UOL Notícias Internacional
 

02/09/2005

'Democratas de Bloomberg' afetam partido em NY

The New York Times
Sam Roberts*

Em Nova York
A maioria dos nova-iorquinos é democrata. E metade deles, segundo sugere uma recente pesquisa, reelegeria o prefeito republicano da cidade. Vem aí o dia das eleições primárias. O que farão esses "democratas de Bloomberg"?

O intrigante dilema dessa gente pode ser um grande fator em se tratando de determinar quem conquistará a vaga democrata em 13 de setembro. Será que eles votam com o coração? Ou votam estrategicamente, "em qualquer um, menos Freddy", a fim de obrigar o líder democrata nas pesquisas, Fernando Ferrer, a disputar um debilitante segundo turno com Gifford Miller, Anthony D. Weiner ou C. Virginia Fields? Ou será que votarão no candidato que acreditarem representar a menor ameaça para o prefeito Michael R. Bloomberg em novembro?

Robert Jaffe, vice-diretor da NARAL Pro-Choice New York, disse que a sua organização, que apóia Bloomberg, não está procurando influenciar as primárias de nenhuma forma. Mas, pessoalmente, ele disse: "Estou pensando na perspectiva da enfraquecer o candidato democrata, de forma que o prefeito encontre facilidade para se reeleger".

Ele só não está certo de como fará tal coisa. "Certamente queremos garantir que haja um segundo turno com uma pessoa que deixe Freddy o mais debilitado possível", afirmou. "Não sei ao certo quem seria essa pessoa".

Carl E. Podwoski, um democrata de Bloomberg e executivo aposentado do setor de energia que mora em Park Slope, no Brooklyn, disse que provavelmente votaria em Weiner ou Miller, não só porque eles parecem mais qualificados, mas para negar a Ferrer os 40% dos quais este precisa para evitar um segundo turno. "Espero que os democratas se exauram, e que o seu nível de animosidade interna cresça como em 2001", afirmou.

A sua mulher, Virginia Lovejoy, uma educadora aposentada, disse que provavelmente apoiaria Weiner, mas por um motivo inteiramente diferente.

"Tenho a impressão que Ferrer disputaria uma campanha mais apertada", afirmou. "Weiner é uma aposta muito incerta, e é dele que eu menos desgosto, e por isso eu poderia votar nele em vez de em alguém que possivelmente poderia se constituir em uma ameaça a Bloomberg".

É claro que nem todos os eleitores estão assim tão sintonizados com relação à eleição para prefeito, e vários analistas políticos concordam que os eleitores das primárias, que geralmente são altamente motivados, são sofisticados, mas não maquiavélicos.

"As pessoas escolhem a próxima melhor alternativa, em vez de maquinarem ou tentarem determinar contra quem votarão", disse Jennifer Cunningham, vice-presidente-execuiva da S.E.I.U/1199, o politicamente poderoso sindicato de trabalhadores do setor de saúde.

"Creio que somente pessoas que estão extremamente engajadas parariam em frente a uma urna e diriam: 'Como é que eu posso sangrar o candidato que seria o oponente melhor e mais forte?'".

E os democratas de Bloomberg têm pelo menos duas outras opções: boicotarem as primárias para a escolha do candidato a prefeito, ou até mesmo escreverem o nome de Bloomberg na cédula eleitoral.

William T. Cunningham, assessor do prefeito e democrata, disse que fará exatamente isso. "Não posso aconselhar ninguém a votar no candidato mais fraco --isso não seria correto", afirmou. "Mas contamos com a opção de escrever um nome se não gostarmos dos quatro democratas. Se você é um democrata e acredita realmente gostar de Bloomberg, e se é nele que votará em novembro, você tem o direito de escrever o nome dele na cédula, e essa é uma opção melhor do que não votar ou pedir aos outros que votem em uma segunda opção".

Na última pesquisa de opinião feita por The New York Times, cerca de metade dos democratas afirmou que votaria em Bloomberg se ele estivesse disputando a primária democrata.

"Se alguém investir bastante dinheiro para organizar uma campanha pela inscrição do nome de Bloomberg nas cédulas, tal estratégia poderia surtir efeito", afirma John Ravitz, diretor-executivo da Comissão Eleitoral. Mas, embora vencer uma campanha desse tipo seja algo extremamente difícil, um grande número de votos dessa natureza poderia aumentar a chance de que houvesse um segundo turno que os apoiadores de Bloomberg acreditam ter o potencial para enfraquecer o candidato democrata. Qualquer candidato precisaria obter 40% do número total de votos --incluindo os 'write-in' (modalidade de voto no qual se escreve o nome do candidato na cédula)-- para evitar um segundo turno.

Os democratas geralmente aguardam os resultados das primárias antes de decidirem como votarão em novembro. Desta vez, entretanto, segundo a pesquisa do NYT, 26% dos eleitores democratas registrados que disseram que pretendem votar em 13 de setembro garantiram que votarão em Bloomberg em novembro, não importando quem vença as primárias democratas.

Segundo a pesquisa, feita entre 22 e 28 de agosto, Ferrer lidera entre os 448 democratas entrevistados, mas tem apenas 29% dos votos totais, e 21% dos democratas de Bloomberg afirmaram que preferem Ferrer entre os candidatos que disputarão as primárias.

Os outros três candidatos estão tecnicamente empatados no segundo lugar, com Weiner ligeiramente na dianteira, mas por uma vantagem estatisticamente insignificante.

Se há algum consenso entre os analistas políticos, é de que os democratas de Bloomberg, a maioria dos quais é branca, lembram mais os democratas que apóiam Miller, o presidente da Câmara Municipal, e Weiner, um congressista que representa partes do Brooklyn e de Queens.

Algumas pesquisas sugerem que isso significa que se os democratas de Bloomberg votarem com base no mérito --ou seja, no candidato que, depois de Bloomberg, eles mais gostariam que se elegesse prefeito--, os seus votos poderão empurrar Weiner ou Miller para um segundo lugar, para disputar a vaga com Ferrer.

"O perfil do eleitor de Bloomberg lembra um pouco o do eleitor de Miller e de Weiner", explica Douglas Muzzio, professor de ciência política do Baruch College, da Universidade da Cidade de Nova York.

"Se eu fosse estrategista da campanha de Bloomberg, estaria rezando para que Weiner e Miller obrigassem Freddy a disputar um segundo turno", diz Hank Sheinkopf, um consultor político.

Comparados aos democratas tradicionais, os democratas de Bloomberg tendem a ser mais educados e a ganhar maiores salários. Somente cerca de um em cada cinco democratas de Bloomberg, comparado a cerca de dois em cada cinco democratas tradicionais, dizem considerar o prefeito um "republicano típico".

Joel Benenson, analista de pesquisas da campanha de Weiner, descreve o parlamentar como o democrata que mais compete com Bloomberg pelos eleitores indecisos, e acrescenta: "Não sei se o termo 'democrata de Bloomberg' se aplica neste caso como ocorreu em 1980 com relação aos democratas que votaram em Ronald Reagan. O apoio a Bloomberg na cidade é ainda, de certa forma, tênue. Suspeito que os democratas que estão avaliando positivamente o prefeito votarão no democrata mais forte que estiver em campo --lembrem-se, eles ainda são democratas--, e a seguir esperarão contar com uma campanha competitiva entre as primárias e a eleição".

Reggie Johnson, porta-voz de Miller, disse: "No dia das eleições primárias, os democratas do núcleo duro votarão no candidato que defender os valores progressistas. Eles votarão com os seus corações em Gifford Miller".

O Conselho Distrital 37, o maior sindicato municipal, apoiou Bloomberg na eleição geral, mas não expressou uma preferência oficial nas primárias pelos seus membros, em sua maioria democratas. "Eles podem votar em quem desejarem", afirma Lillian Roberts, a diretora-executiva do sindicato. "Em novembro pediremos a todos que votem em Mike Bloomberg".

Cerca de um em cada cinco democratas de Bloomberg disse que ainda está indeciso quanto às primárias. Uma outra grande variável é o comparecimento, que deverá ser alto nos locais onde as disputas para cargos de líderes de bairro, juízes distritais ou vereadores forem mais competitivas, e nas regiões preponderantemente hispânicas, algo que poderia fazer com que Ferrer ultrapassasse a barreira dos 40%. Cerca de um em cada cinco democratas de Bloomberg diz que boicotará as primárias democratas para escolha do candidato a prefeito.

"O que estou ouvindo dizer é que eles ficarão em casa", diz Guy V. Molinari, o ex-presidente de bairro de Staten Island, que é republicano e apóia Bloomberg.

Mas alguns proeminentes democratas de Bloomberg dizem que votarão no candidato que considerarem mais competente, mesmo que pretendam apoiar Bloomberg na eleição geral.

"Nas primárias votarei em qualquer um que eu conclua ser o melhor candidato possível, da mesma forma que farei em novembro, quando obviamente votarei em Bloomberg", afirma Steven Rattner, diretor de um banco de investimentos.

"Muita gente me perguntou se não deveríamos votar no candidato que seria mais facilmente derrotado por Bloomberg", conta o ex-prefeito Edward I. Koch. "Eu disse que não, não é isso que farei. Escolherei, sem revelar a minha escolha, a pessoa que eu creio ser a melhor para a cidade. Gosto de Michael Bloomberg, e quero que ele vença, mas para mim o que conta é a cidade. Nada está definido. Um democrata pode vencer. E, neste caso, gostaria que ele fosse o melhor".

Bob Kerrey, presidente da New School, que recebeu um pedido para que conseguisse votos democratas para Bloomberg, antes que ele próprio passasse a cogitar concorrer à prefeitura, disse: "Eu passei da posição pró-Bloomberg a minha atual postura neutra. Votarei em quem eu achar que será o melhor prefeito, e em novembro tomarei a minha decisão final".

*Colaborou Marjorie Connelly. Eleitores da oposição prometem apoiar o atual prefeito, republicano Danilo Fonseca

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