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31/08/2005

Pobreza cresceu nos EUA em 2004, aponta censo

The New York Times
David Leonhardt

Em Washington
Mesmo enquanto a economia crescia, a renda estagnou no ano passado e a taxa de pobreza cresceu, informou o Census Bureau, o órgão de estatísticas dos Estados Unidos, nesta terça-feira (30/08). É a primeira vez em que é registrado o não aumento da renda doméstica por cinco anos consecutivos.

A porção dos americanos sem cobertura de saúde praticamente permaneceu estável em 16%, disse o birô. Um percentual menor de pessoas recebeu cobertura de seus empregadores, mas dois grandes programas do governo, o Medicaid e o seguro militar, cresceram.

O resumo do relatório anual do Census Bureau sobre o bem-estar econômico do país mostrou que os quatro anos de expansão ainda não fizeram muito para beneficiar muitos lares. A renda média pré-impostos, de US$ 44.389, esteve em seu ponto mais baixo desde 1997, considerada a inflação.

Apesar das razões ainda não estarem totalmente claras, os economistas dizem que a tecnologia e o comércio global parecem estar segurando o salário de muitos trabalhadores. O custo crescente dos benefícios de saúde também tem devorado os aumentos salariais.

Após a divulgação do relatório, funcionários do governo Bush disseram que o mercado de trabalho continua melhorando desde o final de 2004 e que esperam que as rendas agora estejam crescendo e a pobreza diminuindo. A taxa de pobreza "é o último e único indicador a ficar para trás no ciclo de negócios", disse Elizabeth Anderson, a chefe de gabinete da administração de economia e estatísticas do Departamento de Comércio.

Os números do Census Bureau também não refletem as reduções de impostos aprovadas no primeiro mandato do presidente Bush, que aumentaram o poder de compra de muitas famílias.

Mas os maiores cortes de impostos atingiram famílias de alta renda que já estavam recebendo aumentos, disseram os democratas na terça-feira. O relatório, eles acrescentaram, mostra que os cortes fracassaram em estimular a economia como a Casa Branca tinha prometido.

"O crescimento na economia não está chegando às famílias", disse o senador Jack Reed, democrata de Rhode Island. "É um enorme contraste com o que aconteceu durante o governo Clinton."

O tema principal do relatório do Census Bureau pareceu ser a persistente fraqueza na remuneração e benefícios, apesar da queda no número de desempregados. Menos pessoas estão obtendo cobertura de saúde por parte de seus empregadores ou de um membro da família, enquanto os aumentos salariais geralmente não acompanham a inflação.

No ano passado, os lares impediram sua renda de cair trabalhando mais horas do que trabalharam em 2003, mostraram dados do Census Bureau. O salário médio para homens trabalhando em período integral caiu mais de 2% em 2004, para US$ 40.800; para as mulheres, a queda média foi de 1%, para US$ 31.200.

Quando algumas pessoas passam de trabalho de meio período para período integral, elas conseguem impedir a queda da renda apesar do salário para os trabalhadores individuais estar caindo.

"Parece que os ganhos da recuperação ainda não foram repassados", disse Phillip L. Swagel, um pesquisador residente do Instituto Empresarial Americano, um grupo de pesquisa conservador em Washington. "Os ganhos foram para os donos do capital e não para os trabalhadores."

Sempre há um intervalo entre o fim da recessão e a retomada dos aumentos salariais, acrescentou Swagel, mas a duração deste intervalo tem confundido os especialistas.

Além disso, a taxa de pobreza cresceu no ano passado para pessoas em idade de trabalho, aqueles entre 18 e 64 anos. A taxa de pessoas com 65 anos ou mais na pobreza caiu, enquanto a pobreza infantil permaneceu inalterada.

No geral, o índice de pobreza aumentou de 12,5% para 12,7% em 2003. Os níveis de pobreza mudaram apenas modestamente nas últimas três décadas, aumentando nos anos 80 e caindo nos anos 90, após terem caído acentuadamente nos anos 60. Eles atingiram o ponto mais baixo de 11,1% em 1973, em comparação a mais de 22% em 1960.

Nas mesmas três décadas em que a pobreza permaneceu praticamente estável, a renda média cresceu significativamente, aumentando o padrão de vida da maioria das famílias. Corrigida pela inflação, a renda de um lar médio, aquele que ganha mais do que a metade de todos os outros e menos do que a metade do restante, ganha quase um terço a mais hoje do que ganhava no final dos anos 60.

Mas a desigualdade de renda também aumentou neste período e esteve próxima de uma alta recorde no ano passado, informou o Census Bureau. Os números do relatório não incluíram os ganhos com ações, o que aumentaria ainda mais a desigualdade.

Em Nova York, o índice de pobreza cresceu no ano passado de 19% para 20,3%, a tornando a única cidade com mais de 1 milhão de habitantes a apresentar uma mudança significativa. O motivo para o aumento não ficou óbvio.

Entre os grande condados, o Bronx apresentou o quarto maior índice de pobreza do país, à frente apenas de três condados na fronteira do Texas com o México.

Muitos economistas dizem que as estatísticas do governo minimizam a pobreza em Nova York e outras grandes cidades porque os números não são corrigidos pelo custo de vida. Uma família com dois adultos e duas crianças é considerada pobre se ganhar menos de US$ 19.157 por ano, independente de viver em uma cidade onde US$ 500 mil compram um pequeno apartamento ou uma mansão.

Os lares do Estado de New Hampshire ganharam mais no ano passado (US$ 57.400 em média) do que em qualquer outro Estado, enquanto os de Virgínia Ocidental ganharam menos (US$ 32.600). Fairfax County na Virgínia (US$ 88.100) e Somerset County em Nova Jersey (US$ 84.900) foram os condados com maiores rendas, disse o Census Bureau.

A queda nos benefícios de saúde fornecidos pelo empregador ocorreram após quatro anos de custos de saúde em rápido crescimento. Parte dos aumentos deriva da ineficiência do sistema de saúde; outros foram resultados de novos tratamentos que melhoraram a saúde e prolongaram a vida, mas eram freqüentemente caros.

De qualquer forma, o preço do atendimento de saúde cresceu, e mais empresas estão optando por não pagá-lo para alguns trabalhadores. O percentual de pessoas que contam com cobertura de saúde por parte do empregador caiu para 59,8% no ano passado, em comparação a 63,6% em 2000. O percentual daqueles que o recebem do governo aumentou de 24,7% para 27,2%.

A tendência provavelmente continuará a menos que o mercado de trabalho se torne tão concorrido como no final dos anos 90, quando as empresas decidiram que deviam oferecer cobertura de saúde para manter os trabalhadores, disse Paul Fronstin, diretor do programa de pesquisa de saúde do Grupo de Pesquisa de Benefício ao Funcionário, uma organização não partidária em Washington.

Os números divulgados na terça-feira na verdade mostraram um pequeno declínio na renda média, mas o Census Bureau chamou a queda --de US$ 93-- de estatisticamente insignificante. As rendas também se mantiveram praticamente inalteradas entre brancos, negros, latinos e ásio-americanos.

O Meio-Oeste, que tem sido prejudicado pela fraqueza do setor manufatureiro, foi a única região onde a renda média caiu e a pobreza aumentou. Em outras partes, os números se mantiveram inalterados.

Desde 1967, as rendas não aumentaram por quatro anos consecutivos em duas outras ocasiões: no final dos anos 70 e no início dos anos 90. O Census Bureau não fazia o levantamento da renda doméstica nos anos que antecederam 1967, mas outros dados mostram que as rendas geralmente cresceram nos anos 40, 50 e 60. Indicadores confirmam que a expansão só tem beneficiado os ricos George El Khouri Andolfato

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