de altos custos de moradia que Bloomberg. E 48% disseram que um democrata se sairia melhor na questão das escolas públicas do que Bloomberg.

    Primárias democratas

    De fato, a pesquisa mostrou que 59% dos entrevistados não estavam satisfeitos com a qualidade das escolas públicas da cidade. Todos listaram educação e moradia como principais questões que gostariam de ver abordadas durante a próxima prefeitura.

    "Se a classe média e a classe baixa não puderem mais viver aqui, o que vai ser da cidade de Nova York?" perguntou um eleitor, Ted Barltes, 34, gerente de produção que disse que estava pensando em votar em Ferrer por causa de seu longo histórico na política da cidade. "Os Bloomberg e os Giuliani do mundo não pensam nessas coisas", disse ele em uma entrevista após a pesquisa.

    No departamento de boas más notícias para os democratas da cidade, apenas 17% dos eleitores registrados entrevistados disseram que estavam acompanhando a campanha de perto. Apesar de ser mais uma indicação de apatia na disputa, também deixa espaço para os democratas fazerem uma forte impressão, se as pessoas começarem a pensar sobre a disputa durante as duas semanas antes das primárias.

    Membros do Partido Democrata disseram em entrevistas na terça-feira que não estavam surpresos com os resultados das pesquisas, mas acrescentaram que a situação mudaria quando os candidatos intensificassem suas campanhas e os eleitores prestassem mais atenção.

    "Meses de propaganda ininterrupta pelo prefeito tiveram um impacto. Nos próximos dias e semanas, cada vez mais os democratas vão passar para o nosso lado da história, e essa dinâmica vai mudar", disse Howard Wolfson, porta-voz do Comitê Democrata do Estado de Nova York.

    Nick Baldick, gerente de campanha de Ferrer, disse que considerava cedo demais para colocar muita importância nas pesquisas. Ele observou que na segunda-feira sua campanha aumentou sua propaganda, depois de duas semanas de preponderância de Miller e Weiner.

    "As pesquisas sobem e descem, mas há duas semanas que Gifford vem comprando tempo no ar, e nós apenas começamos", disse Baldick. "Acho que você tem que esperar uma semana depois de entrarmos no ar, além de Anthony e Gifford."

    Ferrer deve conhecer bem a volatilidade nos últimos dias antes de uma primária. Em agosto de 2001, as pesquisas mostraram que ele estava atrás do primeiro lugar na disputa, Mark Green, por 10 pontos percentuais. Ferrer então derrotou Green nas primárias, mas não o suficiente para evitar o segundo turno, o qual perdeu.

    Se o interesse do eleitor continuar baixo, Ferrer pode ser o maior beneficiário, indicam as pesquisas. Quando os eleitores indecisos são tirados da equação, ele fica com 45% dos votos democratas, mais do que o suficiente para evitar o segundo turno. Esse dado, porém, assume que todos os indecisos não vão votar nas primárias e que os que já tomaram sua decisão de fato votarão.

    Jef Pollock, analista de pesquisa de opinião de Ferrer, disse que sua base aumentava para 31% quando 8% dos democratas pesquisados que disseram que não pretendiam votar nas primárias eram retirados. No entanto, disse ele, "conseguir 40% ainda é muito difícil; estamos lutando todos os dias."

    Sem os 8% que dizem que não vão votar, a percentagem de votos nas primárias para Miller, Fields e Weiner também sobe, mas eles continuam em um empate estatístico perto de 15%. Os assessores dos três prevêem que seus números subirão significativamente nas próximas duas semanas.

    Ainda assim, Ferrer pode se tranqüilizar com a falta de movimento vertical estatisticamente significativo para qualquer um de seus rivais desde junho. De fato, o apoio de Fields na pesquisa do NYT caiu de 20% para 12%. E a maior parte dos eleitores ainda não sabe o suficiente sobre candidatos democratas para ter opinião formada sobre eles.

    Um entrevistado na pesquisa, Craig Casper, 35, do Upper West Side, disse sobre Fields: "Não tenho nada contra Virginia Fields, mas ela realmente não me impressionou como presidente de bairro em Manhattan." Ele disse que estava tendendo para Bloomberg porque, nesta altura, não acreditava que "qualquer um dos outros candidatos de fato poderia se comparar ou ter a mesma força que Bloomberg."

    Outra entrevistada, Angela Harden, assistente social no Brooklyn, disse que estava tendendo para Miller nas primárias porque "ele parece ser aquilo em que acredita", mas ela indicou que ia votar em Bloomberg nas eleições gerais.

    "O que me ajudou a decidir neste ano foi quando vi que ele teve coragem de desmantelar o Conselho de Educação", disse ela.

    Nesta altura, Bloomberg parece estar se beneficiando da impressão geral de que não é um republicano típico, nesta cidade de maioria democrata. Mais da metade dos entrevistados disseram que não o considerava assim.

    "Sou democrata e acho que o Partido Democrata deveria fazer basicamente o que Bloomberg está fazendo. Algo que inclui todo mundo", disse William Thompson, 50, guarda do Departamento de Correção.

    Ainda assim, assessores de Bloomberg ainda duvidam que sua liderança sobre os democratas --que varia na pesquisa de 22 pontos acima de Ferrer para 29 pontos sobre Miller-- será tão grande quando chegarem as eleições, no dia 8 de novembro. Democratas, maioria na cidade, apóiam o atual prefeito republicano Deborah Weinberg
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